Ficar longe da minha filha estava me fazendo mal. Não tinha o costume de passar mais de um dia sem vê-la e ficar confinada naquele quarto de hospital sem sua presença não estava me deixando nem um pouco feliz.
Na verdade, sempre tive medo de me afastar um pouco dela e algo acontecer. Não quero nunca que aconteça com ela, o que aconteceu comigo. Nem com ela, nem com qualquer menina no mundo. Pior ainda é imaginar que Humberto possa estar perto dela sem que eu saiba. Da última vez, não foi um experiência boa.
Lembro que teve um fim de semana que Sara havia me chamado pra viajar com ela até um sítio de amigos, minha mãe garantiu que cuidaria da Angel enquanto eu estivesse fora, então confiando na minha mãe, eu fui. Quando voltei o domingo, não encontrei minha filha em casa, mas achei minha mãe conversando com suas amigas no jardim enquanto tomavam vinho. Descobri que minha filha havia passado o fim de semana na casa da minha irmã sem a minha permissão. Eu fiz um escândalo. E fiz minha mãe ir buscá-la no mesmo instante. Lembro que na hora que Helena abriu a porta, minha Angel veio correndo até meu colo e Humberto apareceu na porta que separa o hall da sala de estar, ele me olhava do mesmo modo que me olhou aquela noite e mesmo ainda temendo por mim e minha menina, quando só tinha nós dois no cômodo, eu o confrontei e o mandei ficar longe da Angelina, senão ele se arrependeria de ter nascido. Mexer comigo era uma coisa, mas com a minha menina não.
Nunca mais deixei minha filha sob os cuidados da avó e muito menos fiquei longe dela muito tempo. Ao menos, dessa vez, sabia que ela estava segura com Sara.
Ouvi batidas na porta e me virei para esperar quem fosse.
— Posso saber como essa paciente está? – meu médico entrou no quarto sorrindo.
Ele é baixinho, rechonchudo e careca, parece até personagem de desenho animado.
— Estou bem e doida pra ir pra casa.
— Bom, tenho boas e más notícias, qual quer primeiro?
— Qualquer uma, desde que tenha “você vai pra casa hoje” no meio.
Ele riu.
— Seus exames deram alterado por conta de uma anemia que precisa ser tratada, a pressão baixa é por conta disso. Com o tratamento certo, logo está recuperada.
— Mas já posso ir pra casa?
Ele riu de novo. — Você está muito apressada, não gostou daqui?
— Nada contra, mas hospital não é um lugar que eu goste de ficar.
— Você já está de alta, mas precisa que alguém venha te buscar, pode ligar pra quem for e se arrumar enquanto espera.
— Graças a Deus!
— Também adoramos você.
— Obrigada doutor, de verdade!
— Não há de que. Melhoras menina, fique bem pra cuidar da pequena!
— Pode deixar!
Ele saiu e eu corri pra usar o telefone do quarto, precisava ligar para o meu pai, mas antes de começar a discar, ouvi batidas na porta novamente. Me surpreendi quando vi a cabeleira de Brian aparecer.
— Posso entrar?
— Preciso mesmo responder? – ele sorriu e entrou – Como adivinhou?
— Adivinhei o que?
— Que eu já estou liberada pra ir pra casa.
— Ah, você já está?
— Ué, você não sabia? Achei que veio pra me levar… Mas tudo bem, já vou ligar para o meu pai.
— Eu posso fazer isso já que estou aqui.
— Tudo bem.
Segurei meu roupão atras pra levantar sem que corresse o risco de Brian ter um visão do meu bumbum e corri para o banheiro, tomei um banho morno e coloquei uma roupa confortável. Me sentia livre por não ter mais agulhas no meu braço.
Quando sai, Brian mexia no meu celular, deitado na minha cama e comendo umas bolachas que a enfermeira havia trago.
— Como assim você não tem meu número gravado? E desde quando meu primo te manda mensagem?
— Desde quando você tem permissão pra mexer no meu celular?
Peguei-o de sua mão e joguei na bolsa, enquanto Brian me seguia com os olhos.
— Você já pode parar de me olhar.
— Não consigo, tem algo diferente em você.
— Talvez seja a saudade absurda da minha filha. Vamos logo.
Sai andando na frente quase levando a mesinha com o café da manhã junto. Me despedi das enfermeiras que cuidaram de mim e do doutor, até Brian segurar meu braço e pegar minha mala.
O caminho até a casa dos meus pais foi silencioso, eu fiquei olhando a paisagem o caminho inteiro e ele só dirigia e, às vezes, olhava para mim. Ao chegar, estranhei a quantidade de carros do lado de fora e cogitei a possibilidade da minha mãe estar festejando minha ausência. Porém, toda e qualquer vontade de chegar em casa que habitava meu corpo, sumiu no instante em que vi o carro de Humberto em uma das vagas. Meu pânico ficou estampando em meu rosto pálido a ponto de Brian parar na minha frente, segurar meu rosto com as mãos – o que me fez afastá-lo no mesmo instante – e perguntar se eu queria voltar para o hospital.
— Lembra que eu falei que aquela pessoa ainda convive comigo? – ele assentiu – Eu acho que ela está aqui.
Fechei os olhos com força e minha respiração começou a ficar ofegante. Brian me puxou para si, segurando meu rosto em seu peito.
— Não me afasta, eu não vou te machucar. Fica do meu lado, nada vai te acontecer.
Meu corpo tremia, minha mente gritava para me afastar e lágrimas começavam a se firmar em meus olhos, me fazendo espalmar as mãos em seu peito e afastá-lo.
— Não Brian, minha família toda esta ai, vão pensar coisas erradas sobre nós.
— Você acha mesmo que já não pensam? E qual o problema de pensarem isso? Sou tão ruim assim?
Eu ri e ele sorriu de canto, trazendo aquele Brian que esteve comigo no hospital de volta.
— Só não fala nada que me deixe constrangida, ok?
— Suas palavras são uma ordem, capitã!
Eu ri, ele estendeu sua mão, eu hesitei, pensei mil vezes se deveria e se conseguiria, mas mesmo tremendo, segurei sua mão e fomos em direção a casa. Minha mão formigava, mas de um jeito bom.
Quando Brian abriu a porta para passarmos, todos da casa pararam o que faziam para nos olhar, inclusive meus pais que estavam abraçados conversando com um outro casal. Eu não entendi nada, mas puxei Brian escada a cima.
— Você não falou que seus pais iam se separar?
— Foi o que meu pai me disse. Mas não importa, empresta minha mala, por favor.
Entrei no closet com ela, tirei as roupas que tinha e coloquei outras, depois fiz o mesmo com uma outra mala, mas com as roupas da Angel, peguei alguns brinquedos dela, algumas outras coisas que precisaríamos e empurrei Brian pra fora.
— O que está fazendo?
— Indo embora. Você já pode ir embora, muito obrigada pela carona, mas agora vou pegar meu carro.
— Pra onde você vai?
— Buscar a minha filha e depois achar algum hotel.
— Deixa eu te ajudar. Meu apartamento é grande, vocês podem ficar no quarto de hóspedes.
— Obrigada, mas não será necessário.
Fechei a porta do meu quarto atras de mim, o trancando e depois tranquei o quarto de Angelina, colocando ambas as chaves na bolsa. Quando me virei, fiquei estática, por que ele tinha que aparecer logo agora?
— Quanto tempo, Pietra!
Humberto me olhava como se fosse me devorar ali mesmo, mas por sorte Brian também deve ter percebido, pois se pôs na minha frente e fechou a expressão para meu cunhado. Eu agarrei a parte de trás da camisa de Brian, meu corpo tremia de tal forma que parecia até um celular vibrando, suava frio e a cor havia desaparecido do meu rosto. Humberto sempre seria meu pior pesadelo.
Smooth Jazz Meets Reggae: Hazel Mak Collaborates With Sunny Tee On “Night Time Fall”
Smooth Jazz Meets Reggae: Hazel Mak Collaborates With Sunny Tee On “Night Time Fall”
AFRIMMA award-winning Malawi songstress Hazel Mak has teamed up with Zimbabwean jazz aficionado and saxophonist Sunny Tee to release their latest joint single “Night Time Fall”.
Cap10 of Audio Garage Malawi produced the joint, and it provides a crossover appeal to fans of smooth jazz, blue-eyed neo-soul and the wider adult reggae genre.
Hazel Mak, born Hazel Makunganya, began her music career at…