𝖢𝖠𝖯𝖨́𝖳𝖴𝖫𝖮 𝟩 ── 𝐎 𝐒𝐄𝐆𝐔𝐍𝐃𝐎 𝐑𝐈𝐓𝐔𝐀𝐋
Mais uma vez, o dia 17 chegou. Agora, março. O Monte della Penombra permanecia o mesmo, silencioso e imponente, mas os que ali retornavam estavam diferentes. A festa da noite anterior ainda pesava em seus corpos – para alguns, como uma lembrança agradável; para outros, como um cansaço que mal lhes permitia manter os olhos abertos. No entanto, ninguém ousou faltar. O que quer que estivesse por trás da maldição, o que quer que os prendesse naquele ciclo, ainda não havia sido desfeito.
Dessa vez, o ritual seria diferente. Inspirada nos antigos registros de sua família, Zafira encontrou um novo método, algo perdido entre as páginas de um livro que apenas as mulheres de sua linhagem haviam tocado. Se as luzes da Aurora Mística realmente eram um portal, como sua avó Magdalena acreditava, então talvez houvesse uma forma de usá-las com mais precisão.
A aurora, sempre presente no dia 17, não era apenas um espetáculo celeste – era um véu tênue entre os mundos, um momento em que o passado se insinuava no presente, em que as respostas podiam ser tocadas... se soubessem como alcançá-las. Desta vez, não bastava observar e esperar. Era preciso conduzir a energia, abrir os caminhos certos e, com sorte, desvendar o que antes lhes escapara.
No alto do monte, junto dos reencarnados e da cigana, estavam uma bacia prateada com dizeres em runas, um saco com sementes da flor rosa, a favorita de Rose. Agora, mais do que nunca, o destino de cada um deles parecia entrelaçado com o que aconteceria a seguir.
Foto do Monte della Penombra durante a Aurora Mística:
— Descobri algo novo sobre a Aurora Mística. — Zafira começou, antes de dar início ao ritual. — Ela não é apenas um portal que facilita os rituais. Surgiu no momento em que Rose lançou a maldição e é guardada por um espírito que protege o que ela fez. Esse espírito tem a função de impedir que a maldição seja quebrada, tornando o caminho de vocês ainda mais difícil. — Zafira explicou, e começou a posicionar a bacia no centro do monte, enquanto os outros se ajeitavam em uma roda em volta do objeto. A mulher pegava a terra do monte para dentro da bacia, plantando as sementes e esperando as reações e comentários, se é que alguém diria algo.
— Vamos para de conversar e ir logo ao que importa? — Catarina resmungou.
— Calma, criatura misteriosa. — Zafira brincou, aquele sorriso ladino sempre estampado nos lábios. Finalizou com a bacia prateada, ergueu o próprio corpo e encarou os dez. Um por um. Com tranquilidade e um olhar de quem estava ansiosa para dizer algo, mas guardaria até o final do ritual. — Devem ter reparado que não trouxe os objetos do pessoal de 1925 dessa vez. Faremos em casais hoje. Alguém tem alguma ideia, sugestão, teoria? Alguma técnica que ajude esse ritual a não ser um fracasso novamente? — Provocou um pouco, esperando que alguém se manifestasse.
— Com licença, dona Zafira, eu tenho uma sugestão. — Lina ergueu a mão, hesitante, estava insegura em parecer investida demais naquilo, mas enfim enunciou: — E se tentássemos formar os pares do último ritual? Talvez nos ajude a confirmar ou excluir algumas opções. Eu faria com a Catarina, já que ela escolheu o objeto do Edward. O que vocês acham?
Alguns concordaram, Helena pareceu não acreditar muito, mas no fim, todos seguiram a ideia. Os casais foram Catarina e Pasqualina, Aleksander e Neslihan, Matteo e Christopher, Aaron e Helena, Olivia e Scarlet. Todos ficaram de frente um para o outro, num círculo em volta da bacia prateada, segurando as mãos e olhando nos olhos, como pedido pela cigana.
Zafira entregou um pedaço de papel para cada um e pediu que lessem no momento certo. Indicou qual seria a ordem, pediu que os casais lessem juntos.
— Agora preciso que fiquem de mãos dadas e de frente para seu par. Olhem nos olhos um do outro.
Suspirou profundamente, concentrando-se. Esfregou as mãos e as apontou para a bacia no centro do círculo de casais, e começou a proferir as palavras.
“Em vidas passadas, histórias interrompidas, Dez almas perdidas, paixões divididas. Agora uma chance estão recebendo, Para curar os corações que estão adoecendo. Que as rosas revelem os laços antigos, E floresça guiando os passos do destino.”
Então, olhou para os casais, como um pedido para que dessem suas falas. Cada um olhava nos olhos de seu parceiro enquanto proferia as palavras do papel que a cigana havia entregado.
Catarina e Pasqualina: Nos olhos do amor, o eco do passado, Helena e Aaron: Cada passo dado, um desejo marcado. Aleksander e Neslihan: Em cada pétala, o segredo a se abrir, Christopher e Matteo: Que a verdade floresça e nos faça redimir. Scarlet e Olivia: Cinco destinos, unidos na mesma jornada, Todos: Que as flores nos mostrem a estrada.
Zafira: “Casais aqui reunidos, com olhar profundo e mãos entrelaçadas, Que as rosas nos mostrem os amantes que curarão as almas marcadas”
Nenhuma flor desabrochou.
Alguns comemoraram, outros lamentaram o fracasso. Zafira suspirou, frustrada. Não confiava muito naquela teoria, mas não tinha algo melhor para sugerir. Deveria trabalhar duro no mês seguinte, para que no próximo ritual tivesse sugestões úteis. — Bem... acho que assim não é tão ruim. Pelo menos não restam dúvidas. Nenhum de vocês é a alma gêmea um do outro. — Mais um suspiro, dessa vez de quem tomava coragem. — Agora, preciso dizer outra coisa. Eu sabia que as máscaras não seriam o suficiente para que vocês não se reconhecessem. Era preciso que vocês deixassem de lado as diferenças, as mágoas e implicâncias para se entregar uns aos outros. Para viver com intensidade e despertar algum sentimento. Devem ter percebido que alguns de vocês tiveram sensações de 'eu conheço essa pessoa', mas não sei de onde. Pois bem, eu fiz um feitiço para que vocês não se reconhecessem. Nem pela voz ou olhar, pelo toque. Era impossível que soubessem quem era quem. Mas agora... Bom... — Zafira fechou os olhos, ergueu as mãos na direção deles e começou a enunciar palavras em latim, com significado desconhecido pelos outros, mas de grande força para o ocultismo. Abriu os olhos quando havia terminado. — Acho que precisam saber. Boa sorte nos próximos dias. Vejo vocês aqui em 17 de abril. — Anunciou, buscando a bacia de prata no chão, desfazendo-se da terra dentro dela e descendo pelo monte, deixando eles ali. Agora todos se olhavam as lembranças da noite passada bem vívidas, como se estivessem revisitando uma memória e vendo por um novo ponto de vista. Agora estava claro tudo o que fizeram, e pior, com quem fizeram.
OOC.
O ritual aconteceu no dia 17 de março de 2025. Ocorrerá todo mês dia 17 (em ic nesta data, em ooc será quando for possível, mas a ideia é uma vez por mês).
Não há task dessa vez! Então, se quiserem pontuação nas próximas semanas, contem com o que está sempre lá disponível: pontos extras, postar starter, postar pov, etc.
Ainda é permitido continuar as interações no Baile de Máscaras, mas sinalizados como flashback, e devem seguir no blog do evento para este drop.
Agora as interações atuais são livres. Aproveitem para explorar a página de lugares, explorar relações e sentimentos. Aproveitem a calmaria enquanto ela está por aqui...












