Para muitos o campo harmônico passa batido, esquecido... e em um determinado tempo na sua vida músical perceberá a falta que saber formar o campo harmônico te faz. Não se assuste sabendo a base de notas das escalas e formação de acordes podemos correr atrás do prejuizo.
Olá amigos, essa semana darei continuidade aos artigos sobre teoria musical para músicos de computador.
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No artigo anterior vimos a notação básica, assim como os intervalos da escala diatônica e a variação pentatônica dessa mesma escala.
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Hoje veremos o campo harmônico maior com sua definição e algumas aplicabilidades, assim como formação básica de acordes maiores e menores.
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Neste primeiro momento, quero deixar tudo bem básico, não me aprofundando sobre quais escalas usar em cima de cada acorde, nem sobre empréstimos modais(improvisação com acordes), acordes invertidos, cadencias e outros assuntos mais aprofundados.
O que é campo harmônico da escala maior?
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É tudo que está relacionado com essa escala, de notas e intervalos a acordes, de arpejos a outras escalas. De forma resumida é tudo que podemos fazer com as notas de uma determinada escala.
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Então o conceito de Campo Harmônico vai muito além da simples formação de acordes de tríade e tétrade usando as notas de uma escala. Podemos incluir as notas de tensão, o leque completo de acordes, entre eles os suspensos, com baixo trocado e alterados, os intervalos e até mesmo outras escalas (normalmente pentatônicas).
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Campo Harmônico Maior
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Reparem que na imagem do Campo Harmônico maior, os intervalos são os mesmo da escala maior (visto no artigo 1), tendo 1 semitom (distância de 1 tecla, ou seja, um quadrado vertical no piano roll do Ableton) entre os graus III e IV e entre os graus VII e VIII, e um tom (distancia de 2 teclas, ou seja, dois quadrados verticais no piano roll do Ableton) entre os demais graus da escala.
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Note também que os acordes sempre seguem esse padrão:
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1º grau: sempre maior. ex: C
2º grau: sempre menor. ex: Dm
3º grau: sempre menor. ex: Em
4º grau: sempre maior. ex: F
5º grau: sempre maior. ex: G
6º grau: sempre menor. ex: Am
7º grau: sempre meio-diminuto. ex: Bm7(b5)
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Pra que serve?
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É através da dedução do campo harmônico de uma escala que sabemos quais são os acordes e tensões compatíveis e que conseguimos definir todas as opções melódicas para um determinado acorde. Se um acorde faz parte de um campo harmônico, você poderá usar a escala para solar em cima desse acorde. Como um mesmo acorde pode aparecer em diferentes campos harmônicos veremos diferentes opções de escala para tocar sobre cada acorde. (veremos de forma aprofundada em um próximo artigo).
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Montagem básica de acordes (tríade básica)
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Os acordes são formados a partir da tríade, que nada mais e do que um intervalo de 3ª entre as notas.
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Suas três notas constituintes são a fundamental(Tônica), nota mais grave (no caso do acorde não ser um acorde invertido) e que dá o nome ao acorde, a 3ª, também chamada nota modal, que determina o caráter do acorde (maior ou menor) e a 5ª.
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Exemplo de um acorde de C maior:
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Tônica: C
3ª maior: E
5ª: G
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Exemplo de um acorde de C menor:
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Tonica: C
3ª menor: Eb
5ª: G
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Reparem que apenas uma nota diferencia um acorde maior de um menor, mas essa nota é fundamental, pois se uma terça menor é tocada sobre o seu acorde maior (por exemplo um Eb sobre um acorde de C maior) causará uma dissonância nada agradável aos ouvidos (falaremos sobre cromatismo e escala/campo harmônico cromático mais pra frente).
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Acorde diminuto (dim ou º)
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Acorde Diminuto é o acorde musical formado de um intervalo de 3a menor, 5a diminuta e 7a diminuta. Isto é a distância entre a fundamental e a terça é de 3 semitons, de 6 semitons entre a fundamental e a quinta e de 9 semitons entre a fundamental e a sétima. Outra particularidade que pode ser estabelecida para auxiliar na produção do acorde é o fato de haver sempre 3 semitons entre as notas formadoras. Isto é, da fundamental para a terça, da terça para a quinta e da quinta para a sétima, a distância é de 3 semitons.
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Vale ressaltar que o acorde diminuto é o VII grau do Campo Harmônico Maior.
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Formação de acordes no Piano Roll
Uma coisa que facilita muito na produção de música eletrônica (usando um teclado midi ou o piano roll) é que todo acorde tem um padrão.
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Padrão dos acordes maiores:
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Para formar um acorde maior (independente da tônica, a nota que da nome ao acorde) e um intervalo de 4 semitons para por a 3ª e depois um intervalo de 7 semitons para por a 5ª.
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Acorde maior no piano roll
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Padrão dos acordes menores:
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Para acordes menores o padrão é praticamente o mesmo, só mudando 1 semitom na 3ª. Então o padrão será um intervalo de 3 semitons para posicionar a 3ª menor e 7 semitons para posicionar a quinta.
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O primeiro acorde é um padrão de acorde menor
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Padrão de acordes diminutos (º ou dim):
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Três padrões básicos de acordes,( maior, menor, diminuto)
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Midi effect Chord
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Outra maneira simples de tocar acordes com o Ableton é usando o Midi effect “Chord”. Com esse plugin nativo é possível adicionar até 6 vozes (notas) no acorde e tocando apenas uma nota formará um acorde completo. A versão suíte vem com vários presets, mas se você usa uma versão menos completa do Live é só salvar os seus presets de acordes.
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Além das vozes, o plugin oferece um controle de velocity (intensidade) de cada nota.
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Midi effect para criar acordes com o Ableton Live
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Dica: usando o Scale e o Chord para tocar no campo harmônico
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No primeiro artigo ensinei a usar o Scale, usando esses dois plug-ins nativos, o Scale e o chord, é possível tocar harmonias no Campo Harmônico de maneira muito fácil. Siga os passos.
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Crie dois canais MIDI idênticos, com o mesmo VST/AU/Plugin, mesmo preset do plugin e mesmo volume em ambos canais;
No canal 1 coloque um Scale (Midi effects> scale) e faça com que apenas as notas Tonicas dos acordes maiores estejam presentes na escala ( C-F-G no Campo harmônico de C maior);
No canal 1 coloque um Chord com os seguintes parâmetros: Shift 1 - + 4St. Shift 2 - + 7st;
No canal 2 coloque um Scale (Midi effects> scale) e faça com que apenas as notas Tonicas dos acordes menores estejam presentes na escala (D-E-A-B no Campo Harmônico de C maior);
No canal 2 coloque um Chord com os seguintes parâmetros: Shift 1 - + 3St. Shift 2 - + 7st;
Selecione os dois canais para receber sinal midi (segure Ctrl e clique no quadrado vermelho logo abaixo do controle de volume nos canais).
Ps.: Se quiser pode criar um terceiro canal para a execução dos acordes diminutos
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Pronto, agora ao tocar qualquer nota em seu teclado midi ou em seu teclado de computador (para ativa-lo para executar as notas é só clicar no ícone do teclado no lado superior direito do programa), você estará tocando os acordes do campo harmônico.
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Aplicabilidade do Campo Harmônico
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Como vimos os acordes se repetem em vários Campos Harmônicos, por exemplo o acorde C7M (C maior com sétima) se repete no Campo Harmônico da escala Maior de C, Campo Harmônico da escala Maior de G e Campo Harmônico da escala Menor Harmônica de E (veremos o campo menor harmônico em outros artigos). Sendo assim, sobre o acorde C7M poderemos tocar as Escalas Maiores de G e C (assim como suas escalas relativas menores), as pentatonicas desses tons e também a escala menor harmônica de E.
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Presente 1: relação completa de intervalos entre todas as notas
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Relação intervalar de todas as notas sem acidentes (# ou b)
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Presente 2: desenhos básicos dos acordes e escalas maiores.
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Baixe o arquivo em excel nesse link
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Conclusão
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É de suma importância conhecer os campos harmônicos para produzir músicas de qualidade e o campo harmônico maior é o mais básico de todos. Conhecendo os acordes é possível saber quais notas tocar sobre eles, criando as melodias de forma coesa.
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Vale lembrar que toda sua harmonia/melodia incluindo samples, acapelas e plug-ins devem estar dentro do mesmo campo harmônico, de nada vale toda sua parte instrumental estar certa e o seu vocal, muitas vezes principal elemento da música, estar fora de tom, mas isso não quer dizer que uma harmonia deve ser a mesma do começo ao fim de uma música.
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Para achar o tom dos vocais e dos samples irei falar sobre o plugin Celemony Melodyne, mas farei um artigo especial sobre ele, visto a complexidade do mesmo.
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No próximo artigo sobre teoria musical para músicos de computador, irei abordar cadências e inversão de acordes.
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Qualquer questionamento que tiverem é só me procurarem pela minha fanpage no facebook e irei ajuda-los da melhor forma possível.
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Espero que esse artigo tenha sido útil e ajude vocês em suas produções. Bons estudos e até a próxima!
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Fontes: www.guitarbattle.com.br
Music Theory For Computer Musicians, Michael Hewitt