E finalmente tomei forças pra ir pro colégio.
Tudo havia sido muito confuso pra mim.
Os diálogos sobre organizações secretas, o lance de apagar memória, tudo muito confuso.
Mais tarde naquele mesmo dia, o Ken veio falar comigo.
Esqueci de escrever aqui sobre esse fato . . .
O Ken se desculpou por ter me "enganado" muitas vezes, e por fim, explicou que meus pais estavam com o pai dele inúmeras vezes e que nada de ruim estava acontecendo ou aconteceria, mas que nem ele sabia ao certo o que eles estavam fazendo.
Por um lado, fiquei tranquila.
Afinal, o Ken parecia sincero ao falar que não sabia de nada . . .
Por outro . . . Fiquei tensa, pois se ele não sabia ao certo o que se passava . . . Eu não posso ter certeza de que estava tudo bem.
Mas pude dormir bem naquele dia.
Me senti bem em ter mais informação, e bem, ele voltou a me acompanhar como o Stalker de sempre.
Devo admitir, senti falta dessa loucura dele.
Será que estou me tornando insana como eles ?
Debrah parece menos incomodada do que antes com a presença de humanos, pelo menos do Ken e do Nath . . .
Mas, continuemos o dia de hoje . . .
Hoje ao chegar no colégio eu me sentia viva pois sabia de fato tudo que estava acontecendo, não com detalhes claro, mas me sentia mais "poderosa" dessa vez.
E dessa vez não acho que vou passar dos limites como na ultima vez.
Aliás, Alexy estava totalmente normal e de fato não se lembrava de nossa briga.
Isso é muito interessante ! Mas se usado em excesso pode ser perigoso.
Nathaniel falou palavras que me tocaram bastante, acredito que tocaram a Debrah também pela reação dela a todos os acontecimentos.
Bem, de qualquer forma, havíamos combinado de nos encontrar em uma sala isolada que o Nathaniel havia reservado pra todos nós.
Eu, Ken, Debrah e ele.
Pra minha surpresa na sala estava a Rosa !!!
"Rosa, o que faz aqui ??!" eu gritei espantadíssima quando vi a Rosa na sala ! Como assim, gente ?
"Olá, Celes ! Acho que ninguém te falou né mesmo ? Faço parte dessa organização" Quando ela falou isso eu não sabia o que dizer ou como reagir !!
Apesar de que isso explica muita coisa . . . Tipo ela estar junto do Ken quando deu aquela treta toda lá no show, o jeito sereno dela.
"Nathaniel, você não falou que era agradecido pelo Ken fazer parte agora da mesma região e por tomar conta daqui sozinho ?? E a Rosa ??"
Nathaniel sorriu pra mim e respondeu "Sim, você acha mesmo que somente eu, ela e o Leigh éramos suficientes ?"
Pera, pera ! Leigh ??? Ele não é o namorado da Rosalya ?? Nesse momento eu me perguntava quantas pessoas faziam parte da organização.
Até que ele explicou de forma simples: "Se você não for alienígena e tiver contato com a organização ou alienígenas em si dependendo de sua reação a tudo nós temos direito de dar uma chance pra pessoa de fazer parte do grupo ou de ter a mente apagada. Rosa foi uma dessas . . . Ela descobriu o seu segredo durante uma missão do Leigh. Foi bem complicado."
Rosa retrucou envergonhada que ele não precisava falar detalhes, mas a Debrah interrompeu e falou "Basicamente ela brigou com o namorado uns meses atrás ao descobrir que ele estava te perseguindo por ser uma alienígena, Celes. ficou com ciúmes até que ele explicou tudo . . . "
Admito que me senti um pouco chateada . . . A Rosa se aproximou de mim por missão ? Não por amizade ? Eu não tenho certeza de mais nada referente a terráqueos.
Nessa hora o Nathaniel se sentou do meu lado e falou colado ao meu ouvido: " Ela é desastrada com as missões da organização e se aproximou de você por ter gostado de ti e por desejar sua amizade, Celeste. Não se preocupe."
Era como se ele lesse minha mente. Principalmente depois de ele completar com um "não, não leio mentes, só sou bom com deduções"
Eu devia me assustar com o Nathaniel, sinceramente. . . Mas ele me deixa em paz.
"Ok, temos que arrumar um jeito de recuperar o Neuralyzer que se encontra com o Castiel." ele falou com foco.
Debrah completou "temos que pensar em como nos aproximar dele antes."
Foi quando eu pensei . . . Eu poderia fazer, não poderia ?
Ele odeia o Nathaniel e provavelmente a Debrah também.
Ken é indiferente, e Rosa não tem como se aprofundar a ele de verdade.
"Ok, gente . . . Eu tento" eu me ofereci . . . Admito que não queria, estou muito chateada com o Castiel, mas é uma boa causa.
Castiel com um equipamento desses é muito perigoso !
Estava tudo planejado, eu iria tentar falar com ele calmamente a respeito de tudo que aconteceu e tocar no assunto do Neuralyzer jogando a culpa pra Debrah . . .
Debrah meio que deu a ideia de eu me "usar" . . . Mas eu não tenho coragem desse tipo de coisa.
Além do mais, estou muito chateada com o Castiel . . .
Debrah sabendo disso, logo disse que eu não precisava. Ela sabe que eu tenho os pudores e costumes Terráqueos.
Então . . . Colocar o plano em prática.
Primeiramente eu tive que encontrar o Castiel.
O pessoal se espalhou estrategicamente pela escola pra caso me acontecesse algo.
Logo esbarrei com o Lysandre, sozinho . . . Eu fiquei muito desconfortável ao encontrar com ele.
Paramos um na frente do outro, eu queria perguntar o paradeiro do Castiel mas não conseguia falar nada.
Lysandre estava calado e só me encarava.
Eu . . . Estava com o coração disparado.
Eu sentia raiva de tudo que eu havia descoberto esses dias . . . Eu estava de frente pra pessoa causadora da minha raiva, da minha frustração, do meu coração quebrado . . . Mas ao mesmo tempo aquela mágoa toda estava em rebuliço com meus sentimentos amorosos, que infelizmente, existem e eu não posso nega-los.
Sentimentos são coisas tão complicadas . . . Acho que minha raiva é ainda maior justamente por eu guardar ainda algum sentimento por esse monstro.
Em meio ao nosso silêncio, o Lysandre se retirou sem falar nada.
Eu perdi a chance de perguntar pelo Castiel, e ainda tive que encarar aqueles olhos com heterocromia dele.
Continuei a procurar pelo Castiel. A escola, apesar de não ser grande, os alunos se perdem facilmente por lá, incrível isso.
Nathaniel apontou de forma discreta pra um canto onde supostamente o Castiel estaria.
Pois bem, lá estava ele.
Eu tinha que mudar minha postura . . . Era difícil olhar pra ele sem ficar com raiva . . .
Eu chamei pelo seu nome, ele me olhou assustado e desviando o olhar em seguida, sua voz era um pouco trêmula mas ele tentou manter aquela postura de menino durão dele.
"O-o que quer ? Cansou dos seus amiguinhos novos . . . ? " juro que eu queria mandar a mão na cara dele, mas me contive.
"Só quero respostas . . . Pode ser ?" eu falei sem medo, provavelmente com um olhar bem frio.
"Respostas do que ?? Você não teve suas respostas lá com a Debrah ?? Não enche ! Vai lá com ela e seus amiguinhos novos e deixa eu e o Lysandre em paz !" quando ele falou isso eu não me aguentei !
"VEM CÁ CASTIEL ! VOCÊ REALMENTE SE ACHA NO DIREITO DE FICAR IRRITADO ??! ELES ME CONFESSARAM OS SEUS CRIMES E O QUE VOCÊ PRETENDIA COMIGO E VOCÊ QUEM FICA IRRITADO ?? SÉRIO ?? EU SABIA QUE IA ME ESTRESSAR AO TENTAR ESTABELECER UMA CONVERSA COM VOCÊ."
Ele não ficou por baixo, afinal, Castiel.
"ESCUTA AQUI VOCÊ ! VOCÊ FALA DAS MINHAS MENTIRAS MAS VOCÊ MENTIU PRA MIM SOBRE SER VIRGEM !!"
Pera aí ! É algo como, sério que eu ouvi isso ?
Foi um dos argumentos mais estúpidos que já ouvi na vida !
"PRIMEIRAMENTE, CASTIEL, EU NUNCA FALEI QUE EU ERA OU NÃO, E SINCERAMENTE ? DANE-SE ! O QUE TE IMPORTA ?? TÁ ASSUMINDO NA CARA DE PAU QUE REALMENTE SÓ QUERIA SABER DISSO EM MIM ??! SEU LIXO ! E QUER SABER MAIS ?! EU ERA SIM ! E EU NEM SABIA QUE NÃO ERA MAIS !"
Ele ao ouvir isso ficou mais irritado e retrucou com "POBREZINHA ! A VÍTIMA NÃO SABIA QUE TINHA PERDIDO A VIRGINDADE ! COITADINHA, FOI SEM QUERER AGORA ? VAI VIR DE DESCULPINHA QUE FOI ESTUPRADA TAMBÉM NÃO ?!" ele estava me irritando seriamente, eu só gritei um "SIM, FUI E DAÍ ?" e pelo visto isso foi o suficiente pra ele calar a boca . . .
Ele parecia que tinha tomado um tiro e estava tonto com a dor do tiro.
"É mentira . . . né ? Você não precisa mentir pra mim . . ." ele falou desanimado.
"Eu não tenho porque mentir sobre algo grave assim, além do mais, que diferença faz pra você ? Você queria me manter virgem só pra usar em um sacrifício ! Tanto faz, Castiel . . . Você foi tão monstro quanto quem abusou de mim . . ."
Quando eu falei isso ele se alterou novamente . . . Novidade né ?
"NÃO ME COMPARE COM UM ESTUPRADOR ! . . . desculpa . . . "
Aquilo pra mim foi uma vitória, não posso negar.
Castiel se desculpando ? WOW
"Eu sei que eu errei em tentar usar você . . . Mas eu estava desesperado . . . Acredite em mim quando eu digo que não ia mais fazer nada contigo . . ."
Eu não posso voltar a acreditar nele só porque ele fez um olhar fofinho.
Castiel já fez muita monstruosidade e eu já dei muitas chances pra ele.
"Todo esse tempo que você protegeu minha vida foi por causa do maldito ritual não é ? Lá na corrida, no show . . . "
Ele falou desesperado que não, que ele realmente se preocupava comigo. . . faça-me rir.
"Castiel, eu não nasci ontem, não sou a pessoa mais esperta do mundo mas também não sou idiota."
"NÃO TEM COMO EU FAZER VOCÊ ACREDITAR EM MIM ?! CARA, EU APRENDI A LIÇÃO NA PRAIA ! EU NUNCA MAIS TENTEI NADA !!" ele falava tudo com tanto desespero.
"Então me conte sobre aquele seu diálogo estranho com o Lysandre a respeito de "se importar somente com a virgindade", ou sobre sua raiva quanto a eu ter te dado corda antes do show como se o fato de eu permitir seu toque fosse motivo de me chamar de vadia. Eu não esqueço nada dessas coisas horríveis . . . "
Castiel parecia estar confuso e pensando em uma resposta "viu ? você está precisando pensar em algo pra falar ! E sei que sua próxima frase será mais uma mentira"
Até que ele falou "E-eu só . . . Só to confuso, porra ! Eu admito ! Te vi como presa sim, até o dia da praia . . . Quando aquele . . . "Dakelicia" apareceu . . . " sabe, eu não acredito nele, mas ouvir isso me fez amolecer.
Mas logo lembrei pra que eu o queria .
"Castiel . . . Eu . . . Eu sei que é repentino mas. Eu soube que você está com um objeto que apaga memórias, a Debrah me contou."
Ele pareceu muito espantado e já começou a gritar coisas como "essa vadia fofoqueira” e coisas do tipo. Mas a essa altura eu já sabia como manipular ele.
"Eu . . . Queria o objeto pra poder apagar minhas memórias a respeito do abuso que sofri . . . "
Ele logo parou de explodir e xingar, ficando em silêncio.
"Desculpa, Celeste . . . Eu to sem aquele aparelhinho . . ." na hora eu acreditei que ele estivesse mentindo pra mim e quase explodi mas ele logo se justificou.
"Já faz um tempo que to sem ele, não sei onde foi parar, se me roubaram, se eu perdi, realmente não sei, cara. Um pouco antes de você chegar na escola eu já não tinha mais ele em mãos."
Não conseguia acreditar, eu repetia varias vezes que ele estava mentindo.
"Cara, eu realmente queria te ajudar, deve ser barra isso que você tá passando. Mas eu realmente não tenho mais o aparelho. Acredite em mim ! Se quiser você pode verificar nas minhas coisas, em mim e tudo mais."
Eu de fato o fiz, comecei a procurar nos bolsos dele, na lógica ele levaria com ele. Mas realmente não tinha sinal.
"Cara, eu fiquei irritado com o lance da Debrah ter te falado, mas depois que você falou pra que queria não tem como eu não querer ajudar. Sei que vacilei pra caralho contigo, mas eu não sou esse monstro todo e já te falei. Mesmo que você nunca perdoe todas as merdas que fiz, eu quero te ajudar a esquecer esses troços que te aconteceram, deve ser horrível pensar nisso todo dia."
Eu admito que me senti mal de estar mentindo pra ele a respeito de lembrar das coisas quando eu não me lembro de nada.
"Castiel, e se eu estiver mentindo e nunca tivesse sofrido estupro nenhum ? Eu sou jovem e poderia muito bem só ter perdido a virgindade com um cara qualquer."
"Cara, você tem razão, mas sei lá, o pouco que te conheci eu tenho quase certeza que você não mentiria sobre isso. Seu olho é bem grande sabe, dá pra ver bem quando você mente ou não, a história do estupro pareceu ser verdade."
É engraçado pensar que tive uma conversa civilizada com o Castiel. Ele perguntou se eu gostaria de ajudar ele a procurar, descreveu como era o aparelho e tudo, que aliás, batia com o que vi nas mãos do Ken e do Nathaniel.
Por fim decidi perguntar.
"Ok. . . Não tem jeito então. Mas . . . só por curiosidade . . . De onde tirou esse aparelho ? Não parece ser algo que se encontra em qualquer lugar . . . Quando a Debrah me contou quase não acreditei."
Tentei manter o tempo todo a postura de menina que não sabia de nada, acho que me virei bem.
"Do Lysandre. Faz tempo, cara." quando a Debrah falou do Lys eu não acreditei . . . Acho que devo acreditar nela.
Pedi pra ele falar mais detalhadamente.
Ele resumiu a historia "Ah, o Lysandre falou algo como usar esse aparelho pra apagar a memória da namorada do irmão dele na época, a Rosa, sabe. Ele tinha pego isso do irmão dele, nunca entendi porque o irmão dele tinha isso . . . Eu sei que fui contra essa história dele e ele veio falando que ia apagar minha memória também, por sorte eu sempre fui mais forte que ele, bati nele até ele ficar caído no chão e peguei aquele aparelho dele. Não nos vimos depois disso."
Quando o Castiel falou isso eu fiquei encucada, pois de acordo com as coisas que o Lysandre havia me dito, ele só gostava da Rosa no período de "infância", mesmo que ele não tenha superado ainda . . .
Rosa falou que ele perdeu a memória quando tentava seduzir ela . . . Será que tem a ver com o Castiel ? Mas o Lysandre disse que não o conhecia.
Nada mais fácil do que perguntar, no máximo receberia uma negativa.
Perguntei quando isso havia ocorrido, então ele me respondeu.
"Nós devíamos ter uns 12 ou 13 anos quando peguei isso dele cara, ele ainda era ruivo ! Ele nem lembra que nos conhecíamos na época."
Quando ele falou isso eu fiquei histérica ! RUIVO ???! COMO ASSIM LYSANDRE RUIVO ????
Castiel parecia incomodado com o fato de eu estar querendo saber mais sobre ele ruivo e começou a tentar ir embora.
Foi quando eu o agarrei na cintura e comecei a falar pra ele contar pra mim.
Mostrar foto, sei lá ! Como assim !! Não consigo imaginar isso.
"QUE MERDA GAROTA ! ME DEIXA !! VAI LÁ PERGUNTAR PRA ELE."
Pra tentar prender o Castiel eu comecei a perguntar sobre o ritual, pra que era, essas coisas, minha curiosidade principal estava na cabeça do Lysandre, mas eu precisava saber mais !
Ele me segurou firme nos ombros e olhando pra mim falou "sobre o cabelo, pergunta pro Lysandre, sobre o ritual pergunta pro Nathaniel. Agora para de me encher o saco. Sabia que tava estranho o diálogo sem dor de cabeça ! Nunca vamos ter um diálogo que não me irrite" Ele saiu com a mão na cabeça como se estivesse doendo.
Como fiquei irritada.
Eu estou super curiosa . . . O foco era pegar o Neuralyzer, não consegui, mas sei o paradeiro.
E de brinde recebi uma informação nada importante mas que estou desesperada pra saber mais !!
Além do mais . . . Porque eu tenho que perguntar sobre o ritual pro Nathaniel ? Hmm...
Coisas que passaram na minha mente, e bem, acho que a melhor solução seria perguntar diretamente pro Nath, certo ?
Preciso dar as boas novas pra eles (no caso ruins, afinal, não sabemos onde está esse neuralyzer) e aproveitar pra perguntar a respeito pro Nathaniel.
Desembarquei da forma mais rápida possível, até porque não tinha motivo para mais delongas. Até que avistei uma aparência familiar esperando alguém na saída da sala de desembarque. Quando olhei era Zack, o mesmo Zack que eu tinha deixado há meses atrás. Larguei as malas pelo caminho e corri em direção ao mesmo sorriso que me acolheu. A única coisa que pude entender foi: “Agora posso contar tudo.” falou isso pegando minhas malas e me levando para algum lugar.
Ele disse que iríamos conversar em um bar de um velho conhecido dele. Não tinha muitas escolhas, então assenti. O bar tinha aparência de um lugar dos anos de 1980, com uma música agradável de fundo. Sentamo-nos à mesa mais reservado do lugar. Fizemos nossos pedidos, pois eu estava louca de saudade da comida brasileira. Depois da rápida refeição, ele começou contando o porquê de seus sumiços. “Eu sumia, porque Alice acreditava que éramos casados. Ela tinha problemas psíquicos, da mesma maneira que ela disse que te salvou, ela dizia que havia me salvado dos pecados do mundo. Os tais criminosos que ela disse no bilhete que enviou para nós dois eram os caras de um hospital psiquiátrico de onde ela havia fugido há meses e só descobri quando recebi um e-mail da mãe dela implorando por ajuda. Ela tinha sérias dificuldades em acreditar na realidade que vivia, inclusive aceitar que meu coração tampouco seria dela.” Ele não me deu escolha, não tinha tempo para responder, portanto assenti novamente, bo-qui-a-ber-ta.
“Sobre o e-mail misterioso que você recebeu há um ano e meio atrás...” ele respirou fundo para continuar. “Foi tudo programado. Eu era detetive na época e seu pai estava procurando por notícias a seu respeito, ele queria satisfazer mais uma de suas vontades já que sempre foi a filha mais mimada, além da saudade imensa de passar horas e horas conversando com você pelo telefone. Devido a isso, me procurou. Ele queria fazer uma surpresa, porque via que você não era a mesma há tempos, e eu, como estava sem trabalho decidi ajudar. Até que recebi minha passagem de volta para os Estados Unidos e indiretamente conheci você no avião. Não foi nada planejado, eu juro!”, e quanto mais ênfase ele dava ao dizer que tudo era por conta do acaso, eu gargalhava apenas, ficando cada vez mais sem graça em perguntar sobre sua vida real.
Seus olhos caíram sobre uma de suas serviçais, que ainda aguardava na porta educadamente e arqueou as sobrancelhas.
- Você disse Daisy? Ela está aqui?
- Sim. Chegou faz uns cinco minutos... Perguntou se não pode falar com a senhora. Eu disse que checaria porque sei que não gosta de ser interrompida em suas massagens...
- Não, não, não. – Disse mais do que imediatamente ao ver as feições da jovem garota mudarem. – Não a mande embora. Diga que eu já desço... Ah são quantas horas?
- Quase cinco, madame. – Disse a serviçal com eficiência.
- Ponha o chá no jardim... Coloque uns biscoitos que ela gosta, de leite. Aliás, ela não gosta muito de chá, faça água quente com limão pra ela. – Disse Lily enquanto hiperativa, andava pelo quarto procurando seus chinelos. – Paulina, meu bem, eu sinto muito que vá ter que interromper nossa massagem, mas por que você não volta amanhã?
Sua massagista se tratava de uma mexicana, e ela não entendia o inglês muito bem, mas com gestos, Lily e ela conseguiam se comunicar perfeitamente. Educadamente, à moça de pele bronzeada e curvas invejáveis, começou a recolher o material.
Naquele momento, muito estranhamente, Lily não estava muito preocupada ou aborrecida por ter sua massagem interrompida. Ela estava mais ansiosa para saber o que havia levado Daisy até sua casa, assim, de repente e sem sequer avisar. Geralmente ela sempre ligava com antecedência, para checar sua disponibilidade.
Teria acontecido algo sério? Será que poderiam ter feito algo com ela?! Não... Eles já estavam em Março, caminhando para Abril! Por que eles fariam algo com ela depois de tanto tempo?
Dessa vez, Lily não se preocupou em como aparentava. Ela simplesmente entrou dentro de suas roupas – uma calça de ioga e uma blusa solta, até porque de noite ela iria para o pilates – e atravessou a porta, sem sequer lembrar de fazer o acerto com a massagista ou marcar o horário do dia seguinte.
Às pressas, Lily desceu as escadas, checando o celular para ver se Daisy havia mandado qualquer coisa e nada. Seria urgente? Algo a dizia que sim, contudo, quando viu sua filha jogada displicentemente sobre o sofá, conversando no celular, com um sorriso, decidiu que não era nada.
Alívio... Foi puro alívio saber que ela estava bem.
-... Ah ela chegou. Sim, eu direi. Ok, eu também amo você. – Daisy soprou um beijo e então desligou, dando um suspiro. – Oi, desculpe por isso, eu achei que você demoraria por causa da sua massagem.
Lily não a contaria, é claro, que havia interrompido sua massagem apenas para ir vê-la, por isso fez um sinal para que Daisy a acompanhasse.
- Eu já estava terminando. – Disse com pouco caso. – Vamos, eu mandei servirem o chá no jardim. Eu não sabia que você vinha...
- Desculpe, foi de última hora. Eu fui liberada mais cedo do serviço porque pretendia ir ao médico e no caminho, ele ligou desmarcando. Estava por perto e resolvi passar... – Daisy explicou, enquanto paravam de frente para uma mesa redonda de pedra, posta para duas pessoas. – Eu ligo da próxima, desculpe.
- Está tudo bem. – Murmurou.
A ironia daquilo tudo é que Lily não achou aquela cena muito diferente de uma de sua adolescência... Certa vez, se recordava, de que chegara na casa de sua mãe de surpresa, para passarem o dia juntas e sua mãe havia a dito ‘você não pode aparecer sempre que quiser e sem avisar’. Bem, era pressuposto que pudesse, considerando que era a casa de sua mãe...
A Lily de dezesseis anos havia ficado muito triste na época, porém uma geração depois, o mesmo ato sendo cometido, sua filha parecia não se importar menos.
- Eu pedi para lhe prepararem água quente com limão. Eu sei que você não se importa com chá, a menos que esteja com dor de cabeça. – Lily disse quando a governanta apareceu com a bandeja.
- Bem eu a acompanharia no chá sem problemas, mas eu agradeço pela consideração. – Daisy aceitou a xícara e sorriu, agradecida.
- Pode nos dar privacidade Wanda? – Pediu educadamente e recebeu um aceno como resposta. – E feche a porta, por favor.
Daisy não demonstrou qualquer emoção, na verdade ela provou de sua bebida e sem qualquer hesitação se serviu de um dos biscoitos, o levando até a boca.
- O que lhe trás aqui Daisy? Aconteceu alguma coisa? – Indagou.
- Não. – Daisy negou com a cabeça enquanto mastigava. – Eu vim conversar com a senhora sobre um assunto... Aliás, sobre vários assuntos, que se interligam por apenas um.
- Ok, vá em frente. – Lily deu de ombros.
- Bem... Eu fui apresentada a família de Harry e sabe, meu namorado vem demonstrando um enorme interesse em conhecer a minha. – Daisy disse num tom contido. – E a coisa é que, eu não tenho lá tanta gente para apresenta-lo...
Lily escutou tudo atentamente. Onde será que Daisy queria ir com aquilo tudo?
- Eu vim aqui hoje, para... Não sei, falar sobre isso com você. – Daisy se encolheu. – Eu queria saber se você veria muitos problemas em jantar conosco amanhã, quem sabe?
- Amanhã? – Repetiu surpresa e viu a decepção no rosto de Daisy.
- Está ocupada? Bem, um dia que você possa... Harry quer muito conhece-la e eu tenho certeza que ele se adequaria a sua disponibilidade...!
- Não. – Negou com a cabeça. – Amanhã está ótimo. No seu apartamento?
- Sim. – Daisy acenou com a cabeça. – Então não é um problema?
- Não, não é. De forma alguma. É... Sensato eu acho, que ele queira conhecer a nós. – Lily acenou com a cabeça e serviu-se de pão e ricota. – Você não veio aqui só pra me convidar pra um jantar de última hora né?
- Não, não. – Daisy sorriu de lado. – Uh mãe... O que você sabe da tia Poppy?
Lily não queria, mas acabou fazendo uma careta. De onde é que sua filha havia desenterrado aquele ser humano? Havia dez anos desde a última vez que Lily ouvira falar de sua irmã gêmea, e honestamente, ela não viera fazendo falta durante todo aquele tempo.
- Por que é que você quer saber algo de alguém que nunca sequer conheceu? – Replicou Lily, confusa.
- Bem, acho que você já falou tudo...
Lily a vida inteira temeu que Daisy e Nate fossem fazer perguntas sobre a família dela, que por acaso, era a família deles também, durante a infância. Felizmente, eles nunca a perguntaram nada e também não perguntavam sobre a família de James – pobres crianças, amaldiçoadas com duas famílias desnaturadas.
De qualquer forma, Lily nunca imaginou que aos vinte anos sua filha viria até ela e a perguntaria de Poppy! Até porque não era como se Lily tivesse muito o quê dizer.
- Bem, eu sei que Poppy está casada, tem filhos, uma vida na França. – Deu de ombros. – E ela faz uns quadros ridículos e põe pra vender... O marido dela tem uma lanchonete.
- Filhos? Então Nate e eu temos primos? – Perguntou ansiosa.
- Sim... Um menino de seis e uma mocinha de quatro. – Disse Lily com pouco caso. – Ao menos foi o que fiquei sabendo, através de Babi...
- Espere, você conversa com Babi? Eu pensei que tivessem parado de se falar há uns cinco, seis anos!
- Bem, eu a tenho no Facebook e Babi não era apenas minha amiga quando éramos jovens, ela também era amiga de Poppy. – Explicou Lily com um suspiro. – Ela postou fotos... Você não viu?
- Não, eu não vi. – Disse Daisy, com um brilho diferente no olhar.
Lily riu e balançou a cabeça negativamente. Ela queria dizer a Daisy para não procurar por aquela gente, porque apenas acabaria machucada, mas Lily estava ciente de que não podia dá-la ordens, se não, seria como da última vez... Sua filha sumiria por meses e só voltaria quando desse na telha.
Não que ela estivesse preocupada em ter a atenção de Daisy ou coisa do tipo, ela sabia que Daisy tinha uma vida, mas Lily não queria problema com nenhum deles. Nem Nate e nem Daisy, e como seu filho mais velho já nem olhava na cara dela quase, o que lhe restava era sua menina... Ela era a única forma de Lily se manter ciente do que estava acontecendo com os dois. E até porque, diante da “nova vida” que Daisy levava, provavelmente não era muito inteligente, que ela estivesse sempre por conta própria.
Olhando-a, então, entendeu o motivo de ela estar ali. Lily também já se sentira daquela forma...
Quando ela era mais jovem também se sentira meio perdida. Sem pai e sem uma mãe presente, sendo cuidada por sua avó, Lily também almejava uma família perfeita. Mais de uma vez durante sua juventude, ela prometeu a si mesma que seria uma mãe incrível, que ela cuidaria de seus filhos e que seu marido e ela teriam uma relação estável.
A coisa se provara muito mais difícil. Ter uma família não é fácil, mesmo que as pessoas digam o contrário. Anos e anos de prática e Lily sentia que não sabia nada! E olhando para sua filha, desejou baixinho que Daisy fosse melhor instruída, porque mesmo com suas promessas, mesmo com Lily prometendo a si mesma que seria uma ótima mãe, não cumprira sua palavra.
Ela era tão, tão jovem. Ela não sabia o que queria, não sabia como se sentia! Casou-se porque James era um homem bom, honesto, ela o amava e ele estava sendo justo, no fim das contas. Parecia o certo a se fazer! Alguns anos depois, com um casamento acabado, Lily percebeu que talvez teria sido melhor se tivesse optado por ficar sozinha desde o início...
- Sabe Daisy... Eu sei que uma família perfeita parece um sonho e realmente, deve ser tudo de bom ter uma família unida, que brinque, que festeje, que cante junto. – Suspirou Lily. – Mas a sua não é assim... Eu não recomendo que você procure Poppy e seus primos. Você não a conhece e sabe, não acho que valha realmente a pena.
- Hm... Eu realmente não estava pensando em ir vê-la ou coisa do tipo. Eu só queria entender o que houve com vocês...
- Não houve nada. Apenas nos afastamos... Ela foi viajar e eu fiquei aqui, cuidando de crianças. – Disse com um sorriso amargo. – Então, seu namorado quer conhecer a família é? Você perguntou já qual o problema dele, porque nenhum homem quer conhecer a família de uma moça...
Daisy riu levemente e deu de ombros. Lily sabia o motivo que Harry queria conhece-los e se perguntou se eles já haviam falado sobre aquilo... Baixinho, novamente, desejou que Daisy tivesse consciência do que estava fazendo.
Lily se casara cedo e ressaltava a qualquer jovem que conhecesse: Atrase o tanto que puder, não vale a pena todo o sacrifício e esforço.
- Ele fica um pouco preocupado comigo. Ele acha que preciso ser melhor protegida e que preciso ter alguém pra conversar... Você sabe, fora ele e a Helen.
- Hm... Eu acho que esse rapaz possa estar certo. – Acenou com a cabeça, porque concordava que Daisy estava em desvantagem. – O seu pai já sabe dele?
Lily sabia que sim, porque afinal não fazia muito tempo que conversara com James, mas Daisy não sabia sobre aquilo e ela não fazia muita questão de deixar sua filha ciente do chilique de superproteção de seu pai superausente.
- Ele ligou, perguntou, mostrou um genuíno interesse e daí pediu pra falar com o Nate. – Deu de ombros. – Não era como se eu fosse contar a James sobre nossos fins de semana românticos e coisa do tipo.
Acenou com a cabeça concordando e percebeu que realmente, James não fizera nada a respeito. Ele provavelmente não queria perder mais pontos com sua filha, após todos aqueles vinte anos.
- Você tem notícias dos Cooper?
Lily quase gemeu. De repente parecia ter sido um enorme erro comentar sobre James. Se ela já não gostava de falar de sua própria família, nada se comparava com a família de seu ex-marido.
- Você sabe, seu avô fuma, bebe, ele já não é mais o mesmo. Sua avó disse que ele está meio adoentado, mas não entrou em detalhes...
- E como ela está?
- A última vez que falei com Blanca, ela me ligou querendo saber se era mesmo a neta dela que estava estampando a capa de uma revista. – Disse Lily com o cenho franzido, percebendo como Daisy estava prestando a atenção. – Eu disse a ela que deveria ligar pra você...
- Bem, ela não ligou. – Daisy deu de ombros e suspirou. – Acho que Harry também quer conhece-los.
- Seu namorado não tem um pingo de juízo... Você já falou com que tipo de gente eles se relacionam?
- Já, mas fazer o quê. – Daisy deu de ombros. – Eu estou pensando também em visitar Babi. Eu não a vejo desde meu Ensino Médio... Só pelo webcam algumas vezes.
- Sim, eu acho que seria interessante. – Lily acenou com a cabeça e limpou a garganta. Ela nunca agradecera a sua grande amiga de colégio por ter cuidado tão bem de seus filhos, enquanto ela estava numa cama, dopada de remédios.
O que veio a seguir foi um longo momento em silêncio, no qual o único barulho era o chá sendo tomado e o barulho do garfo contra a porcelana do pratinho. Lily olhou-a de relance umas duas vezes, para constatar que Daisy estava tão à vontade ali, quanto estaria em sua própria casa.
Ela provavelmente não estava mais irritada com Lily, se estava ali. E também, Daisy nunca fizera do tipo de remoer as coisas eternamente.
Lily queria perguntar a ela como estava lidando com tudo, se a imprensa continuava sendo abusiva, como havia sido o encontro dela com a família do namorado, mas não tinha certeza até que parte aquilo tudo lhe cabia.
Só porque ela era a mãe de Daisy, aquilo não fazia dela a mamãe de Daisy.
- Sabe, eu sinto muito pela forma que eu reagi aquele dia Lily. – Murmurou Daisy. – Eu não devia ter falado com a senhora daquele jeito... Você estava certa, estava sendo honesta comigo. Só foi um verdadeiro incômodo tê-la palpitando... Eu não gosto muito de palpites, você sabe.
Não sabia por qual motivo estava mais surpresa. Sua filha pedindo desculpas ou dizendo que ela estava certa, quando mesmo Lily estava convencida de que havia sido errado de sua parte, tomar dianteira e se sentir no direito de opinar na vida dela.
- Está tudo bem. – Disse com o cenho franzido – Você não tem que se desculpar por nada...
- Eu sei que não tenho, mas também sei que é isso que fazemos quando erramos. – Daisy encolheu os ombros. – Antes tarde do que nunca, não é mesmo?
- É, é verdade – Murmurou Lily.
- Eu sei que você está surpresa com meu repentino interesse na família, e acredite, eu mais do que ninguém aceito a ideia de que nossa família não é baseada em contos de fadas ou filmes americanos. – Daisy a essa altura não a olhava. – Mas eu gostaria muito de poder apresentar Harry a eles. Eu sei que é isso que ele quer, eu sei que ele quer fazer as coisas do jeito certo e ele sempre está tentando me agradar...
- Esse rapaz te põe num pedestal não é? – Lily comentou com um pouco de diversão.
Daisy nunca havia sido uma antissocial, mas Deus sabia que sua filha sempre tivera prioridades diferentes do que a maioria das garotas. Era irônico que ela tivesse passado tanto tempo chorando por um moleque que a apunhalou pelas costas e tivesse um homem e não um homem qualquer, arrastando um caminhão, movendo céus e mares por ela!
Aquele rapaz dava a Daisy o mundo inteiro se ela pedisse. E olhando para sua filha, Lily constatou em como ela parecia feliz, como ela parecia radiante. Ela estava definitivamente mais preocupada com sua aparência. Os cabelos antigamente sempre estavam lisos e escorridos, em seu perfeito natural, mas agora, ela os enchia de mechas, os amassava, enrolava. Sua sobrancelha estava sempre impecável e as unhas sempre pintadas e bem feitas.
Harry havia a transformado em mulher, em alguns meses. Daisy sempre tivera confiança em si mesma, mas aquela confiança de uma garota, de uma menina que estava aberta as novidades da vida. A confiança que ela exalava agora era de uma mulher, formada, independente.
Ao menos era isso que Lily sentiu emanar dela...
- Ele me ama. – Assegurou Daisy com brilho nos olhos e um sorriso largo. – E eu o amo muito, Lily. Eu sei que você sempre disse que amor é algo complicado, mas eu descobri que não podia ser mais simples ao lado de Harry. Isso é o melhor de tudo. É simples, mas não é fácil... Eu sei que parece contraditório, mas...
- Não, não parece. Eu sei o que você quer dizer. – Cortou-a. – Então, amanhã você vai nos apresentar, hm?
- Sim. – Daisy sorriu. – Se você quiser levar o Carl...
- Não, eu acho que seria bom se isso se tratasse apenas de nós. – Lily disse com o cenho franzido e então perguntou, curiosa. – E o seu pai hein?
- O que tem ele?
- Nunca vai ser introduzido ao seu namorado?
- Bem, eu planejei coloca-los numa conversa por Skype qualquer dia. – Daisy deu de ombros. – Não é como se pudesse ser feito qualquer coisa né? Ele está no Brasil...
- Coloque-o no jantar conosco. – Lily sugeriu com diversão. – Imagine só, que belo jantar em família...
Ela só estava brincando, mas Daisy pareceu se animar com a ideia. De todas eles jantarem, e deixarem um lugar na mesa para o laptop onde James provavelmente os assistiria comer.
- É uma boa ideia, de fato. – Daisy sorriu. – Uh, eu perdi o telefone da vovó, mãe...
- Não tem problema, eu ainda tenho. – Tomou o que restara do chá. – Você vai apresenta-lo assim a todos? Um atrás do outro?
- Não olhe pra mim, ele é que está louco de vontade para conhece-los. – Daisy disse. – E eu me sinto na obrigação sabe? O pai dele me convidou para a abertura dos jogos de Polo em Abril. Eu passei um fim de semana em Highgrove e sabe, foram todos tão gentis e amáveis, tão diferentes do que eu esperava.
- Parece assustador, não é? Mas são gente, como a gente...
- Sim. – Daisy sorriu e suspirou. – Charles foi simplesmente o homem mais atencioso e amável que eu já conheci. Ele me mostrou a propriedade de Highgrove inteira e você tinha que ver como me tratava, como me enchia de histórias da infância de Harry. Camilla, aquela mulher é uma tranquilidade, uma paz...
- Os dois são. – Concordou Lily e suspirou. – Eu fico feliz que você tenha se encaixado. Você merece. Você está radiante, Daisy.
- Sim, eu estou. – Ela concordou. – Obrigada mãe...
- Não é nada. – Deu de ombros.
Chegou o momento em que o celular de Daisy tocou e ela murmurou algo como ‘ah você já chegou?’ e então disse ‘ok, me dê um minuto’. Lily já podia imaginar o que vinha e por isso, tratou de ficar em pé, assim que viu os movimentos de sua filha.
- Ele disse que viria me buscar, porque tem um evento beneficente perto do meu prédio. – Compartilhou Daisy, enquanto colocava a bolsa no ombro.
- Está tudo bem. – Lily suspirou e começou a acompanha-la até a porta. – Eu tenho pilates em trinta minutos.
Já na porta aconteceu aquele momento estranho que Lily aguardava enquanto Wanda pegava o casaco de Daisy e ajudava sua filha a coloca-lo, até que então a agradecia e então levava à mão a maçaneta.
- Eu te mando uma mensagem com o horário. – Disse Daisy abrindo a porta. – Obrigada de novo...
- Pare de me agradecer – Murmurou. – E uh, não faça massa ou coisa do tipo. Eu não como carboidratos no jantar.
- Ah claro. – Acenou Daisy, com o cenho franzido e Lily se deu conta do que fizera para apressar-se a corrigir.
- Digo... Bem eu opto por não comer carboidrato. Se você quiser faça, o jantar é seu.
- Não, está tudo bem. Eu posso fazer uma carne assada ou coisa do tipo. – Daisy suspirou. – Até amanhã Lily.
Da porta, Lily assistiu sua filha em passos apressados seguir até o Land Rover estacionado na frente de sua casa. Ela parou brevemente para cumprimentar e sorrir, para o Oficial de Proteção Real até que Daisy por si mesma abriu e fechou a porta do carro.
Eles não ficaram ali por sequer mais um segundo. O motorista acelerou e através dos vidros escuros, não era possível ver qualquer vulto lá dentro.
Lily permaneceu na porta, até que o carro fizesse à curva da esquina, que os levaria de volta a portaria.
-x-
- Você fica tão bonito de terno...
Harry sorriu enquanto via os dedos gentis de sua namorada refazerem o nó de sua gravata. Dentro do carro, eles atravessavam Londres indo para o prédio que Daisy vivia. Ele só lamentava que não pudesse subir e passar um tempo com ela, porque dali seguiria a um evento beneficente como Representante Real.
- Obrigado meu bem. – Disse beijando a mão dela quando Daisy enfim terminou de arrumar o nó de sua gravata. – Mas eu pensei que você tivesse uma queda por homens em uniforme...
- Ah você sabe, eu estou adorando você de executivo. – Daisy provocou, se referindo ao novo trabalho de Harry, que não podia ser mais longe de um soldado. Ele era agora um membro da Blues e Royals, contrato de dezoito meses. – Mas nada como um homem fardado, você tem razão.
- Esse homem sou eu, imagino. – Aproximou a testa dos dois e beijou a ponta do nariz dela. – Deus, você é linda... É uma vergonha que eu tenha que ir a esse jantar.
- Não diga isso, é por uma boa causa. – Murmurou Daisy tocando a perna de Harry. – Ah, eu não te disse... Amanhã à noite? Confirmadíssimo.
- É mesmo? – Perguntou empolgado e sorrindo. – Lily concordou então?
- Sim, mas a sua lasanha fica para uma próxima. Lily não come carboidrato no jantar.
- Ah querida, você sempre pode fazer a lasanha pra mim. – Harry deu de ombros e tocou o rosto dela. – Você vai ver... Vai ser ótimo.
- Eu não tenho certeza disso, mas...
- Vai ser ótimo. – Harry repetiu querendo tranquiliza-la e a beijando nos lábios. – Ugh, eu não quero ir, eu quero ficar com você...
Daisy sorriu e ajoelhou-se nos assentos do carro passando os dois braços ao redor do pescoço de Harry. Como de costume, o painel estava erguido. Na maior parte das vezes, eles deixavam daquela forma, para evitar qualquer constrangimento para Simon.
- Você está louco querendo que eu diga para que você apareça depois do evento, para dormir em casa comigo né?
- Morrendo. – Admitiu e beijou o colo exposto pela gola da blusa, tocando a cintura dela e sentindo que poderia jogá-la sobre aquele banco e esfregar seus lábios por toda a extensão do corpo moldado por Afrodite.
- Bem... Meu irmão vai estar em casa essa noite.
- Hm. – Ele já se sentiu um pouco decepcionado, e ficou mais ainda quando ao tentar abaixar o decote da blusa que ela usava, Daisy o impediu. – Humph...
- E se você for bastante silencioso, entrar de fininho e não acordar ninguém, talvez eu deixe a chave embaixo do tapete, pra você entrar... – Daisy disse por fim, o fazendo encará-lo tornando a ressaltar. – Sem acordar ninguém. O proletariado aqui acorda cedo amanhã.
Harry sorriu e acenou com a cabeça para beijá-la no rosto, concordando silenciosamente com aquilo. Só de pensar em dormir numa cama mais quente, mais apertada e acordar com o cheiro inebriante de rosas brancas e morangos já o deixava de melhor humor.
Se dependesse dele, não dormiria uma noite sem ela.
- Pra mim está ótimo. – Respondeu, ao ver que ela fazia questão de uma resposta.
- Ótimo. – Sorriu.
Eles estavam conversando sobre o decorrer de seus respectivos dias. Harry gostava daquele momento entre os dois, porque se fosse pra ser honesto, ela havia sido sua primeira namorada que parecia interessada em saber de fato em como havia sido seu dia.
Ela perguntava sempre sobre as pessoas ao redor – mesmo aquelas que não conhecia – e sempre queria saber sobre o seu trabalho. Seja Real ou Militar, ela sempre queria saber.
-... É um passo importante e eu entendo isso, mas é chato demais ficar trancafiado num escritório. – Resmungou e então abriu um sorriso. – Oh é mesmo! Eu fui chamado a atenção!
- Harry. – Replicou Daisy com seriedade. – Isso não é coisa pra fazer graça...
- Mas isso tem graça! – Assegurou-a. – Digamos que suas concorrentes, ficam me esperando do lado de fora do prédio. Quando me disseram, eu nem acreditei, juro, mas elas ficam. Elas fazem até mesmo plaquinhas ‘Harry tira uma selfie comigo’ e essas coisas...
- Você está brincando né?
- Não estou! – Harry disse em tom de promessa. – Eu pretendia pergunta-las se elas não estavam confundindo os Harry’s, mas você sabe, eu não posso simplesmente parar e bater um papo com elas, enquanto não estou em Serviço Real.
- Uau! – Daisy riu e tinha os olhos arregalados. – Eram meninas, provavelmente né? Digo, doze anos... Por algum motivo, crianças amam você.
- Isso porque sou adorável, mas acredite em mim quando digo, que tinha mulheres lá. Maioria, claro, se tratava de meninas ou crianças, mas tinha algumas mulheres.
- Ugh vejam essas safadas querendo a atenção do meu homem... – Resmungou Daisy brincalhona.
- Ah seu homem? – Harry riu e acenou com a cabeça. – Eu gostei, eu acho ótimo ter esse título.
- O Harry da Daisy.
- A Daisy do Harry. – Murmurou tocando a testa dos dois novamente e admirando o sorriso deslumbrante que ela carregava nos lábios. Uma das melhores coisas sobre Daisy é que ela estava sempre distribuindo sorrisos. – Ei, eu tenho que lhe perguntar uma coisa...
- Não fui eu.
- Ugh, até parece... – Harry rolou os olhos, mas então se afastou para poder olhá-la.
Ele estava meio nervoso e durante aquela tarde, gastara um bocado de tempo discutindo a situação com Edward, seu assessor e felizmente os dois haviam chegado a um consenso.
- Vai ter essa festa comemorativa para os dez anos de Sentebale... – Começou e pegou a mão dela. – E eu adoraria que você fosse, honestamente.
Daisy sorriu e parecia surpresa. Ela não falou nada de imediato, mas parecia estar pensando na proposta de Harry.
- Ok, digamos que eu aceite... – Ela provocativamente, sorriu. – Eu seria sua acompanhante?
- Você certamente seria minha acompanhante querida. – A beijou nas mãos. – Mas eu estarei lá como anfitrião, Seeiso e eu estaremos promovendo isso tudo e é muito importante que eu dê atenção a todos, mas é claro que lá, você estaria como minha namorada, na minha mesa e tudo o que tem direito.
- Oh... – Daisy acenou com a cabeça. – Na sua mesa? Você acha que é apropriado? Levando em conta o protocolo e todo o resto...
- Eu tomei uma opinião com meu pai e William. – Harry admitiu. – E eles não viram grande problema nisso. Obviamente o protocolo diria para que você e eu mal nos encarássemos na festa, mas como eu disse eu quero você como minha acompanhante. A única coisa que eu lamento é que não possamos chegar juntos... Isso, aliás, quando se trata de obrigações Reais, eu nunca vou poder fazer. Não podemos chegar juntos, mas podemos ir embora juntos, claro.
- Isso faz toda a diferença, é claro. – Debochou Daisy, porém estava mais se divertindo do que recriminando ao protocolo. – Ok, eu adoraria! Quando é?
- Maio. Eu resolvi deixa-la ciente com antecedência. – Explicou, ao ver a careta no rosto dela, pela distância. – Estamos a um pulo de Abril e que por acaso é o casamento de Guy... Você não vai me acompanhar mesmo?
- Ah Harry, eu não posso, honestamente. Até porque eu não gosto de sequer pensar na repercussão que daria isso... Diriam que você está me bancando, inventariam coisas, ugh, não.
- Estão te incomodando muito? – Perguntou preocupado.
- Não. Olha, pra ser honesta eu não leio, mas eu imagino que é isso o que as pessoas pensariam de mim. – Encolheu-se. – Eu prefiro não ir e até porque nem Zoe, Missy ou Kate está indo! Por que eu deveria ir?
- Ok, eu entendo. – Harry acenou com a cabeça e sorriu. – Logo após o casamento, você sabe, eu viajo... Vai ficar bem sem minha presença alguns dias?
- Me pergunte isso quando você viajar. – Sorriu.
Eles não demoraram a estacionar de frente para o prédio de Daisy e quando os fotógrafos que estavam ali se deram conta do Land Rover preto – a marca Real – os rodearam como cães furiosos e famintos, clicando suas câmeras e jogando flashes através dos vidros.
- Pelo amor de Deus, o que é isso?! – Harry replicou para Daisy e a impediu de abrir a porta. – Daisy, você não vai sair nessa bagunça.
- Harry, eu estou acostumada, honestamente. – Revirou os olhos e riu da preocupação dele.
- Não era pra você estar acostumada! – Aturdiu-se e estava pronto para abaixar o painel e pedir para Simon conduzi-la até a porta do prédio, em segurança, quando escutou o barulho da porta se abrindo. – Daisy, onde você pensa que vai?
- Eu sei cuidar de mim Wales. – Daisy revirou os olhos e então sorriu antes de abrir a porta. – Eu te espero essa noite.
Harry balançou a cabeça negativamente, enquanto a via passar elegantemente em meio aos flashes, sem abaixar a cabeça ou aparentar estar intimidada. E todos os dias, era como se Daisy apenas quisesse dá-lo mais uma razão de porque Harry deveria se casar com ela.
Sorrindo, assim que a viu passar pelas portas de vidro e trocar algumas palavras com o porteiro, o carro seguiu em frente.
-x-
Ao passar pela porta de casa, Daisy soltou um longo suspiro aliviado e sorriu imediatamente ao ser recebida por Wonka que veio a todo vapor, abanando o rabo e latindo para sua mamãe
A melhor coisa do mundo era chegar em casa e ter alguém esperando por você, louco de felicidade e querendo dar-lhe beijos! Claro que no momento, as únicas duas pessoas que faziam aquilo era Wonka e Nate – e ele só esperava, porque queria o jantar.
Surpreendentemente, ao chegar em casa, não encontrou Nate. Na verdade, achou um bilhete sobre o balcão.
Vou passar a noite fora.
Não se preocupe, não é na Beverly.
X, N.
Balançando a cabeça negativamente, Daisy perguntou a si mesma se seu irmão pensava que ela havia nascido no dia anterior, porque naquela manhã ainda o escutara no celular com aquela menina maldita. Ela só não imaginava que fossem se encontrar!
- Parece que somos só nós, Wonka. – Murmurou tristemente para o filhote.
Ela fez o ritual sagrado de sempre e ligou para a pizzaria dos Gardiman, fazendo pedido de uma pizza metade calabresa e metade quatro queijos, porque para Daisy não fazia sentido nenhum cozinhar para si mesma – e também porque ainda mais que isso, ela amava pizza e estava morrendo por uma boa fatia gordurosa, no momento.
Após banho tomado e constatar que em alguns minutos a pizza chegaria, a princípio seu plano era de sentar no sofá e assistir televisão até a hora que Harry chegasse – isso é claro, se não adormecesse antes – mas o laptop de Nate, ligado a fonte sobre o sofá chamou sua atenção.
Daisy havia achado uma ideia criativa a de Lily, fazerem do jantar do dia seguinte literalmente um jantar de família. Provavelmente, seria o jantar mais estranho de todos os tempos, mas os Cooper – e nem os Mountbatten-Windsor – eram conhecidos por um histórico realmente ‘normal’, então, Daisy não viu qual era a má ideia daquilo.
Ela sabia que no Brasil, ainda era cedo. Não devia sequer ter anoitecido por lá, devia ser por cerca de umas três da tarde se não estivesse enganada e com um pouco de sorte, talvez James estivesse online.
Mandou-o uma mensagem, sabendo que ele a receberia pelo celular. Ele estava off-line, mas dois minutos depois, visualizou e Daisy viu as reticências indicando que seu pai estava escrevendo.
Daisy Cooper says: Pode falar agora?
James Cooper says: Sempre! Aconteceu alguma coisa?
Daisy em dígitos rápidos, respondeu ao pai. Ela contou-o brevemente sobre sua apresentação a família de Harry e disse que gostaria de fazer o mesmo, para o namorado. Naquela tarde, tivera a ideia de fazer um jantar em família e que gostaria que ele se fizesse ‘presente’.
Daisy Cooper says: Eu sei que está em cima da hora e se senhor não puder, esta tudo bem, mas é porque eu realmente fazia questão que ele ao menos fosse ‘apresentado’ a você e a Lily.
James Cooper says: Está tudo bem, eu posso é claro. Me mande uma mensagem antes e então, me conecto no Skype.
Respirando, aliviada de que seu pai concordara com aquilo e facilitara sua vida, Daisy digitou a resposta.
Daisy Cooper says: Sim, mas o jantar deve ser em torno das sete, então esteja atento ao seu celular.
James Cooper says: Eu o trato por Sua Alteza Real?
Daisy Cooper says: Não. Harry está ótimo. Ele provavelmente vai lhe dizer isso, antes que você sequer pense em chama-lo de algo.
James Cooper says: Certo. Bem eu falo com todos vocês amanhã, minha bateria está por um fio. Até o jantar
Respirando aliviada, ela saiu de sua conta do Facebook, tomando cuidado em checar suas caixas de mensagem e apagar suas conversas com seus amigos e também seu pai. A Família Real – e também seus relacionados – tinham um longo histórico de contas e telefones hackeados. Ela não queria ser uma dessas pessoas, especialmente considerando que não fazia tanto tempo desde as fotos.
Estranhamente, Daisy estava ansiosa para o jantar do dia seguinte. Ela não tinha lembranças de algo sequer parecido com aquilo e talvez eles acabassem sendo surpreendidos.
Não que todas as surpresas fossem ser boas, é claro...
"Y se lo creía. Los amigos cambiaban. Iban, venían, volvían, se marchaban. Pero hay algunos que se quedan, incluso cuando el viento los arrastra a otras orillas, para cumplir sus destinos."
*Narração Daniel*
Levantei-me de madrugada para pegar uma garrafinha d’água, e percebi que mesmo dormindo pelado com Elidio, eu estava todo suado devido ao excesso de calor que estava fazendo. Quando fui pegar água no frigobar, escutei Elidio acordando.
- Algum problema, Dani? São 3:30. - Lico perguntava numa voz fraca.
- Está tudo bem, Lico. Só vim pegar água. - respondi.
- Eu perdi o sono, está calor demais. - Elidio reclamava.
Me virei de frente pra ele e o agarrei.
- Você escutou? Eu estou com calor. - Elidio prosseguia.
- Se você estiver sem sono, eu tenho uma ideia. - sorri e pisquei.
- Estou sem sono, meu anjo. O que tem em mente? - Lico subiu a ponta dos dedos pelo meu braço.
- Coloque a bermuda e venha comigo. - ordenei.
Uma das coisas que mais amava em Elidio era o fato dele gostar que eu comandasse tudo. Amava esse poder. Quando colocamos uma bermuda, peguei a mão de Elidio guiando-o para fora do quarto. Guiei-o até a praia e ele me olhava confuso.
- “Bora” ver o sol nascer juntos? - abracei-o por trás olhando para o céu.
- Garanto que você tem outra ideia além dessa. - ele arranhava meu braço.
- Aqui está vazio, fresco, o que acha de você me pagar sua divida? - dei alguns beijos em seu pescoço.
Estranhei a atitude de Elidio, pois ele me puxou para perto do mar. Então, ele abaixou meu corpo fazendo com que eu deitasse. Deitei na areia de modo que apenas minhas pernas eram tocadas pelo mar Lico então tirou minha bermuda jogando-a para o lado, colocou seus braços ao lado do meu corpo e tentou pegar meu membro apenas com a boca. Peguei o mesmo com a mão e passei pelo rosto dele, até Elidio abocanhá-lo por inteiro. Elidio começou com movimentos intensos e rápidos, e eu deixava meus gemidos fluirem, enquanto Lico me fitava e passava sua lingua em todo meu membro. Da base até a cabeça. Aquilo me enlouquecia ainda mais, pois sua boca era pequeninha e ele tentava pôr o máximo que conseguia em sua boca. O frio que fazia me arrepiava bastante e Elidio voltou com movimentos frenéticos e intensos. Segurei um pouco para aproveitar mais o movimento, e Elidio chupava meu membro até o fim, seguidas vezes. Até que não consegui mais e gozei na boca dele. Lico então sorriu pra mim e entramos no mar, apenas de bermuda. Elidio vinha pra cima de mim, me “afogando” e depois eu corria até ele para “me vingar.” Colei meu corpo no de Lico e andei com ele pra trás, onde estava mais fundo e o abracei forte beijando-o todo.
- A gente vai gripar desse jeito. - Lico riu baixinho.
- Não estou preocupado com isso não, Lico. - retribui o sorriso.
Depois de um tempo na água, saimos da mesma e nos deitamos na areia, e faltam apenas 30 minutos para o Sol nascer.
- Você vai sentir saudade daqui, Dani? Porque eu vou. Até demais. - Lico dizia.
- Eu vou sentir falta de que aqui nós temos mais tempo, é um lugar mais tranquilo… - eu respondia.
- Você já decidiu o que faremos ao voltar? Você vai se mudar pra minha casa? - Elidio questionava.
- Ah, Elidio… Querer eu quero. Porém, o que direi a minha mãe? Meu pai e minha familia? - disse apreensivamente.
- Conte a verdade. Você não precisa dar um choque neles, diga aos poucos… - Elidio pedia.
- O que quer dizer com isso? - indaguei.
- Diga que vai passar uma semana comigo. Depois, diga que precisa ficar mais uns dias, até se sentir preparado para contar. - Lico sorriu.
- Tudo bem, Lico. Falta só mais duas semanas, temos muito o que aproveitar ainda. - sorri de lado.
Perdemos a noção do tempo e vimos o Sol nascer.
Dei um beijo demorado em Elidio e nos levantamos para voltar para o hotel. Até que, meu celular apitou e era uma mensagem de Anderson. “Estou com Melissa no hospital, ela teve queda de pressão e desmaiou. Se quiserem venham visitá-la.” dizia a mensagem.
*Narração Anderson*
Quando Melissa havia se levantado para ir ao banheiro, ela desmaiou . Então, levei-a ao hospital e passadas 1 hora eu estava esperando noticias dela.
- Senhor Anderson, pode vir aqui para noticias. - o médico me chamoj até sua sala.
- Doutor, o que ela teve? Foi só a pressão que baixou mesmo? - eu perguntava preocupado.
- Foi sim, ela está se recuperando no quarto ali do lado. Eu vou receitar um remédio pra ela, pois ela está muito fraca. Ele irá agir como um complemento vitaminico mesmo. Antes, preciso fazer algumas perguntas de rotina. A paciente tem alguma alergia, está grávida? - o médico perguntava.
- Ela está grávida, doutor. E ela não tem alergia não. - respondi. - O bebê irá sofrer alguma consequência? - perguntei apreensivo.
- Iremos fazer alguns exames, ultrassom de rotina para olharmos a situação do bebê e já já te chamamos. - o médico explicava.
Voltei para o corredor e fiquei na espera de mais noticias.
*Narração Melissa*
Anderson havia me levado ao hospital depois de eu ter desmaiado, e o médico chegou ao meu quarto para conversar.
- Melissa, seu namorado nos informou que você está grávida, então você será submetida a alguns exames. - o médico explicou.
Engoli em seco e já estava pensando no que ia fazer. Pedi ao médico para usar meu celular para uma mensagem e enviei à Julia: “por favor, venha ao Hospital. Traga o alguns utrassons antigos e o boletim médico que confirmou sua gravidez. Procure meu quarto e venha até ele. É urgente! Beijos, Melissa.” Minha única esperança era Júlia, então resolvi esperar por ela. O médico fez exame de sangue em mim e me submeteu ao ultrassom. Ao ver pelo visor que não havia nenhum indicio de gravidez, ele me disse que eu não estava grávida.
- Eu tinha feito testes de farmácia e um deles deu positivo, e nos apegamos a isso. - eu justificava.
Quando a enfermeira chegou com meu exame de sangue, tive a confirmação de eu não estar grávida.
- O Anderson é muito emotivo, por isso, deixe que eu mostro os resultado pra ele através dos exames. - eu sorri.
O médico então concordou e me entregou os resultados em um envelope, me dando alta. Quando estava saindo do consultório, Júlia apareceu toda ofegante.
- O que foi, Mel? O que foi? Vim assim que recebi sua mensagem. - ela dizia vindo me abraçar.
- Me dê os negócios logo. - eu disse pegando da mão dela.
Troquei os exames dentro do envelope, e fechei-o de novo. Joguei os verdadeiros fora e fui para frente me encontrar com Anderson.
-Babi, você não precisa fazer isso - Anabel falou apreensiva.
-É, a gente vai te ajudar com tudo - Isabela completou.
-Obrigada - Babi respondeu ainda com os olhos cheios de lágrimas - Mas eu tenho que ir. Vou pra cidade da minha tia. Acho que meus pais iam querer isso.
-Babi, mas... - Bia começou a falar, mas uma lágrima caiu de seus olhos - A gente vai ficar com saudade demais.
-E o Edu? - Melanie perguntou pra Babi - Ele sabe disso?
-Ele é o pai do... do neném. Eu contei pra ele quando soube. Ele falou que ia me apoiar no que eu fizesse, e ele ia ficar do meu lado.
-Então ele vai se mudar com você? Ops, vocês? - Emma se corrigiu. Afinal, agora eram a Babi e o bebê.
-Vai sim. Fiquei super feliz com isso - Babi falou.
-Ei, mas a gente vai te visitar, ok? - Isabela falou.
-E vocês vêm visitar a gente também - Leticia completou.
-Logico. Mas, vamos acabar com o baixo astral. Nós vamos ser titias! - Bia falou tentando anima-las e deu certo.
-NÃO QUERO NEM SABER, VOU SER A MADRINHA - Anabel gritou.
-NADA A VER! SOU EU! - Melanie contestou.
-QUIETAS, PORQUE VAI SER EU - Isabela falou.
-Meninas - Babi falou com um sorriso no rosto - Não tem como ser todas vocês, né. Mas todas vão ser madrinhas de coração do Matheus.
-Matheus? - Mel olhou intrigada - Faltam meses pra fazer o exame pra saber o sexo do bebê.
-Eu sei. - Babi falou - Mas.. sei lá... eu sinto que vai ser um menininho.
-Adorei o nome! - Isa falou - E se for menina o nome vai ser Isabela. Talvez vai sair linda e perfeita igual a chará aqui - Elas riram.
-Não.. Se for menina vai ser Amanda - Bia falou e todas ficaram avaliando.
-É, Amanda... Gostei - Babi falou.
-Eu também.Parece nome de gente rica. - Emma falou e elas riram.
-Gente, esse nenem vai ser muito paparicado - Mel falou.
-Imagino - Bia comentou - Com esse monte de tias.. - Elas riram denovo.
-Ei, acho que eu.. ops, o neném quer comer brownie de chocolate com sorvete - Babi falou.
-É, o neném que deve estar querendo mesmo - Isabela disse e Babi soltou uma gargalhada.
-Huuum, acho que a gente não pode deixar nosso sobrinho com fome - Leticia falou - Acho que vamos ter que fazer brownies!
-Obrigada, bebê - Bia falou e deu um beijo na barriga de Babi, que riu denovo.
-Vocês fazem um bem pra mim tão grande.. - Babi falou e seguiu elas para cozinha.
-BABI! VAI TOMAR UM BANHO LOGO E VESTIR UMA ROUPA SECA! DEPOIS O NOSSO BEBÊ VAI FICAR RESFRIADO AÍ - Leticia falou.
-É, você ta ensopada da chuva ainda. Eu te levo lá no quarto - Anabel falou.
-Ei, que tal ligarmos pros meninos? - Mel sugeriu.
-Isso! Eu ligo pra eles - Isabela pegou o iPhone e começou a ligar pra eles.
-O Edu deve ter contado alguma coisa pra eles, sobre a Babi e tals - Melanie comentou baixinho com Bia.
-Acho que sim. - Bia respondeu - Ei, como você e o Lucas estão?
-Bem demais, graças a Deus.. Depois de tanta confusão, a gente conseguiu fazer com que tudo desse certo. E o Ric?
-Aiai. A gente nunca esteve tão bem antes.
-Ei, isso é otimo. Até que enfim nós duas conseguimos caras legais.
-É mesmo.. Lembra do 'Fábio-cabeça-de-melancia'?
-Cala boca, Bia! - Ela riu.
-Vocês engancharam os aparelhos na quarta-serie. - Bia ria freneticamente - Ai meu Deus! Ele tinha uma cabeça enorme!
-Você não pode falar nada, viu? Lembra do 'Nicolas-Nascimento-grafite 05' ?
-Aaaaah, pegou pesado - Bia falou.
-Ele era o cara mais feio e magro que eu já vi na minha vida.
-Ei, eu so beijei ele na quarta serie porque apostaram comigo. Não tenho culpa - Bia fez bico e Melanie continuou rindo.
-Nossos passados são cruéis - Mel falou.
-Demais. Nem me lembre.
-Ei, princesinhas! Vem ajudar na cozinha - Emma falou e elas duas foram ajudar. - Conversando sobre o que?
-Sobre como nossos passados não devem ser lembrados - Bia falou e ela e Melanie riram.
-Nem quero saber.. Até imagino - Emma falou.
A campainha tocou e Isabela correu pra atender. Eram Ricardo, Caio e Lucas.
-Oi, amor - Ricardo falou e deu um beijo na bochecha de Bia, que estava fazendo a massa do brownie e Lucas fez o mesmo com Melanie, que estava sentada arrumando os pratos e as forminhas.
-Ric - Melanie falou - Você conhece um tal de Nicolas Nascimento? Mais conhecido como grafite 05?
-CALA BOCA, SUA VADIA - Bia falou e começou a correr atras de Melanie que ria sem parar - Lucas, voce conhece Fabio-cabeça-de-melancia? - Elas cairam no sofá rindo.
-Vocês duas são loucas - Lucas falou deitando no meio delas e Ricardo o seguiu.
--Ei, Emma, a gente não que o brownie muito assado não - Melanie falou rindo.
-É, e tenta deixar ele bem bonitinho, não gosto de coisa feia - Bia falou, provocando Emma.
-Ei - Lucas falou - E como você gosta do Ricardo?
-Aaaah, viado! - Ricardo falou e eles cairam na gargalhada.
-AH, CALEM A BOCA VOCÊS DUAS - Emma olhou e ameaçou jogar uma colher nelas - Vocês nunca me ajudam. Isso é exploração, suas feias. Só porque eu cozinho divamente, vocês me usam. Não sou tia Anastasia não... - Ela continuou falando e depois parou e começou a rir.
-Já disse que vocês são doidas? - Lucas perguntou.
Mas não era tão simples, não é tipo nos filmes que bastam duas pessoas se amarem que tudo ao redor vai girar ao seu redor. Tem muita coisa em jogo. Por exemplo: eu não posso jogar fora tudo o que rolou tudo entre eu e o Renan, ele era importante pra mim. Assim que chegamos em casa eu sentei pra conversar com o Vinicius.
- Assim, tu sabe que eu te amo, mas não é tão simples assim, Vini, aconteceu muita coisa nesse tempo que a gente ficou separado, eu não posso simplesmente apagar tudo o que aconteceu e correr pra você.
Ele me olhou como se entendesse todos os motivos.
- O que você quer dizer é que você não pode apagar seu namoro com o Renan né?
Eu fiquei meio sem graça.
- É por aí.
- Eu entendo, na boa. Mas cê sabe, dividir você com os meninos é até aceitável, só que com o Renan eu fico com medo de ele roubar você da gente.
Fiquei surpresa e relaxei.
- É com isso que você ta preocupado?
- É.
- E eu pensando que você tinha um ódio assassino por ele, mas relaxa ele não vai me roubar de vocês, ele que falou pra eu ir quando o Joe falou que tu ia embora.
- Ele fez isso mesmo?
Contei o que tinha acontecido no banheiro até o momento de chegar no aeroporto.
- Ainda acho que ele vai roubar você.- Disse sorrindo e brincando.
- Bobo!- Bati no seu braço.
- Eu vou te dar o tempo que precisar pra pensar.
- Tu não sabe como eu fico feliz em ouvir isso.
- Bom, eu vou lá pra casa desfazer as malas e pa.
Me deu um beijo e depois ficamos com as testas encostadas até que ele foi, quando estava na porta eu encostei nela.
- Vini?
- Oi.
- Não vai embora mais.
- Nunca mais.
Fui pro meu quarto e fiquei deitada encarando o teto, mas não conseguia pensar em nada direito que ia começando a pensar em outra. Precisava esfriar cabeça, sozinha, mas volta e meia a Kim ta no terraço, então onde? Ah, tem o lugar que o Renan me levou, mas será que ele se incomodaria se me encontrasse lá? Acabei resolvendo ir, tinha tipo um banquinho de praça perto da ponta, me sentei ali e fiquei vendo tudo. Era tudo tão bonito, sereno, mas ao mesmo tempo cheio de luzes e movimento.
- Aqui é bom pra pensar né?
Me assustei e virei pra trás, era ele.
- Se quiser posso ir embora, não deveria ter vindo.
- Fica, queria poder te ver mesmo.
- Senta ai.
Ele se sentou do meu lado.
- E então, se acertaram?
- Na real?
Ele concordou com a cabeça.
- Não. Ele disse que ia me dar tempo pra pensar.
- Pensar no que?
- No que fazer, não posso pegar nosso namoro e jogar no lixo.
Seus olhos reluziram.
- Você não ta namorando ele por minha causa?
- É, eu tenho que resolver o que vou fazer da minha vida.
Fiquei encarando meu colo, ele levantou meu rosto até a altura do dele e colocou meu cabelo atrás da orelha, pus a mão no lado do rosto e fiquei fazendo carinho. Ele se aproximou um pouco, me olhou nos olhos e quando viu que eu não ia recuar me beijou, com calma e leveza, mas ao mesmo tempo com intensidade e sem pressa. Aquilo parecia tudo menos errado, sabe? Quando nos afastamos ficamos nos olhando nos olhos um do outro e quando vimos estávamos nos beijando de novo e de novo, de novo e de novo. Agora eu tinha uma certeza, que só complicaria a minha vida, mas era concreta. Afastei-o, ele me olhou confuso.
- O que foi? Não gostou?
- Gostei, mas preciso te dizer uma coisa.
- Fala.
- Eu tenho certeza.
- Certeza do que?
- Eu tô apaixonada por você, pode até não ser amor, como eu sinto pelos meninos, mas é forte. Eu estou apaixonada por você, Renan.
Voltei a beija-lo sem nem o deixar responder alguma coisa.
- Como eu amo esse teu jeito.- Murmurou enquanto me beijava.- Amo mais ainda você inteira.
Soltei uma risadinha e como estávamos nos beijando fez um barulho estranho, começamos a rir que nem crianças. Ele deitou no banco e ficou com a cabeça no meu colo.
- E o que você decidiu?
- Ainda não decidi.
Meu celular começou a apitar alto, peguei, tinham me mandado um vídeo, apertei pra começar. Começava com o Travis sentado numa cama, não parecia ser a dele, e ele não parecia notar que estava sendo filmado. Depois apareceu a Nicole de calcinha e sutiã e sentou de pernas abertas, de frente pra ele, no seu colo.
- Não, Nicole.
- Ah, vai, ela nem vai ver.
- Eu não gosto de enganar ela.
- O que os olhos não vêem o coração não sente, além do mais ela esta com aquele playboyzinho do Renan.
- Mas eu gosto dela.
- Parece que ela já te superou, Trav.
- Isso é mentira.
- Não é o que parece.
Ele bufou e ela o beijou, primeiro ele recuou a empurrando, mas depois foi cedendo. O mais estranho é que eu não senti NADA, apenas nojo. Foi muito estranho, não sentir nada vendo a pessoa que a um tempo atrás você amava transando com outra. Mostrei o celular para o Renan, ele murmurou um “babaca”.
- O que tu vai fazer em relação a isso?
- Nada.
- Nada?!
- Eu acho que não sinto mais nada por ele, sei lá.
- Isso é bom…
- É…
Fiquei vendo a paisagem e ele me olhando de vez em quando, estava brisando quando a voz dele me trouxe de volta.
- O que você tava falando?
- E aquele tesão todo que cê tinha?
Sorri e fiquei mordendo os lábios.
- Ta aqui.
Ele puxou devagar meu rosto e me beijou com ferocidade. Depois ficou de joelhos na frente do banco e me puxou mais pra beira, foi tirando meu shorts até os tornozelos e o tirou, em seguida enfiou a cara no meio das minhas pernas e começou a me chupar e a me penetrar com a língua. Fiquei acariciando e puxando de leve seu cabelo, quando estava quase gozando ele saiu, o sentei e assumi sua posição tirando sua calça, fazia movimentos de vai e vem , quando senti que ele estava quase lá parei e sentei em cima dele na mesma posição que a Nicole estava no vídeo. Foi assim até o amanhecer, quando o sol foi surgindo colocamos nossas roupas e ficamos abraçados.
- Vamos pra minha casa, Rê?
- Ok.
Fomos com o carro dele, quando chegamos o pessoal me olhou com alívio.
- Onde você tava, sua puta?- A Marina veio me abraçando e me deu um beijo no canto da boca.
- Tava com o Renan.
- Novidadse! Quero novidades! Por que não atendeu a porcaria do celular?
- Não escutei tocar.
- Tava ocupada é?
O Renan me abraçou pela cintura.
- Oh se tava. Não tens que conversar com alguém?
- Tens razão. Já falo contigo Mari, tenho assuntos pendentes.
Fui até o sofá e puxei Travis pela mão, fomos até meu quarto, fechei a porta e o empurrei com força contra ela, o beijei e constatei o que já imaginava, não senti nada, puxei meu celular do bolso e quase enfiei na cara dele mostrando o vídeo.
- Quem te mandou isso?
- Deixa eu ver…- Vi na tela.- Tem uma chance pra adivinhar, se errar posso te castrar.
- Nicole.
- Ding-Ding, temos um vencedor! Não é hoje que você fica sem suas bolas, vai comemorar como? Transando com alguma vadia? Afinal, o que os olhos não vêem o coração não sente, tô certa? Agora vaza daqui!
Ele foi sair, mas eu bloqueei a porta.
- Ah, só mais uma coisinha.
Abracei ele pelo pescoço e dei uma joelhada no meio das pernas, ele colocou as mãos lá e fez uma cara se dor que me fez até rir.
- E não reclama, assim você pode catar as vadias tudo e não se preocupar em ter filhos com elas. Agora pode ir.
Dei passagem e ele saiu, os meninos vieram pro quarto e ficaram fazendo mil e uma perguntas.
- Vou só pegar uma vodka e já volto, se socializem e quando voltar não quero nem um roxo e nenhuma gota de sangue a menos.
Fui até a cozinha, peguei o maior copo, peguei o liqüidificador pus vodka, morango, gelo e açúcar, bati tudo, depois enchi o copo e voltei pro quarto. Fiquei até surpresa ao ver o Renan, o Igor, o Vinicius e o Thiago conversando normalmente. Sentei na cama e fizemos uma rodinha, o copo foi passando de pessoa em pessoa, quando acabou fui pegar mais, ouvi um choro fraco quando sua do quarto, parecia vir do quarto da Alice, enchi o copo, dei para os meninos e fui até o quarto dela. Ela estava curvada sob um pedaço de papel na escrivaninha, bati na porta de leve e entrei, me agachei a seu lado e pus a mão nas suas costas em busca de reconforta-la.
- O que aconteceu?
- Eu não posso contar, ninguém pode saber.
- Eu não vou contar pra ninguém, prometo. Confia em mim.
Ela se virou pra mim com os olhos marejados.
- Alaska, Eu tô gravida.