Capítulo 180
Demorou um tempo até sermos de fato liberados.
Sabe, é estranho ser mantida "em cativeiro" em um lugar tão bonito e confortável, e mais estranho pensar que quem fez isso tudo, desde o cativeiro até a cidade em si, foi o próprio Armin, ou melhor, mais uma de suas milhares de versões.
Armin ficou nos rondando até ter certeza absoluta que não traríamos problemas para ele ou que não eramos traidores nem coisas do gênero.
Por muito tempo não soube bem ao certo o que acontecia, mas estava a par de que era algo sério.
"Estão livres para irem para suas casas." um medico entrou de repente junto de 2 guardas em meu quarto no hospital.
"Livre ? Casa ?" eu questionava.
"Sim. Senhor Dunard separou uma área segura no topo da cidade para o conforto de seus convidados. Lá tem casas das quais vocês podem escolher quem quer ficar com cada casa. Os demais convidados já se encontram por lá." o medico respondia gentilmente.
"Nós você quer dizer . . . todos nós ?" falei confusa.
Ele só balançou a cabeça positivamente.
Me entregaram algumas roupas e esperaram que eu pacientemente me arrumasse.
É incrível que eu demorei mais do que já estava acostumada pra me recuperar dessa vez.
Normalmente eu teria que me recuperar muito rápido, mas essa faca "especial" que me perfurou me deu um dano grande dessa vez. . . Existe a cicatriz dessa vez , algo que eu não sabia a tempos o que era ter . . . não novas pelo menos. Eu já me acostumei com essa alta imunidade.
Guardas me acompanhavam, e aquilo me intrigou.
"Se tenho liberdade agora, porque vocês me seguem ?" questionei encarando eles.
"Ordens do presidente. Você é famosa por aqui e isso pode causar um caos." quando ele falou isso eu fiquei ainda mais confusa.
Famosa ?? EU ??
Mas o que diabos . . . ?
Saímos do hospital e nos dirigíamos para a área mais alta.
As áreas da cidade eram todas parecidas, mas a cidade era dividida por andares.
No caso ficaríamos no andar mais alto.
Não faço a menor ideia de quantos andares essa cidade tinha. . .
Andares. É engraçado pensar que uma cidade pode ter andares.
A cidade em si, não as construções nela.
Enquanto caminhávamos pela cidade e ele me dirigia até o carro, pude notar olhares espantados direcionados a mim.
Pessoas apontavam e falavam ao meu respeito.
Pude ouvir uma mulher falando "Aquela é a Boreal ?"
Seria porque sou ciclope ? Ou pelo que o guarda falou de que eu era "famosa" ?
Mas porque sou famosa ?! Eram tantas dúvidas . . .
O carro era luxuoso e espalhafatoso, bem a cara do tipo de coisa que o Armin compraria.
Enquanto o carro andava eu estava escorada na janela e via as pessoas do lado de fora.
Algo me chamou atenção: todas as pessoas da cidade tinham tatuagem no pescoço.
Sim, a mesma do Armin, aquela escrita Boreal que eu fiz.
. . . O que ? Porque ? Tantos questionamentos . . .
Chegamos na área das casas, e ali, eu vi que tinham varias casas vazias e muito luxuosas.
Vi o Azriel parado ali conversando com a Bia e eles dois vieram correndo até mim.
"Boreal ! Olá !" Azriel falava sorrindo.
"Me trouxeram aqui dizendo algo sobre casa e eu to um pouco confusa ainda." respondi.
"Enquanto estamos nessa área atemporal o Armin nos permitiu escolhermos a casa que nos fizesse sentir mais a vontade de acordo com nossos gostos e vontades de morar com alguém.
Eu escolhi aquela casa ali com o Nathaniel e a Ambre.
O Castiel está naquela pequena casa no canto sozinho com o Eliott.
Sua mãe e seu pai do lado dele.
A Capucine está dividindo a casa com a Vio.
Armin do futuro pegou uma casa com o Jade e o Armin do passado e bem, falta você e o Armin do presente.
Fora isso o Pierre tá em coma morando com os Alexys e os pais do Alexy estão em uma casa sozinhos." quando o Azriel disse isso eu tive que interrompe-lo.
Pierre ?? Pais do Alexy ???
Assim que Azriel notou meu espanto ele riu e tirou a duvida antes mesmo que eu perguntasse mais.
"Sim . . . Alexy quando soube que íamos embora daquela linha pra tentar manter todo mundo seguro, ele falou que não ia deixar os pais pra trás nem o Pierre já que estava sem previsão de retorno. E sabe como ele é . . .
Então agora temos uma mãe histérica dele e o Pierre está catatônico e sendo mantido dopado porque ele não entendeu nada que foi explicado e acho que se recusa a entender de qualquer forma . . ." porque eu não estou espantada ?
Assim, eu estou, mas não o suficiente, acho que espanto não é bem a palavra . . . É o Alexy.
Eu esperava até mais.
A realidade é que vindo da família toda dele eu espero "pior" . . .
Legal que é mais um Alexy pra coleção, ou Armin, seja como for.
Meu Deus . . . Algo tão sério está com cara de excursão de colégio por que eu sou rodeada de gente insana. . . .Começando por mim talvez ?
Quem sou eu pra falar algo, sou um ciclope alienígena de outra dimensão, isso é ridículo. . .
Já fui muito sem noção na vida e tentei ignorar muita coisa que acontecia, mas agora eu aprendi com isso, eu preciso enfrentar os problemas de cabeça erguida.
"E eu posso escolher qualquer casa ?" falei olhando para o Azriel e pro guarda, ambos balançaram a cabeça positivamente.
"E o Armin ? Ele não apontou pra nenhuma ? É temporário mesmo . . . Eu não ligo quanto a escolha." falei.
"Ele mal falou comigo na verdade. Estava ocupado indo com o Armin desse lugar pra fazer algo." Azriel dizia.
Fiquei pensativa e tentei pensar em uma casa que agradasse mais ele do que a mim.
A realidade é que nada ali me agradava realmente, eu não conseguia pensar nesse tipo de escolha nem em nada que me deixasse relaxada.
Confesso que ser rodeada por pessoas que sabem meus segredos é confortável até certo ponto . . . Tipo esses guardas parecem ter noção das viagens temporais e afins, isso é um pouco confortável mas não o suficiente para que eu relaxe.
Repentinamente vi um flash como se fosse de camera de relance enquanto pensava, ao olhar, era uma menina que foi carregada pelos seguranças.
Assim como as outras pessoas que vi, ela tinha uma tatuagem no pescoço . . .
"Cara . . . O que tá acontecendo ? Porque essas pessoas me perseguem e tem tatuagem do meu nome no pescoço ?" falei alto.
Nesse exato momento uma voz entrou em cena, era aquela voz firme e séria do Armin que regia essa cidade.
"Eu sou mais do que apenas um presidente para essa cidade e para essas pessoas." ele estava acompanhado do Armin do presente.
Eu ainda não havia tido a chance de falar mesmo com o Armin "presidente", seria bom ter essa conversa.
"E onde entra a tatuagem ?" perguntei tratando ele como um conhecido, afinal, mesmo sendo mais um Armin, era o Armin.
"Sabe quando pessoas imitam seus ídolos ? Alguns cicadões tatuaram o mesmo que tenho no pescoço, no caso, seu nome. Não existe limites para o fanatismo e podemos ser fanáticos até por uma pedra." ele dizia apontando pro próprio pescoço.
"Tipo as meninas que admiram o Castiel." Azriel falou baixo de forma venenosa me fazendo rir um pouco.
"É por isso que . . . Me perseguem ?" perguntei.
"Basicamente. Você é a tal garota de um olho só pela qual o presidente deles, salvador e ídolo foi apaixonado um dia. Uma lenda.
Bem, nunca foi de existir muitas meninas de 1 olho só sabe, eles te associam a tal garota e sabem que possuo viagem temporal sob meu controle mas que nunca trouxe a Boreal pra cá.
Alguns dos civis se tornaram um tanto quanto obcecados por sua imagem por conta da obsessão que adquiriram por mim." ele dizia se aproximando de mim.
". . . Porque falou sobre seu sentimento no no passado ?" perguntei receosa. Eu confesso que ali eu senti certa insegurança quanto aos sentimentos do Armin.
"Porque pra mim você está morta. A Boreal pela qual me apaixonei e conviveu comigo, morreu em meio a essa confusão de linhas. Você é apenas uma versão dela." ele dizia indo até uma maquina dessas que vende coisas no meio da rua.
"E-Eu não tenho nada a ver com ela ? Eu não sou ela ?" perguntei correndo atrás dele em desespero pleno.
"Você é ela mais nova. Mas não importa o quanto sejam parecidas, não são a mesma pessoa.
Ela é ela, você é você.
Assim como cada Armin é um Armin.
Mesmo sendo idênticos somos diferentes, e querendo ou não, o simples fato de conversarmos um com o outro nos faz sermos Armins diferentes.
Você é só mais um pedaço perdido dela, não é ela." Armin dizia abrindo a embalagem que ele pegou na maquina.
É confuso pensar que . . . Eu do passado morri, eu desse Armin atemporal também . . . Será que eu vou morrer ?
Digo, claro que vou um dia, mas de forma não natural . . .
"Então, escolheu sua casa ?" ele dizia me entregando um chocolate da maquina e me dando certo susto, confesso que acabei esboçando sorriso ao ver aquele chocolate . . . ele não muda.
"Eu . .. Prefiro que o Armin escolha. Não vamos ficar por aqui de qualquer forma, é algo temporário e eu não ligo muito pra isso . . . " respondi.
"Que bom que está com esse tipo de pensamento. Me parece que só você se preocupa com a situação atual do grupo." ele dizia mordendo a barra de chocolate ainda com expressão séria estampada em seu rosto.
"Bem, então eu já escolhi a casa, aquela esverdeada e enorme." Armin do presente apontava enquanto se escorava sob minha cabeça como quem debochava de meu tamanho sendo derrubado por mim em seguida.
"Bom que aquela tem uma segurança bem avançada e evitará de fãs loucas os alcançarem. Na realidade todas as casas desse distrito são altamente reforçadas, mas as verdes tem reforço extra. Como você é uma versão minha e vive com a Boreal as chances de ter mais fãs loucas acampando na frente da casa de vocês é maior.
Se bem que minha casa tem segurança reforçada e não impediu de uma louca ir na minha casa me pedir em casamento . . . " ele dizia pensativo.
"C-Casamento ?! Como assim ?! Você aceitou ??" falei meio enciumada sem notar.
"Não. E mesmo que eu quisesse ela morreu na minha porta.
A menina era tão louca que arrancou um olho e surgiu na minha porta sem ele dizendo ser uma ciclope.
Ela morreu de hemorragia ali mesmo.
Como digo, fanatismo não tem limite, e é sempre perigoso, seja fanatismo de qualquer tipo, religioso, por um ídolo e qualquer coisa." ele falava naturalmente como se fosse nada de mais.
E pior é que eu mesma estava tratando como algo trivial . . .
Olha o tipo de coisa que se tornou trivial . . . uma garota morrer sem olho na porta do Armin.
"Bem, agora que está tudo resolvido querem fazer o que primeiro ? Conhecer a vizinhança e depois conversarem comigo a respeito das ocorrências e dos planejamentos para que corrijamos tudo ou querem discutir tudo antes ?" Armin dizia sério.
"Eu quero discutir tudo. Isso me importa mais no momento." falei decidida vendo um leve sorriso esboçar em seu rosto.
Armin então virou de costas e com 3 seguranças o acompanhando ele pisou em uma escada do centro que dava em um pequeno elevador transparente.
"Vou aguarda-los lá em cima, quando estiverem prontos, basta subirem." ele dizia.
Na mesma hora ouvi gritos vindos de uma das casas, eram os pais do Armin discutindo . . .Meu Deus, nem em um lugar atemporal terei paz ? Sério ?
Eu adoro os pais do Armin e do Alexy mas é inegável que na crise em que nos encontramos é bem complicado olhar pra tudo isso e ficar de boa.
O Armin presidente fez uma cara bem cansada enquanto esbugalhava seus olhos ao ouvir os gritos e coçava o ouvido.
"Havia me esquecido do quanto meus pais são desagradáveis gritando . . . Especificamente minha mãe." ele então entrou em um ato quase de desespero no elevador indo embora.
Aparentemente é onde eu teria que ir pra conversar com ele.
"Bem, então quando todos estiverem prontos é só irem lá pro topo. Pelo que ele falou mais cedo tudo será planejado com todos nós em conjunto já que todos fazemos parte disso." Azriel dizia.
"Vai querer conhecer a casa em que ficaremos antes de ir ?" Armin perguntava.
"Acho que estou mais ansiosa pra ouvir o que o Armin tem a dizer." respondi.
"ARMIN ! VOCÊ ! FILHO INGRATO !!" A mãe dele se aproximava de uma vez só.
"Ai, lá vem . . . " eu pude sentir o desanimo do Armin.
"SE NÃO FOSSE PELO ALEXY EU ESTARIA MORTA AGORA ! PORQUE VOCÊ ?! VOCÊ NÃO LIGA PRA SUA MÃE ! FODA-SE SE TEM APOCALIPSE EU NÃO VOU SALVAR AQUELA ESCRAVA QUE LAVOU MINHAS CUECAS A VIDA TODA E SUSTENTOU ESSA MINHA BUNDA GORDA E PREGUIÇOSA ESSE TEMPO TODO ! VOCÊ É UM INGRATO ! NINGUÉM DA VALOR PRA MIM NESSA CASA ! TO CANSADA DE VOCÊS ! QUERIA MAIS QUE EU SUMISSE DA SUA VIDA NE SENHOR ARMIN ?! MAS VOCÊ VAI DAR VALOR PRA MIM QUANDO ME PERDER, OUVE O QUE EU TO FALANDO !!" Armin antes de ouvir mais pegou minha mão e correu pro elevador.
". . . Eu sabia que ela ia gritar comigo, tava demorando . . . " Armin dizia.
"É . . . Acho que vai sobrar pro Armin do passado." respondi rindo.
"Ele provavelmente já deve ter fugido dela também." Armin respondeu.
Me impressiona mais que ela não tenha ficado chocada com tudo . . . Acho que está ocupada demais reclamando de tudo e todos.
Enrolamos um pouco andando nos arredores, não indo muito longe claro, e em seguida eu subi com o Armin do presente até onde o Armin mais velho estava.
Tinha tipo uma sala de espera muito bonita e oval.
Assim que chegamos lá estava Vio, Bia e Remy sentados conversando em um dos sofás.
"Estão esperando pra ver o Armin ?" Armin perguntou.
"Sim, mas ele só vai atender quando todos chegarem pra não ter que repetir tudo, então estamos esperando." Remy respondeu.
Me sentei ao lado deles com o Armin, Bia parecia nervosa.
"Bia ? Tá tudo bem ?" perguntei.
"T-Tá sim . . . " ela falava ansiosa.
Após alguns minutos de espera aos poucos os outros foram chegando.
Alexys, os Armins, Castiel, Nath, meus pais, Ambre . . . A sala lotou em pouco tempo.
Assim que o ultimo pisou na sala, uma porta enorme se abriu, era como se realmente estivessem esperando que todos nós chegássemos.
Aliás, a atmosfera do ambiente e de como as coisas aconteciam, inclusive da porta abrindo, era algo bem video game . . . a cara do Armin por sinal.
E ali, entramos finalmente.
Era uma sala cheia de computadores, algo lindo e muito sci-fi, bem a cara do Armin, novamente, como tudo nessa cidade.
A passagem que tínhamos para passar era estreita e só cabia uma pessoa.
Era tipo uma cabine.
A cabine escaneava a gente e podíamos passar um por vez.
Assim que todos passaram fomos recepcionados por Armin.
"Bem vindos a sala de pesquisas.
Qualquer algazarra ou baderna aqui dentro e serão devidamente expulsos e punidos entenderam ? Não importando o grau de parentesco ou intimidade. Aqui dentro fazemos pesquisas sérias e de grande importância para a humanidade, não quero que interrompam os pesquisadores." ele dizia encarando a mãe que fechava a cara pra ele e resmungava baixo, ela parecia intimidada com o Armin.
Armin foi ate uma mesa maior cheia de coisas em cima e pegou uma garrafa muito bonita de vidro que parecia conter bebida.
Eu olhei pra isso espantada, Armin bebendo ?
OK que ele está mais velho e tudo mais, mas . . . É estranho pra mim se levar em conta que até o Armin do futuro acha o sabor de bebida horrível.
Ele sempre odiou bebida por amar coisas doces ao extremo.
Ele me viu o encarando quando se aproximou com a garrafa.
"É suco. Quer ?" ele dizia já enchendo uma taça.
Tomei totalmente na curiosidade e a coisa era tão doce que eu senti minha garganta fechar, não bebi nem metade daquilo, em compensação o Armin do presente do meu lado pegou o que deixei e achou maravilhoso.
"QUE MERDA É ESSA ?" gritei.
"Já falei, sem algazarra." ele respondeu seco enquanto ia ate um computador maior.
"Estou aqui com todas as memórias de vocês, analisei tudo e de fato não temos nenhum traidor ou intruso." ele dizia passando arquivos no computador que pareciam ser bem externos.
Pelo que entendi cada arquivo continha nossas memórias.
"Tu viu nossas memórias ?!" Castiel falou espantado.
"Sim. Não precisa ficar constrangido, não tive interesse em ver seus envolvimentos sexuais nem algo do gênero Castiel. Aliás, Capucine, tem algo a dizer para todos ?" ele dizia abrindo um arquivo com o nome da Bia.
Ali eu confesso que gelei.
Todos olharam pra ela, e a primeira coisa que pensei foi que o Lysandre falou a verdade sobre ela,ela tinha algo a esconder.
"E-eu ? N-Não . . ." ela dizia claramente com medo e se sentindo ameaçada.
"Bem, se a Capucine não quer falar vamos ver suas memorias." ele falava abrindo o arquivo se se estendia a uma arvore com raiz e datas, era algo complexo até de se olhar.
"NÃO !" ela gritou de uma vez.
"Capucine . . . Você tá escondendo algo da gente ?" Azriel falou.
". . . Tá. . . eu confesso ! Eu roubei o gabarito da escola . . . Era isso" quando ela disse isso parecia que ia morrer ou sei lá o que.
Estava vermelha e quase chorando.
Um silencio intenso se estendeu pelo ambiente antes que Armin tomasse a voz.
". . . Só isso . . . ?" Armin do passado falou.
"Só ?! EU ROUBEI !! ISSO É UM CRIME !" ela gritou finalmente chorando.
Armin mais velho se sentou tomando seu suco e rindo levemente de canto.
"Armin, porque esse terror todo como se ela ocultasse algo absurdo ?!" falei.
". . . Porque eu gosto de ver ela desse jeito, é engraçado. Aliás, o suco é uma extração especial direto do açúcar." ele disse sem mais nem menos me fazendo puxar um rosto de nojo . . . Açúcar puro ? Chegamos nesse ponto ?!
"PORQUE ESTÃO TRATANDO COMO ALGO SUPERFICIAL ?!
QUANDO OS GUARDAS ME PEGARAM DENTRO DO COLÉGIO EU PENSEI QUE SERIA PRESA POR ROUBAR O GABARITO !! FIQUEI EM PANICO !!" Bia dizia chorando.
Ela definitivamente é certinha demais . . . Pobrezinha.
"Relaxa Capucine, eu já matei um cara." Azriel dizia rindo.
"Q-que ?! M-Mas . . . "
"Eu matei acho que uns 4 já." Respondi deixando a Bia ainda mais em panico.
"Eu nunca matei ninguém mas fui cúmplice dela, alem de que eu constantemente invado e roubo informações pessoais das pessoas e também informações governamentais para fazer chantagem." Armin do presente dizia.
"Eu perdi a conta das pessoas que matei já. Fora que já tive que fazer trabalho comunitário por destruir patrimônio publico além de que já roubei gabarito igual você se te servir de consolo." Castiel dizia se escorando na cadeira.
"Eu já fiz tanta merda que nem lembro mais. Só de ficar indo e vindo destruindo a vida das pessoas com a maquina já mereço um premio." Armin do futuro dizia rindo naturalmente.
"Eu também já matei pessoas, mas boa parte eu estava inconsistente." Ambre dizia.
Bia então encarou meu pai Eliott tremendo como se tivesse esperança dele falar que não cometeu crime nenhum.
"Nem olha pra mim. Eu que me livrava dos corpos que o Castiel matava, e digo mais, comendo eles." pude ver a Bia puxar vomito de leve enquanto virava pros meus pais.
"Nós não estamos livres também. Eu tenho uma identidade falsa terrestre pois estou no planeta de forma ilegal, além de ser cúmplice da minha filha." minha mãe dizia.
"E eu bem . . . Fora os crimes que eu tenho nas costas da época em que eu era rei e que caíram sobre mim por culpa do Nathaniel, eu matei a Sophie esses últimos tempos." pai Philippe dizia.
"Eu diria que estou livre, mas me lembrei que já usei meu dinheiro para suborno e conseguir documentações e acesso a coisas que não devia pra Boreal e o Armin então não tenho as costas limpas, infelizmente . . . " Nathaniel dizia sem graça.
"Bem, eu ainda não fiz nada porque minha mãe me salvou, na verdade acho que o unico envolvimento criminoso que tenho nas costas é trafico de drogas. Se não fosse minha mãe essa altura eu seria um sequestrador de mim mesmo além de estuprador da minha própria mãe" Remy dizia com um olhar um tanto quanto traumatizado. . . .Graças a Deus não lembro de nada disso . . .
"V-violette ??" Bia falou desesperada seu nome.
"D-desculpa . . . Eu enfiei um ancinho nas costas do Kentin . . . M-Mas entenda ! Eu vi ele me degolando na minha frente e . . . Estava tentando me defender !" Violette dizia com um sorriso um pouco sem graça.
Ela já estava sem esperança quando o pai do Armin falou.
"Eu subi de carreira roubando documentos e repassando para empresas, além de repassar informação de empresas inimigas entre si, então não posso falar nada."
"Nós não podemos falar nada já que somos cleptomaníacos" ao Alexys falavam ao mesmo tempo rindo.
"SÓ EU TO LIMPA DE CRIMES GRAÇAS A DEUS !" a mãe deles dizia.
Nessa hora eu vi os 2 Alexys, o pai deles e os 4 Armins gritarem com ela.
"VOCÊ JÁ FOI PRESA POR MANDAR O JUIZ PRA PUTA QUE PARIU ! E ISSO É SÓ PRA COMEÇAR ! SE NÃO QUISER QUE COMECEMOS A FALAR TUDO QUE JÁ FEZ, VOLTE ATRÁS COM O QUE DISSE !!" não dava pra saber ao certo quem gritou isso.
"AQUELE JUIZ ESTAVA A FAVOR DOS VERDADEIROS BANDIDOS QUE FORAM QUEM ME ACUSARAM DE DESACATO !!" ela gritava.
Que caótico . . .
Bia estava em catatonia com a informação que rolava.
"Viu ? Não precisa ficar paranoica com o gabarito Bia." falei gentilmente.
"Eu . . . Estou andando com vários criminosos ?" ela dizia.
". . . Quase isso !" Alexy respondia rindo.
"Bem vinda a party !!" Azriel dizia de forma meiga e sorrindo.
Claramente ele debochava dela.
"Agora que acabamos com o chá das 11, me acompanhem para a próxima sala." Armin dizia indo até uma porta de metal e digitando algo.
Todos se acalmaram aos poucos e acompanharam ele.
A porta se abriu aos poucos . . . tinham vários casulos, isso mesmo, casulos.
Era meio bizarro olhar aquilo, e se olhássemos com atenção, tinham pessoas nos casulos.
"O-o que é isso . . . ?" Nathaniel dizia tomando frente.
"Bem vindo a sala de clonagem." Armin respondia.
Pude ver ao fundo o Alexy trabalhando e se aproximando de nós.
Era uma sala incrível.
"O que são essas pessoas todas ?" Eliott perguntou.
"É assim que vivemos agora. Trocamos de corpo quando um corpo está velho, e por isso clonamos nós mesmos, quem quiser vida eterna basta se utilizar desse metodo." Alexy dizia se aproximando.
"Exatamente, e a única razão de eu estar nesse corpo envelhecido é porque meus assessores falaram que para um cargo presidencial eu passaria mais credibilidade com essa aparência ao invés de algo juvenil." Armin dizia.
"Verdade . . . Você ama sua aparência . . . " falei.
"Sim, e se eu quiser posso ficar mais novo a qualquer hora com esses corpos em conserva. . . E até criar uma Arminlandia transformando todos os cidadães em versões minhas, querem experimentar ir pra um corpo meu ? Talvez assim se sintam um pouco mais inteligentes e entenderem como é ser quase um Deus." Armin deu um sorriso de canto me fazendo respirar fundo com sua piada.
"Essa sala nada mais é do que uma sala onde poderemos reabastecer vocês todos a qualquer momento.
Quero preservar essa Boreal, ela é o foco central disso tudo, então me precavi guardando seu DNA de forma ainda mais extremista." Armin abria uma pequena gaveta com cartuchos.
"Esses cartuchos . . ."
"Podem criar uma especie de embrião cujo o qual utilizo para criar os corpos.
São todas cascas vazias o que veem nesses vasos espalhados pela sala." ele dizia.
"No caso nosso corpo reserva estão mortos tecnicamente ?" Nathaniel questionou.
"Exatamente. Vivos, porém, sem consciência ou o que chamam de alma. São tipo um computador formatado sem nenhum sistema operacional. Vocês são o sistema operacional e o conhecimento que carregam são os programas. Caso algo aconteça com o corpo de vocês e seja irreversível basta eu transferir a consciência de vocês pra esses corpos.
Claro que prefiro uma transferência neural, abrindo e tirando o cérebro para repor em um corpo novo, mas caso haja falha nesse procedimento eu transfiro a consciência.
Tenho a opção de por o cérebro do corpo de vocês direto no corpo reserva assim como posso usar o backup que fiz pro computador, cujo qual preciso manter atualizado, por conta disso, Alexy instalou um pequeno sistema no cérebro de vocês que de tempos em tempos me enviará o backup de suas memórias mais recentes." Armin dizia de forma técnica.
"Tecnicamente isso não significa que . . . Você tem uma consciência a parte nossa ?
Se morrermos deixamos de existir MESMO, e você fazer isso tudo não vai fazer diferença ! Não vai nos manter vivo !!" Azriel falava em panico.
"Tecnicamente o que faz vocês estarem vivos é a consciência de vocês. Se perderem a vida atual mas voltarem em outra consciência não saberão a diferença.
Essa consciência sua atual que está falando comigo vai desaparecer simplesmente depois de morta, desligar como qualquer pessoa, a diferença é que poderá criar novas lembranças a partir de sua morte e terá total consciência de que morreu.
Algo incrível não ?
É como usar um continue em um jogo.
Aquela vida que perdeu já foi, mas você pode tentar de novo.
Não é o mesmo personagem necessariamente, é o personagem com a codificação numero 00110110 não o personagem com o qual esteva jogando, entretanto, você lembra todas as ações que te levaram a morrer e tenta reverter isso.
É basicamente essa oportunidade que estou dando a vocês, de usar continues na vida de vocês." ele dizia bebendo sua taça.
"E SE EU NÃO ACEITAR ESSA ESCOLHA ?! E SE EU NÃO QUISER TER MINHA CONSCIÊNCIA ARMAZENADA DESSA FORMA FRIA COMO SE FOSSE SEQUER HUMANO ?! EU JÁ NÃO ME SINTO HUMANO COM ESSA FORÇA TODA E QUANDO PENSO NA FORMA COMO VOLTEI A VIDA ! ISSO ME FAZ ME SENTIR AINDA MENOS HUMANO !" Azriel dizia com desespero na voz.
"Simples, eu te deixo morrer. Não tenho tempo a perder tentando te convencer dos pros e contras. Você é uma peça dispensável, agora se a Boreal virar e falar que tem essa mesma escolha imbecil, eu obrigarei ela a continuar fazendo esse backup." Azriel ficou chorado com a resposta do Armin e emudeceu na mesma hora.
Eu confesso que também me choquei . . . ele está tão frio.
Ele sempre foi, mas estava mais que o normal . . . Ele é um frio com situações mas sabia respeitar espaço humano e demonstrava empatia.
Armin nunca foi o tipo de pessoa que tem medo de falar algo que machuque e ser sincero em excesso se isso for necessário, mas esse está tratando a gente em um nível desumano. . . Como se fossemos meros experimentos ou algo do gênero pra ele. Apenas "soldadinhos".
Esse Armin deve ter passado por muita coisa pra chegar nesse ponto.
"E se eu me matar ? Eu acho que tenho direito de escolha do que quero com minha vida a partir do momento em que está impondo o que fazer com minha própria vida pra mim . . ." respondi levemente irritada.
"Não, não tem. Você não vai se matar pois não vou deixar.
Sempre estarei com backup de sua ultima memória, logo, não permitirei que morra.
A menos que me mate, coisa que sei que não é capaz primeiro porque vê a imagem de uma pessoa que você ama e segundo porque no fundo você sabe que eu estou protegendo todos do meu jeito, você não vai se livrar de minhas tentativas de te trazer de volta.
Se quiser ser matar depois de concretizar a missão podemos conversar sobre, mas até terminar tudo pelo qual foi designada, você será mantida viva." Armin dizia.
. . . Era horrível ouvir aquilo.
Sua voz, sua postura, era tudo tão . . . frio.
"Armin . . . você mudou tanto . . . "Remy dizia.
"Só me adaptei as circunstancias atuais, aconselho que façam o mesmo." ele dizia se virando para os tubos com corpos dentro.
"Se eu transasse com um desses corpos seria zoofilia ?" Castiel dizia sem mais nem menos em meio aquele clima tenso que havia se instalado no ambiente.
". . . Zoofilia ?" Ambre questionou confusa.
"É, trepar com morto." ele continuava.
Todos ficaram em silencio na sala, ate que a voz do Armin pediu para que ele se retirasse.
"Mas porque ?"
"Zoofilia." foi sua unica resposta.
"C-com licença . . . M-mas . . . Se não podemos fazer nada pra reverter a situação atual, porque nos chamou aqui afinal ?" Vio perguntava tímida
"Pra deixa-los a par de tudo que estou fazendo. Se for necessário serão tragos de volta a vida sempre por conta dos corpos criados, mas são dispensáveis, só a Boreal que vou manter viva mesmo. E assim que estiverem recuperados vocês todos que estão a par vão retornar para o passado e caçar o Nathaniel após um treinamento por aqui.
Eu quero que saibam que aqui, terão tempo pra pensar no que querem pra vida e o mais importante, o plano pra derrotar ele.
Vocês são soldados agora, soldados que tem que proteger a Boreal pois caso contrario sua própria existência será apagada, entenderam a gravidade ?
Após isso ainda temos que dar um jeito de corrigir toda a confusão formada nas linhas." Armin dizia sério.
". . . É grave assim ?" Nathaniel perguntou.
"Eu não sei o nível de atrocidades que seu xará fez no passado, mas saiba, que ele e seus dois amiguinhos estão agindo . . . E da pior forma possível." Armin completava.
". . . Você voltou no tempo e viu ?" Violette perguntava.
Entretanto ele se calou e virou de costas.
"Agora que estão avisados da missão de vocês, podem se retirar."
"Armin ! Você joga as coisas e não explica nada ?! EU SOU SUA MÃE E MEREÇO UMA EXPLICAÇÃO DESCENTE ! FORA QUE NÃO VOU SER TRATADA COMO UM SOLDADINHO SEU E---"
"Posso te jogar de volta no seu tempo se quiser. Aqui é o único lugar protegido no momento das atrocidades que o Nathaniel vem fazendo e EU sou a autoridade aqui." Armin falava frio encarando sua mãe enquanto ela batia na mesa e se aproximava mais ainda dele.
"E eu sou sua mãe !"
"Não. Minha mãe está morta. Você é mãe de uma versão minha que inclusive se encontra atrás e você." ele falou olhando friamente para ela.
Quando vi aquilo eu me irritei e me meti.
"Armin e se eu quiser acabar com essa sua palhaçada ?! Eu posso muito bem reabrir a merda daquele portal e engolir essa cidade daqui !" gritei agora eu batendo na mesa.
"OK, vai lá. Faça." ele dizia seguro me encarando.
Ambos estávamos hostis aquela altura um com o outro.
É confuso . . . Ele parece super protetor e tentando resolver tudo, mas ao mesmo tempo, parece não ligar pra nada.
É como se . . . ele estivesse se esforçando muito pra salvar a todos, mas se alguém de dentro destruir tudo ele não fosse fazer esforço pra contornar.
Ele deve ter passado muita coisa pra ter se tornado tão apático assim . . .
Eu então me retirei sem falar nada, e ele não tentou me impedir.
Assim que sai eu me escorei na grade a frente do elevador.
A mãe do Armin parecia meio perdida.
Armin do presente veio até mim.
"Tá tudo bem . . . ?"
"Armin, você se torna isso ? Porque toda essa frieza ?" questionei.
"Bem, você está vendo . . . " ele respondeu.
"Porque você acha que pode ter ficado assim ?" eu falei.
"Eu não faço ideia Boreal . . . Mas todos os Armins são uma versão minha, logo, todos eles são caminhos que eu tive e que me tornei." Armin dizia olhando pra cidade.
". . . Até o Armin ruim ? "
"Até ele. Será que ele é ruim mesmo ou só está em um lado contra o seu ?
Eu não sei o que fez ele ter todo esse ódio de você mas . . . Se parar pra pensar, eu já sou assim.
Eu tenho ódio de muita coisa e eu faço muita merda pra alcançar meus objetivos, além de que se você olhasse tudo que faço pelo ponto de vista de alguém de fora, notará que eu literalmente passo por cima das vontades das pessoas e por cima da vida dos outros pra conseguir o que quero, assim como ele.
Talvez ele não seja ruim, só seja contra a gente, para alguém que não concorda com a gente somos gente ruim também.
Tudo depende do ponto de vista.
Eu arrisquei a vida de muita gente nessa brincadeira toda de te manter viva e ficar do seu lado, e você sabe disso. Não sabemos o motivo desse Armin que está com o Nathaniel e o Lysandre estar tão irritadiço, mas e se ele estiver protegendo alguém ou algo que acredita igual eu faço contigo ? Se ele estiver seguindo alguma ideologia ou algo que ele acredita, eu consigo imaginar perfeitamente ele, no caso, eu, agindo dessa forma pra defender algo que acredito.
Eu sou assim . . . A diferença é que somos aliados.
Em uma realidade paralela em que não somos amigos, quem sabe eu te odiasse dependendo do que acontecesse na minha vida ?" Armin dizia apático.
"Quer dizer que até o Alexy é de fato um eu seu ? Você gosta de homens é ?" perguntei rindo tentando aliviar o clima pesado porém ele respondeu sério.
"Sim . . .
Ele sou eu lembra ?
No fim todos eles são eu com vivencias diferentes.
Basicamente me servem pra ver como seria minha vida caso eu escolhesse caminhos diferentes pra seguir.
Quem sabe eu seja bissexual assim como o Alexy também possa ser mas por conta de nossas experiencias de vida seguimos caminhos diferentes nos sentindo mais atraídos por um tipo de pessoa.
Nunca vou saber, eu não vivi o mesmo que meu eu chamado Alexy." Armin parecia um pouco deprimido.
Eu sentia certa melancolia vinda dele.
Me aproximei dele e encostei a cabeça em seu ombro enquanto olhava a cidade lá embaixo.
Estava tudo caótico fora dessa cidade.
Tudo que nos restava era essa cidade na qual nos encontrávamos.
Azriel então se aproximou de nós com a Bia.
Ambos estavam com preocupação, principalmente Azriel.
". . . O que faremos . . . ? Azriel dizia.
". . . Não sei . . . Mas tenho medo de ver o que houve na nossa linha. . . A forma como o Armin falou, acho que ele sabe de algo." respondi.
"Ele sempre sabe mais do que nós e sempre esconde, né Armin ?" Remy dizia se aproximando com Violette e Armin do futuro enquanto encarava o Armin do futuro e o do presente que riam.
"Normalmente faço isso pra proteger meus segredos que são perigosos pras pessoas." Armin do futuro dizia.
"A questão agora é: o que faremos até chegar a hora de voltarmos pro nosso tempo ?" perguntei.
"Não sei . . . Vamos lembrar que agora ninguém tem tempo pra voltar.
Violette, Nathaniel, Ambre, Capuccine e eu por exemplo, somos do passado, e vocês do futuro, Armin mais do futuro ainda . . .Se nossa linha não existir mais por ter sido muito modificada basicamente não temos mais pra onde voltar. Nem sabemos se quando voltarmos vamos achar outra versão nossa ou algo do gênero." Remy dizia.
Tudo parecia se fechar mais e mais, ficava mais estreito e sufocante toda a situação com o passar da conversa.
"Nathaniel desaparecido foi banido pra um vácuo fora do tempo e espaço e agora quer vingança de tudo e todos porque ficou esse tempo todo acumulando ódio." Armin dizia.
"E ele tem poderes muito estranhos." completei.
"Será que isso tem a ver com os poderes milagrosos do Nathaniel ?" Remy dizia.
"Acho que devíamos falar com ele sobre isso . . . ele sempre agiu como se isso fosse um milagre de Deus e como se tivesse 100% a ver com a religião dele, e tem sentido já que em um mundo onde podemos fazer pactos demoníacos pra conseguirmos coisas porque não ter poderes divinos ?" Armin do presente dizia.
"Nathaniel super poderoso . . . podemos tentar entender ele um pouco usando o Nath que está com a gente, mas ai lembro que tem o Armin também . . . " Azriel dizia.
"Armin aparentemente tem um receptor, mas ele é MUITO mais novo. Ele tem menos que eu porém tem mais que meu eu do passado que está conosco . . . Talvez ele tenha mais conhecimento que eu, ou ele roubou informações de outras linhas . . . mas como isso tudo foi conseguido ?" Armin dizia.
"Não vamos esquecer do Lysandre. Um traidor que veio do futuro desgraçar tudo." Armin do futuro dizia.
Eu na mesma hora encarei o Azriel.
Estive evitando falar do Lysandre esse tempo todo com medo de isso cutucar sua ferida aberta.
Ele amava o Lysandre . . .
"Tá tudo bem Boreal, sério. eu . . . Já esperava isso." Azriel dizia notando meu olhar.
"Mas o Lysandre . . . vocês estavam juntos."
"E eu sabia desde o inicio do caráter dele, tá tudo bem.
O que me atraia nele era justamente esse jeito malicioso dele de ver o mundo, totalmente oposto da Capucine. Eu sempre soube como lidar com ele . . . Só não esperava que ele fosse ser tão extremista . . . Além de que eu não fazia ideia de que ele era do nosso tempo . . . Eu não convivi com ele sem memória, não sabia como comparar e como ele agia . . . Me deixei levar pelo sentimento . . .
Eu confesso que ainda to colocando tudo no lugar.
Mesmo já esperando isso eu não pensei que ele fosse . . . ser tão extremista.
E confesso que acreditei que comigo poderia ser diferente já que nunca demonstrei sinais de me voltar contra ele.
Eu cheguei a desconfiar do Lysandre e por isso tentei roubar o receptor, eu queria tentar avançar o tempo e ver o que aconteceria no futuro desse relacionamento, por isso que eu tentei roubar vocês aquela vez, desculpem . . . " Azriel dizia sem graça.
"Ele me ameaçava constantemente . . . Dizia que eu não era quem demonstrava e que estava querendo manipular e roubar a atenção do Azriel . . . eu nunca entendi isso já que eu havia falado poucas vezes com o Azriel, mas . . . Eu tinha muito medo de me aproximar pois constantemente ele me ameaçava . . . " Bia dizia apreensiva.
"Era por isso que fugia de mim ? Eu não fazia ideia disso . . . " Azriel parecia realmente surpreso.
"Afinal, porque ele tinha essa implicância toda comigo . . . ?" Bia perguntou.
"Basicamente você é sobrinha do Azriel de uma vida passada dele e vocês dois tinham um caso antes de voltarmos no tempo." Armin foi direto.
"S-sobrinha ?! Caso ??!" ela estava aflita a envergonhada.
"Sim. Azriel é irmão de sua mãe, mas no caso a alma dele da vida passada, ele morreu bem novo.
E quando vocês se conheceram se apaixonaram mas não sabiam do parentesco.
Foi um cu doce só até ficarem juntos e você foi quem mais insistiu, no fim passaram a se comer de tempo em tempo e o Lysandre era um caso extra, vocês eram quase um trio, mas ele assim como eu é ciumento pra porra e monogâmico então queria comer seu cu não no sentido sexual." Armin dizia se escorando no vidro de proteção que separava nossa área do resto da cidade.
"E-eu e o A-Azriel ?!?! É VERDADE ISSO AZRIEL ?!" ela estava cada vez mais corada.
"Sim . . . Por isso fui direto falar com você e ele ficou irritado . . . porque ele sabia disso.
Mas eu pensava que era ciume por eu ter dito que era apaixonado por vocês dois e não porque ele era o mesmo Lysandre do meu tempo." Azriel falava naturalemente.
"Ótimo, agora que o casal reatou podemos todos fazer um encontro de casais.
Violette e Jade, Azriel e Bia, eu, Armin do presente e Boreal." Armin do futuro dizia rindo.
"ARMIN !! P-PARA COM ISSO !" Remy gritou envergonhado com a afirmação enquanto Vio ficava mais vermelha que um pimentão, confesso que acabei rindo .
"Mais uma pergunta: Porque me chamam de Bia ?" Bia perguntava.
"Era um apelido que a Ambre criou pra você por não saber seu nome e se espalhou . . . eu acabei me habituando. Se quiser te chamo de Capucine." falei.
"N-Não tá tudo bem ! Estou começando a acostumar na verdade . . . E é bonitinho." ela dizia rindo.
"E no fim, a mãe do Lysandre tinha razão de certa forma. Ele não é bem o anticristo mas sim um seguidor de Cristo. Ele até anda com Cristo.
Lysandre, Armin e Cristo." Armin dizia sorrindo.
Quando ouvi isso eu me retirei.
Pude notar a mesma ação do resto do pessoal . . . a piada foi muito ruim, meu Deus.
Essa horas eu me pergunto porque estou com ele . . . Pior é notar que o Armin do presente também ria dessa merda.
Decidi descer pra ver a cidade.
Fui com Azriel e o Armin.
Remy e Vio foram pra casa e a Bia ficou envergonhada demais com a situação toda que ela descobriu ficando pelo distrito mesmo.
Estávamos andando pela cidade com ele me mostrando as coisas quando notamos uma fila enorme.
"É normal essa fila ?" perguntei.
"Não . . . Pra onde está dando ?" Azriel falou e fomos verificar.
Seguimos a fila e ao final dela estava o Castiel com uma maquina de tatuagem e uma barraquinha escrita "tatuagem grátis".
Só soltei um "ah não" desesperado antes e me aproximar dele correndo.
Ele estava tatuando o pescoço de uma menina escrevendo "Boreal".
"Nossa, você aprendeu a escrever algo além de 'Castiel' "? Armin dizia olhando.
"Vai se foder" Castiel respondeu enquanto a menina que ele tatuava gemia de dor por conta dele ter machucado ela na hora que foi discutir com o Armin.
Meu Deus. . .
"PORQUE ESTÁ FAZENDO ISSO ?!" perguntei.
"Tenho que conseguir dinheiro de alguma forma." Castiel dizia.
". . . Mas é o Armin que está bancando nossa estadia . . . "Azriel respondeu.
". . . Verdade . . . A foda-se." Castiel continuou a tatuar.
"Alem do mais . . . Como você iria ganhar dinheiro se na placa esta escrito tatuagem grátis ?" Azriel continuou dando uma leve risada debochada.
"VAI SE FODER AZRIEL !" Castiel voltou a gritar e machucar o cliente enquanto nos retirávamos de lá.
Retornei para o "distrito" em que as nossa casas se encontram, lá estava logo na praça o Nathaniel conversando com o meu pai Eliott quando o Armin mais velho chegou.
Ele se sentou no banco com eles.
"Nossa você faz algo além de trabalhar ou veio dar mais alguma noticia bizarra ?" falei me aproximando.
"Ainda sou humano Boreal. Eu tenho interações sociais e saio para respirar ar fresco." ele respondeu enquanto retirava seu casaco.
"Mais cedo notei essa roupa mas não tive oportunidade de falar, que bom que virou religioso" Nathaniel diz ao olhar os crucifixos de Armin que como tudo na vida dele, parecia uma roupa saída de alguma historia fictícia, tava mais pra cosplay.
"Sim, agora acredito em Deus." Armin dizia sereno.
"Deus sempre trás paz para nossos coraç-" antes que Nath pudesse continuar Armin o interrompeu.
"Eu sou como um Deus para as pessoas dessa cidade, eu que salvei elas do limbo, então claro que fiquei religioso. Todo dia que olho no espelho eu acredito mais que Deus existe."
Ali notei que ele não mudou tanto assim . . . pelo menos não no senso de humor.
Ficou um silencio pairando no local, isso foi . . . ridículo demais.
Todos ficaram estáticos e quietos sem reação com a resposta imbecil do Armin.
Um grito intenso de"SAI DA FRENTE PORRA" entrou voando no ambiente.
Um Castiel desesperado com uma lata de spray na mão corria pelo local atropelando tudo e derrubando tudo que tinha na frente enquanto guardas vinham atrás dele.
Se o silencio pairava com a brincadeira do Armin só aumentou depois dessa cena.
"Ele pichou minha estatua na testa escrito 'Castiel'" Armin dizia normalmente enquanto puxava uma pequena barra de chocolate no bolso e comia com toda a tranquilidade do mundo.
Eu decidi entrar pra "minha casa"
Era demência demais pra mim . . . E muita informação.
Esse foi meu dia basicamente.
Tenso porem teve o Castiel de alivio cômico . . .
Infelizmente não consigo por a cabeça no travesseiro e sonhar ou dormir em paz . . .
Todos os dias eu tenho pesadelos desde que cheguei nessa cidade, e depois de ouvir tudo que o Armin falou . . . Meus pesadelos se intensificaram.
Tenho muito medo de voltar pro meu tempo e ver o que aconteceu.
Tenho muito medo de ver esse estrago, e pior: que seja irreversível.
Aquela noite Armin parecia estar tão inquieto quanto eu.
Aliás, meu pai Philippe parece ser o único que consegue ter qualquer proximidade desse Armin mais velho, e ele não questiona ou sequer debate quanto a sua postura ofensiva . . .
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