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O produtor de música eletrônica
Hoje em dia é comum ver pessoas se auto-intitulando produtores musicais. Ao pé da letra, qualquer pessoa que faça uma música, seja ela ruim ou boa, é um produtor, entretanto o buraco é mais em baixo e para receber tal título é preciso anos (sim anos, não são meses ou dias) para aprimorar técnicas e obter conhecimento.
Diferente de um produtor musical tradicional (de bandas e outras músicas orgânicas) que da um direcionamento para o artista/banda, orienta a mudar partes da música, etc (servindo quase como um consultor), mas não tem controle total sobre a obra, um produtor de música eletrônica precisa entender todas as etapas para se fazer uma música, pois ele sozinho fará tudo geralmente. Na texto a seguir cito o que considero fundamental para um produtor.
Conheça seu DAW
Quando o assunto é o programa usado para se produzir nunca se chega a um consenso de qual DAW (Digital Audio Workstation) é o melhor e realmente não há um melhor ou pior e sim a ferramenta que você melhor se adapta. Se está começando nesse mundo não tenha medo de experimentar diversas plataformas até encontrar a que melhor se encaixa com o seu gosto.
Depois de escolher a ferramenta e imprescindível que a domine, o melhor meio para se começar esse estudo é lendo o manual do programa, é totalmente contra-produtivo sentar com uma ideia na cabeça e ter que ficar lendo tutorias de como acessar ou usar as ferramentas internas do programa (vocês não tem ideia da quantidade de pessoas que me pergunta como fazer roteamento de audio entre canais do Ableton, uma função básica).
Outra coisa que deve ser aprendida com urgência são TODOS atalhos de teclado do DAW escolhido, tenha uma folha impressa com os atalhos ao seu lado até decora-los, também é possível comprar adesivos para teclado com todos os atalhos descritos (se preferir pode baixar a imagem da internet e imprimir em uma folha adesiva).
Dica: muitas pessoas que se interessam por produção tem uma ânsia de terminar suas músicas e acabam fazendo uma música medíocre após a outra. Antes de fazer uma música sem qualidade, aprenda como trabalhar com audio de forma criativa, como sequenciar clips em midi, como exportar as músicas de maneira correta e como organizar sua biblioteca de plugins e samples (isso poupará muito tempo no futuro e tempo é dinheiro), etc. Empilhar dezenas de loops é fácil e isso não te torna um produtor. Quanto mais ferramentas dominar mais fácil será por suas ideias em prática.
Síntese sonora
Está cada vez mais fácil encontrar ótimas bibliotecas de presest para os mais diversos plugins, mas o que é melhor, ficar horas procurando por um preset bom ou aprender como obter o som? Para mim é aprender ou pelo menos ter uma noção da função de cada parâmetro do plugin ou hardware, para se caso estiver usando um preset saber o que fazer para criar dinâmica, automações e envelopes. Para esse tema sugiro estudar os seguintes assuntos:
- Tipos de onda;
- ADSR
- Tipos de filtro;
- LFO;
- Síntese subtrativa;
- Síntese aditiva;
- Síntese granular;
- Síntese wavetable;
- Síntese FM.
Um erro comum para iniciantes é instalar diversos plugins e não saber usar realmente nenhum (só ficar procurando por presets). Nesse caso menos é mais, é melhor ter apenas alguns plugins e estudar profundamente eles. Quanto maior a quantidade de plugins mais lenta será a inicialização do programa. Para prática de estudo, procure um plugin que utiliza cada síntese citada acima.
Mixagem e Efeitos
Não vou me aprofundar nesse assunto, pois ele é extenso e existe uma infinidade de temas sobre o assunto. De forma simplificada, fazer a mixagem de uma música é distribuir de forma coesa todos elementos da música dentro do plano estéreo.
Plano estéreo é um cubo imaginário que se forma em frente aos monitores de audio, sendo assim ele tem altura (altura muitas vezes é confundida com ganho, graças a uma tradução mal feita para o português), largura e profundidade.
Altura: região (freqüência) que o elemento ocupa no espectro sonoro. Pode ser baixo (grave), médio ou alto (agudo). Ondas baixas são definidas dessa maneira pois transitam mais próximas ao solo e altas pois ficam mais próximas ao teto (por isso do nome, que também foi mal traduzido como grave e agudo para o portugês). Quanto mais "grave" maior o espaço que o elemento ocupa dentro da mix, é por isso que bass e kicks "embolam" se ocuparem a mesma freqüência (técnicas de sidechain corrigem isso) e o mesmo não acontece com elementos mais altos.
Profundidade: é controlado pelo ganho do elemento. Se quer que algo apareça mais em sua mix, simplesmente aumente o volume e se quiser que ele fique menos evidente diminua.
Lateraridade: é controlado pelo paneamento (o termo tem origem na palavra panorâmica). Na hora de produzir é interessante espalhar os elementos entre os lados direito e esquerdo do plano estéreo.
Efeitos também são parte da mixagem. Eles são usados para alterar as propriedades do som, dessa maneira ajudando a posicionar os elementos no plano estéreo. Existem três tipos básicos de efeitos, são eles:
1. Efeitos baseados em dinâmica: são efeitos que alteram o ganho do audio. Incluem-se nessa categoria compressores, limiters, expanders e maximizers.
2. Efeitos baseados em freqüência: alterando a freqüência pode se conseguir um som mais ou menos brilhante. Incluem-se nessa categoria equalizadores, distorção e wah-wah
3. Efeitos baseados em tempo: São essencialmente delays e seus derivados, eles ajundam a moldar a profundidade e a dimensão do som. Incluem-se nessa categoria delays, flangers, chorus e reverbs.
Uma dica muito importante. Se não saiba o que faz não use. É comum ver pessoas comprimindo tudo indiscriminadamente e sequer sabem os parâmetros básicos de um compressor (attack, release, treshold e ratio).
Teoria musical
Apesar de parecer redundante, um produtor musical deve conhecer teoria musical e por incrível que pareça muitos produtores de musica eletrônica não tem noção nenhuma disso. É cada vez mais comum ver bizarrices como musicas com harmonias e melodias desconexas e essa história de que "se soar bem esta bom" tem que ser deixada de lado, isso é papinho de gente preguiçosa.
Claro, não é preciso ter o conhecimento de um músico erudito, mas algumas coisas básicas devem ser aprendidas e respeitadas. Já existem livros específicos de teoria musical (lista de livros citada no final do texto) para quem produz música eletrônica.
As noções básicas que DEVEM ser aprendidas são notação, intervalos, escalas (principalmente as escalas maior e menor natural), formação de acordes, campo harmônico (acordes que acompanham determinada escala), cadências e rítmica.
Existem diversas ferramentas para facilitar isso, como o scale e o chord do ableton, escolha o tom da música e coloque um Scale com a mesma escala em todos canais midi, e nos arquivos de audio use o transpose para reproduzi-los na mesma tonalidade. Grande parte dos samples e loops já vem com a tonalidade em seu nome, caso ele não tenha o tom discriminado, use ferramentas com o Melodyne, Autotune ou "Convert audio to midi" (função do Ableton 9) para descobrir o tom e deixa-lo coeso com o resto da composição
Também estude sobre arranjo e depois de aprender o básico como escalas e acordes, se aprofunde sobre os temas melodia e harmonia.
Bom. É isso galera. Fiz isso texto como instrumento de reflexão, cada dia surgem novas gravadoras de qualidade duvidosa buscando por lançamentos e não é porque conseguiu fechar um lançamento no Beatport que você está pronto para mostrar suas composições ao mundo.
Estudem, estudem e quando cansarem estudem mais. Vamos tornar a qualidade da música eletrônica melhor, não só na parte técnica, mas também nas composições, afinal dói o ouvido ouvir algo cacôfonico.
Lista de livros recomendados
DAW
- Manual do DAW que usa (todas produtoras tem versão em PDF em seus sites);
- Ableton Power 8 e 9: Teh Comprehensive Guide - Jon Marguiles (apesar do 9 ser mais recente o 8 é mais detalhado);
Síntese sonora
Sound Design, Mixing and Mastering with Ableton Live 9 - Jake Perrine
Sintetizadores à Brasileira - Francisco Pereira
Mixagem e efeitos
A Arte da mixagem - David Gibson
Mixing with your mind - Michael Paul Stavrou
Teoria Musical
Music Theory for computer musicians - Michael Hewitt
Harmony for computer musicians - Michael Hewitt
Compositionfor computer musicians - Michael Hewitt
Outros livros
Dance Music Manual - Rick Snoman
The Remix Manual - Simon Langford
https://soundcloud.com/nes_music/nes-another-day-preview
https://soundcloud.com/nes_music/folk-art-class-nes-remix-cut-no-master
Teoria Musical pt. 2
Olá amigos, essa semana darei continuidade aos artigos sobre teoria musical para músicos de computador.
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No artigo anterior vimos a notação básica, assim como os intervalos da escala diatônica e a variação pentatônica dessa mesma escala.
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Hoje veremos o campo harmônico maior com sua definição e algumas aplicabilidades, assim como formação básica de acordes maiores e menores.
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Neste primeiro momento, quero deixar tudo bem básico, não me aprofundando sobre quais escalas usar em cima de cada acorde, nem sobre empréstimos modais(improvisação com acordes), acordes invertidos, cadencias e outros assuntos mais aprofundados.
O sintetizador mais barato do mundo! Sabe aquela caixinha velha de pc que você tem jogada la no armário e não serve pra nada?E se você a usasse como um synth? Nesse vídeo o russo Alexander Lakein nos mostra como. Uma ideia simples e barata que cria um efeito glitch muito interessante.
Set from my mate Fabricio Pirulla, quality!
É Rubinho, acho que mais uma vez você chegou atrasado...hahahaha
Detroit style! http://www.youtube.com/watch?v=sU2mybfhcyg
5 Razões porque você deve produzir