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Capítulo 49
Grand Princess <3
Capítulo XLIX
- Como está à Itália, amor? – Perguntou radiante, enquanto via a imagem tremida de Harry na tela do notebook. Ela estava na verdade, preparando o almoço de domingo.
- Está sendo incrível querida, um povo maravilhoso, mas eu sinto sua falta. – Ele sorriu amavelmente. – E sinto falta da sua comida. O que você está preparando?
Capitulo 49
*Narração Giovana* Ontem à tarde insisti em ligar para o celular de Elidio, e nada. Caixa postal. Tentei ligar à noite e deu na mesma. Era sábado à noite então pensei que ele e Daniel estariam... ocupados. Foi quando eu dormi. Acordei no domingo com o barulho chato do meu despertador, e quis jogá-lo no chão. Hoje era o dia que Felipe me apresentaria à sua familia, porém, eu não queria ir. Sai da minha cama e fui em direção às escadas, quando ouvi uma discussão. - Anderson, você têm que expulsar sua mãe de casa. Iremos nos casar, quero privacidade! - Melissa gritava. Me questionei porque os dois estariam naquele assunto e me lembrei que na quarta-feira eles iriam embora. E eu e Elidio tinhamos somente alguns dias para agir. - Melissa, eu não vou expulsar minha mãe. O que tem ela ficar conosco? Teremos até ajuda para olharmos o bebê. Que chatice sua! - Anderson batia a mão na mesa. Fiquei na ponta da escada ouvindo tudo, até os ânimos acalmarem e eu poder descer. - É o primeiro homem que eu vejo que prefere uma velha coroca do que uma mulher como eu. - Melissa aumentava o tom. Depois de ouvir Mel dizer isso, quis jogar meu sapato na cabeça dela, porém, fiquei na minha. - Velha coroca? É assim que quer entrar pra minha família? Se você continuar chata te deixo aqui, imbecil. - Anderson dizia ainda mais nervoso. - É assim que fala da mãe do seu filho? Se você me deixar, você nunca irá ver o rosto dessa criança, nunca! - Mel sapateava no chão fazendo teatro. - Às vezes eu queria ter engravidado a Giovana. Para sentir a diferença entre ter uma criança e uma mulher ao meu lado. - Anderson desabafou. Quando ouvi aquilo meus olhos encheram d'água, e minha vontade era de pular e abraçar o Anderson. - O que você disse? O que você disse, Anderson? - Melissa disse pegando uma panela e indo em direção a ele. Desci apressadamente e impedi Giovana. - Dá pra parar com esse barraco na minha casa? Melissa, dá pra ouvir seus gritos lá de cima, parece que está com o demônio no corpo. - eu disse tomando a panela da mão dela. - Eu odeio vocês, e eu te odeio, Giovana. - Melissa se desvencilhou dos meus braços. - Porque você entra tanto no meu caminho? - ela me olhou nos olhos e me deu um tapa na cara. - Melissa - quando tentei ir atrás dela, Anderson me abraçou pela cintura e me abraçou forte. - Calma, Gio. Deve ser os hormônios dela. - Andy dizia passando a mão pelo meu cabelo. - Tudo vai ficar bem. - ele dizia calmamente. - Eu... Nunca fiz nada pra ela, Anderson. - eu dizia em meio às lágrimas. Anderson segurou meu queixo e olhou nos meus olhos. - Eu nunca vou amar ninguém como te amo. Apesar de você nunca ter me aceitado, é meu dever cuidar de você. - ele disse com os olhos se enchendo d'água. - Para, Anderson. Para. Me deixa. Vocês vão se casar... Seu dever é cuidar dela. - respirei fundo enxugando minhas lágrimas e me livrando dos braços dele. Subi até meu quarto, peguei minha bolsa e sai imediatamente. Estava cada vez mais dificil lidar com Melissa. Eram 12:00 e eu tinha que estar na casa de Felipe 13:00. Mandei uma mensagem à ele: "estou com muita cólica, Lipe. Depois remarcarmos. Peça desculpa a todos." Fiquei dentro do meu carro pensando pra onde eu poderia ir, então tentei ligar para o Elidio novamente. Depois de muito chamar, ele atendeu. - Alô? Giovana? - Daniel dizia. - Oi, Daniel? Onde está o Elidio? - perguntei. - Ele está tomando banho, acabamos de acordar. Ele pediu que eu atendesse. - Dani completava. - Bom, então deixa... - lamentei. - Espere, Gio. Ele já saiu do banho, vou repassar. - Dani finalizou. - Oi, Gio. Aqui é o Lico. - ele falava. - Aconteceu coisas terríveis agora cedo, se você e Daniel estiverem desocupados, posso passar a tarde ai? Não tenho pra onde ir. - disse segurando o choro. - Mas é claro, Gio. Pode vir pra cá, agora. Dani não irá se importar, né Dani? - ele gritava para Daniel. - Tudo bem, obrigada, Elidio. Estou indo pra ai agora mesmo. - finalizei desligando a ligação. *Narração Elidio* - Vai tomar banho agora, Dani... Eu já acabei. - eu disse. - Estou com preguiça, Lico. - Dani reclamava. - Sua preguiça se chama, "só tomo banho se for com você." - eu disse. - Daqui a pouco a Gio chega, vai, rápido. - Vem comigo, Lico... - Dani disse puxando minha toalha, fazendo-a cair. - Daniel! - disse colocando-a novamente. - Depois a gente, você sabe... Quando a Gio for embora, nós aproveitamos. - disse firme. - Ah, que saco. Manda ela esperar um pouco. 20 minutos e eu encerro o serviço. - Dani disse se aproximando de mim. - Iremos à um psicólogo quando chegarmos. Você está viciado. - brinquei. Ouvimos um barulho na porta batendo, e Daniel correu para o banho. Ele escorou na porta e gritou: "Vai vestir roupa! AGORA, ELIDIO SANNA!" ele gritou. - Eu vou, amor. Calma! - peguei minha bermuda no chão indiciando que ia vesti-la. - A cueca também, Elidio. E coloca camisa. AGORA! - Daniel continuou a exigir. Encarei-o e gritei para a porta: "Já vai!". Vesti toda minha roupa e Daniel olhou de cima abaixo até "aprovar", e fechou-se no banheiro. Fui até a porta e então a abri. - Oi, Gio. - disse abraçando-a. - Lico... Está tudo um inferno na minha casa. - ela disse me abraçando. Abracei-a e fomos até a cama para sentarmos e conversar. Ouviamos alguém cantando e Gio perguntou: - Quem está cantando e batendo na parede assim é o Dani? - Sim, ele tem mania de fingir que está num show enquanto toma banho. Fofo ele, né? - sorri de lado. - Flagrei Giovana e Anderson discutindo hoje. Ela humilhou a mãe dele, fez mil exigências e Anderson disse algo que deve ter a machucado muito. - Gio desabafava. - O que ela disse, Gio? - perguntei. - Que preferia que tivesse engravidado a mim, pois eu sou uma mulher de verdade. Enquanto ela, é uma criança. - ela explicava. - E ele está certo. E mesmo assim a garota não se tocou? - questionei. - Não, Elidio, ela fecha os olhos para a realidade que a cerca, você me entende? Ela não quer enxergar nada. E ontem, ligaram do Hospital pra ela. - ela continuava. - Para falarem o que? - perguntei ansioso. - Ela é estéril. Estavam reavaliando o exame de sangue dela. E enfim... - Gio contava. - Oi gente, qual o assunto? - Daniel dizia saindo do banho. - Dani, o Anderson discutiu feio com a Mel hoje. E a Gio não quis ficar lá e nos procurou. Isso é tudo. - disse. - Ela me deu um tapa na cara. - Gio dizia escondendo o rosto. - Isso deve ser os hormônios da gravidez, gente. Dizem que a mãe fica muito alterada né? - Dani dizia calmamente. Respirei fundo para não discutir com Daniel. - É, deve ser. - Giovana disse seca. Enquanto Daniel trocava de roupa no banheiro Gio me puxou para cochichar algo. - O que faremos? - Pegue nossas provas. Pegue as fotos que eu tirei. - respondi. - Tudo bem, deixa eu procurar... - Gio disse pegando seu celular. - Achou? - perguntei. - Não estou achando, Elidio... Não está mais aqui. O que houve? - Gio se desesperou. - Como não está? Com quem você deixou seu celular esses dias? - perguntei nervoso. - Com ninguém, Lico. E sumiu... Estamos ferrados! - Gio começara a tremer. - Calma, Giovana. Melissa deve ter pegado, não sei. Tenho um plano. Espere. - eu disse. Peguei meu celular e então disquei para Anderson. Daniel ficou escorado na parede nos observando apenas. - Anderson, precisamos conversar. É urgente. Estou indo pra ai. E tem que ser a sós. - eu dizia nervoso. - Não estou muito bem para ajudar você e o Dani nas suas discussões super úteis, não. Desculpa. - Andy dizia num tom abatido. - Não é sobre a gente, é sobre você. Em 10 minutos chego ai. - finalizei desligando. - Quero uma explicação. - Daniel exigiu olhando pra mim e pra Giovana. - Amor, você confia em mim? - me aproximei dele fitando seus olhos. Ele apenas acenou que sim com a cabeça. - Estou prestes a provar algo para todos. Me dê uma chance. Eu vou sair, porém, volto rápido. - eu pedia beijando seu rosto. Daniel saiu de perto de mim e disse num tom seco: "Vai, vai lá.". Gio ficou apenas olhando, e fomos correndo para seu carro. - O que você vai fazer, Elidio? Estamos sem provas! - Gio dizia. - Você verá, vá para sua casa agora. - pedi que ela acelerasse. Em poucos minutos, chegamos e ela abriu o portão para a gente. - O que foi, Elidio? - Anderson perguntava curioso. - Cadê a parasita? Opa, Melissa? - perguntei. - Foi ao médico, disse que precisava buscar alguma coisa lá. Não entendi direito. - Anderson dizia. - Anderson, Melissa não está grávida. Você precisa me ouvir! Eu tinha algumas fotos de provas, pois eu a segui. Ela tem uma amiga, Júlia, e não a via há tempos. De repente, ela resolvou se encontrar com ela. E porque? Porque Júlia é quem está grávida. Todos esses exames, esses ultrassons.... Tudo! Foi armado, pois não é de Melissa e sim de Júlia. - eu dizia desesperado. - Anderson, todos esses enjôos e mudanças de humor de Melissa são fingidos, e alguns são verdadeiros pois é a tpm. Eu escutei a conversa dela com Júlia. Você não sabe do que a Melissa é capaz. - Gio dizia nervosa. - Calma, gente. Não é possível, porque ela faria isso? Ela sempre está com desejos, nervosa e tudo... - Anderson disse sentando-se na cadeira. - Tudo fingido. Armado. Ela mudou comigo pois eu sei da verdade. Olhe minha conversa com Elidio no whatsapp. As fotos não aparecem porque ela deletou, mas ele a seguiu! Porque você acha que ela nunca deixou que entrasse no consultório com ela? - Gio dizia trêmula. - O que eu faço então? Se eu terminar com ela, ela me mata.... Ela é doente. - Anderson dizia. - Eu tenho uma ideia. Porém, preciso de todos unidos. E da permissão de Giovana, que é a responsável por ela, já que seus pais faleceram. - Elidio disse. - O que for, me diga Elidio. - Gio disse. - Combinamos de ir embora na quarta. Anderson, você irá fingir que está tudo bem... Eu e Giovana vamos à uma clínica, e pediremos que internem a Melissa, algo como psicólogo, eu não sei... E bom, se vocês forem ficar juntos, amanhã pegamos o primeiro vôo pra São Paulo. Melissa ficará bem internada, e quando acabar o tratamento ela segue a vida. - Elidio disse. - Não posso abandoná-la assim, gente. Ainda é minha irmã... - Gio se lamentava. - Giovana, vem pra São Paulo comigo. Pedimos à alguém da sua família que fique de olho na situação, ela já é responsável por si só. Eu te amo, Giovana, por favor. - Anderson implorava. - Eu irei pensar. Eu te amo também, Anderson mas... Ela é minha irmã. - Gio dizia. - Ok, gente. Irei avisar ao Daniel e vamos embora amanhã cedo. Espero vocês no hotel amanhã de madrugada. Tchau. - disse enquanto saia pela porta. Sai apressadamente em direção ao hotel, para contar à Daniel. Em 15 minutos cheguei, e abri a porta. - Voltei, meu amor. - eu disse animado. - Oi. - Dani respondeu desanimado. - Desculpa ter te deixado, Dani. Desculpa. - fui em direção à ele abraçando-o forte. - Tudo bem. Eu sou muito dramático, desculpa. - ele disse me abraçando. - Porque você sempre contraria as coisas que eu digo sobre a gravidez que Melissa inventou? - eu perguntei olhando-o. - Porque foi ideia minha, Elidio. No começo, eu disse à ela para fazer isso, pois o Anderson iria nos deixar ser feliz. - Daniel confessou. - Você o que? - perguntei surpreso. - Desculpa, Lico. Mas... Eu não sei. Só que depois, pedi para ela voltar atrás. E ela disse que não ia, pois o Anderson era só dela. Ela saiu do controle... - Dani se desculpava. - Tudo bem, Dani, não quero brigar com você mais. - eu disse selando seus lábios. Contei a ele nosso plano, e ele concordou, então fomos já juntar nossas malas para voltarmos amanhã.
Capítulo 49
Potter P.O.V. Lá estava ele, parado em frente à minha porta, olheiras profundas e uma aparência cansada, bem diferente da ultima vez que eu o havia visto. Flahsback Eu não podia acreditar que estava fazendo isso de novo. Era tão patético estar mais uma vez naquela janela, observando enquanto ele dormia. Draco respirava tranquilamente e sorria vez ou outra. Ele parecia feliz. No final, Helena estava correta, eu fazia mal a ele. Ela me mandava cartas para falar como ele estava e o que fazia, era “um meio de garantir que eu não teria motivos para procurá-lo, para que minha curiosidade não fizesse mal a ele” como ela mesma dizia.
Ela havia me contado sobre a nova namorada de Draco e como ele estava apaixonado. Ele parecia muito feliz essa noite, talvez esse fosse o sinal para que eu não viesse mais vê-lo, mesmo que a distancia. O vento abriu a janela e pude ver Draco estremecer com a lufada de ar gelado. Eu deveria ir embora nesse momento, eu precisava ir, mas eu simplesmente não pude. Não conseguiria deixa-lo daquela maneira. Então eu entrei no quarto e cobri seu corpo cuidadosamente. Era bom tocar a pele dele novamente, me fazia querer ficar, me sentar ali ao lado de sua cama e observa-lo até o amanhecer.
Eu ficava contente por saber que ele havia encontrado um novo alguém, alguém que o fazia realmente feliz, mas ficava ainda mais contente ao vê-lo dormir ainda sozinho todas as noites. Draco entreabriu os lábios e por um momento eu imaginei ter ouvido o meu nome, mas era apenas uma fantasia. Ajoelhei-me ao lado da cama e deixei meus dedos percorrerem seus traços demoradamente, observando se rosto atentamente. Meus dedos circularam seus lábios com cuidado e eu pude sentir o nó em minha garganta apertar-se ainda mais. Eu queria beija-lo novamente, mas eu não podia. Eu simplesmente não podia, eu fazia mal a ele e já era a hora de deixa-lo em paz. E então eu deixei o quarto. Fim do Flashback Aquele não era o mesmo Draco que eu via parado à minha porta. Dessa vez ele parecia frágil, parecia quebrado por dentro.
Imaginei que pudesse ter brigado com ela, Helena me avisou que isso poderia acontecer, que ele poderia ter “recaídas” como ela disse. “Então é isso, ele briga com ela e então me procura para servir de curativo das feridas que ela fez” -Olha aqui, Draco, se você acha que...
- Já chega de bobagens, Potter. E então ele me beijou. E aquele beijo foi muito melhor do que eu poderia me lembrar. Era como ter novamente um pedaço do paraíso secretamente depositado entre meus braços, entre meus lábios.
Draco nos arrastou sem grande esforço para dentro da casa, e então, quando nossos lábios se separaram e eu recuperei a sanidade tentei empurrá-lo para longe de mim.
-Draco, não... – Eu disse, me livrando se seus braços para alcançar a minha varinha.
Apontei a varinha pra ele, instintivamente, mesmo sabendo que jamais a usaria. Draco não pareceu sequer assustado com essa reação, apenas voltou a me envolver em seus braços e me empurrou contra a parede, retirando a varinha de minha mão e sacando também a sua, para depois atira-las para longe com brutalidade. Seus lábios atacaram o meu pescoço enquanto ele nos pressionava contra a parede e desabotoava nossas camisas, senti-me desfalecer em seus braços quando nossos peitos se colaram e eu pude sentir o seu calor novamente.
Era bom tê-lo de volta.
Envolvi minhas pernas em sua cintura enquanto ele me carregava pelas escadas até meu quarto.
-Eu senti a sua falta - Ele disse enquanto me jogava na cama.
Seus beijos eram intensos e suas mãos percorriam todo o meu corpo. Draco retirou completamente a minha camisa e sua camisa, para então começar a desabotoar a minha calça, distribuindo beijos pelo meu peito e barriga.
-Draco, por favor... - Disse, fazendo ele interromper o seu caminho de beijos para me olhar intensamente, com um sorriso sacana no rosto.
Será que ele a olhava assim? Será que a beijava como me beijou agora?
Pensar nisso fez o meu peito doer intensamente, muito mais do que nos dias anteriores.
A dor havia se tornado uma companheira constante desde o dia em que descobri que ele não era mais meu, mas agora era muito maior, tão forte que por alguns instantes me fez parar de respirar.
Ele estava aqui agora, perto de mim, me tocando, me beijando, e mesmo assim ele não era meu. Não mais. O vazio que me preencheu foi tão intenso e a dor tão forte, achei que fosse desmaiar.
Mas ao invés disso eu me levantei e o empurrei para longe de mim antes de dizer: - Vá embora. Agora! Eu não te quero aqui! - Gritei, sentindo dificuldade para respirar - Saia daqui agora! Eu não sou um brinquedo, Malfoy, suma daqui! EU NÃO TE QUERO MAIS! Draco ouviu a tudo estático, olhou-me profundamente por alguns segundos que pareceram durar uma eternidade e então se levantou e saiu.
Ajoelhei-me na cama tentando conter as lágrimas que se formavam em meus olhos e o choro, que mantive dolorosamente aprisionado na garganta.
A quem eu estava tentando enganar, afinal?
Eu não me importava se ele iria me usar pra curar as suas feridas ou apenas afogar as mágoas.
Eu queria.
Queria que me usasse, que me tocasse novamente. Ele precisava de mim, era só o que importava.
Quando as coisas ficaram difíceis ele veio até mim, e era isto que importava. Céus, eu o queria ali.
Desci as escadas apressadamente, tentando ainda encontrá-lo no trajeto até a porta, mas ele não estava mais lá.
Da mesma maneira como uma criança abandona um brinquedo quebrado, ele simplesmente foi.
Ele não olhou para trás, ele não disse uma única palavra.
Encostei-me em uma das paredes do corredor, sentindo-me desabar. O choro já não era contido, sequer era discreto. "Eu também senti a sua falta" - respondi mentalmente, enquanto o meu corpo finalmente atingia o chão.
-Draco...Por quê? - gritei em meio aos soluços
-Potter? - Era a voz dele.
Corri até o lugar de onde vinha a sua voz e o encontrei na sala segurando a sua varinha, aparentemente ele a esteve procurando esse tempo todo. Ele ficou porque não achava a sua varinha, foi só por isso.
-Draco...eu...não vá embora, por favor! Eu não sei o que ela fez, mas sei que posso melhorar... Posso te fazer esquecer. -Disse desajeitadamente, enquanto me aproximava. - Me deixa cuidar de você? - aquilo era ridículo, era o fundo do poço, mas eu não me importava mais, não depois de sentir seus braços me envolverem novamente.
-Você é um rapaz muito confuso, Sr. Potter. - ele disse, usando uma das mãos para secar as lágrimas que não havia me dado conta que ainda caiam do meu rosto. O olhar de Draco pendia entre o desespero e a preocupação Seus lábios tocaram, dessa vez não os meus lábios, mas o meu rosto, enquanto suas mãos afagavam meus cabelos. -Eu posso fazer você feliz, posso ser melhor que ela, eu posso... - disse apressadamente, sendo imediatamente interrompido pelos lábios de Draco. Draco me beijava, mas não da mesma maneira como havia feito mais cedo, esse beijo era lento, delicado e reconfortante, suas mãos mantinham-se firmemente postas em meu quadril, ele tentava se controlar. Pude ver no momento em que nos separamos para buscar ar e o seu olhar cruzou com o meu, ainda havia ali urgência de antes, aprisionada. Talvez temesse que eu o mandasse embora novamente.
Segurei suas mãos e sussurrei em seu ouvido:
- Não, não se contenha, eu quero... Eu preciso de você.
Draco não se moveu, apenas permaneceu me olhando, parecendo travar um grande conflito interno.
- Você ainda é meu, Draco? - sussurrei - Me mostra que eu ainda sou o seu Harry... Me deixa ser seu.
Draco sorriu de lado e me olhou como um tigre que acabava de escapar da jaula e eu não pude mais sentir meus pés tocarem o chão.
E então ele me beijou novamente, dessa vez com desejo e urgência e dessa vez eu não quis que ele parasse.
Capítulo 16 - Girl on fire.
O tempo em que a gente passou no avião foi muito zoado. Eu fumei maconha com uma guria no banheiro, o Travis ficava chamando tanto as aeromoças que da última vez a mulher quase xingou ele de tanta raiva. Só sei que nunca ri tanto. Assim que pisamos no aeroporto do Canadá comecei a ficar hiper nervosa, finalmente caiu a ficha, eu ia conhecer a minha... Sogra. O Vinicius passou o braço sobre os meus ombros. - O que foi? - Sei lá, tô meio nervosa. - Minha família vai te amar que nem eu amo você. Sorri pra ele e o beijei. O Travis chegou se enfiando no meio da gente e nos separando. - Deu de melação vocês dois. - Ainda não sei porque concordamos de eles virem com a gente.- Sussurrei para o Vinícius. - Eu também não.- Sussurrou de volta. Nós rimos, pegamos as malas e o pessoal foi para uma pousada enquanto nós fomos para a casa da mãe do Vini. Pegamos um taxi, quando ele foi diminuindo a velocidade meus olhos se arregalaram e minha boca se abriu quase. A casa era branca, toda envidraçada, com algumas plantas ao redor e um caminhosinho de cascalhos que levava até uma grande porta. O Vini pagou a corrida, pegamos as malas e fomos andando pelas pedrinhas. Quando ele apertou a campainha uma mulher de no máximo 40 anos com a pele clara sem ruga nenhuma, cabelos ondulados castanhos e olhos castanho esverdeado, abriu a porta e sorriu o abraçando. - Que bom te ver filho. - Você também, mãe. Ela se afastou dele e me olhou com uma curiosidade. - E essa garota adorável, quem é? Fiquei meio sem jeito e corei. - Minha namorada.- ele me abraçou. Ela olhou para ele com aprovação. - Até que enfim você tomou jeito! - depois se virou para mim - Bem vinda, me chamo Amber. Ela estendeu a mão e eu apertei. - Me chamo Alaska. - Entrem, vocês devem estar super cansados por causa do vôo. Sorri em agradecimento e entramos. Pelo que parecia a lareira da sala estava acesa, o que fazia o lugar ficar super agradável. Ela nos levou até o andar de cima e parou na segunda porta do corredor. - Como aqui é um lugar de família vocês vão dormir cada um no seu devido quarto. Já que seu irmão vai vir só semana que vem e eu já arrumei o quarto a Alaska pode ficar nele. O vini fez cara de decepção. - Você esta totalmente certa.- falei. - Obrigada por me entender, Alaska, porque se não esse mocinho aqui se aproveita demais. Nós duas rimos e ele ficou vermelho. - Mãe! - Apenas falei a verdade, você fica no seu quarto. - Ta. Onde ta a Alexis? - Deve estar no quarto dela. - E o John? - Se atrasou um pouco no trabalho, mas já deve estar chegando. Agora vou terminar o jantar, fiquem à vontade. Ela desapareceu na escada e o Vinícius saiu me puxando até o fim do corredor. - Onde a gente vai? - Quero te apresentar alguém. - Ok. Ele bateu na última porta do corredor e surgiu uma voz feminina. - Entra! Ele abriu a porta e era o quarto de uma menina de uns dezesseis anos, loira e de olhos azuis. - Fala, mana! Ela olhou sem acreditar. - Vini? Ela correu e o abraçou, depois sussurrou algo baixinho no seu ouvido, mas eu pude ouvir. - Mais uma das suas vadias? - Não, essa é minha namorada.- sussurrou de volta e ela fechou a cara. Eles se afastaram. - Lex essa é a Alaska. - Alaska essa é a Alexis, minha irmã caçula. Ela deu um leve aceno de cabeça me olhando com ódio, respondi o aceno. - Crianças! John chegou, vamos jantar!- Amber gritou da escada. Vinícius saiu me puxando para fora, mas eu pude olhar a tal Alexis me dizer um "eu não gosto de você" sem som. Ótimo! A irmã dele já me odeia sem nem mesmo me conhecer. Nos sentamos à mesa com um homem elegante, loiro e com os mesmos olhos de Alexis. Amber colocou uma travessa com carne assada no meio da mesa e sorriu para o marido. - Você viu que nosso filho finalmente teve vergonha na cara e arrumou uma menina decente? O homem sorriu para a esposa e depois para mim. - Já estava mais que na hora! Qual o seu nome? - Alaska. - Bonito, diferente. O meu já é mais comum, John. Então, como se conheceram?- disse se servindo. Eu e o Vinícius nos olhamos e engolimos a seco, depois me virei de novo para John e tentei disfarçar. - Ele é amigo do namorado da minha melhor amiga. - Você conhece ele, John, o Logan. - Ah, o Logan! Filho dos Miller, certo? - Isso! Irmão da Alice. - Não sabia que ele estava namorando. - Pois é, eles vieram também, mas ficaram numa pousada aqui perto. - Quem sabe nós não combinamos alguma coisa alguma hora? - Seria uma boa. Deixei eles lá na conversa pai e filho deles e comecei a me concentrar na comida, até que uma coisa me chamou a atenção. Quando a Alexis levantou o garfo apareceram alguns cortes, mas pelo visto os pais não perceberam. Levantei um pouco a minha manga e passei o dedo por cima de algumas das cicatrizes onde estavam meus antigos cortes. Pelo visto temos algo comum, não algo bom, mas algo. Quem sabe eu não consigo conversar com ela? Fiquei prestando tanta atenção nas marcas que nem percebi que estavam falando comigo até que o Vinícius tocou a minha mão. - Certo? Confirmei com a cabeça mesmo sem saber o que era. Assim que terminamos de jantar ajudei a mãe do Vini a limpar a louça e depois fomos para a sala assistir a algum filme. O Vinícius me abraçou e eu encostei a cabeça no seu ombro, a Alexis bufou e foi para o quarto dela. Ela deve me odiar pra caralho. - Vou falar com ela. Levantei e fui atrás dela. A porta do quarto estava fechada, bati de leve. - Vai embora! - Eu só quero conversar. - Mas eu não! - Eu já fiz isso. - Isso o que? - Seus braços, eu já fiz isso. Ela abriu a porta e me puxou, nos sentamos na cama, ela me olhou com desconfiança e raiva. - Duvido! Você é bonita, tem corpo, não é excluída, todo mundo gosta de você! Você é a típica garota popular e perfeita, por que faria isso? Levantei as mangas da minha blusa e mostrei para ela as várias marcas do meu braço. - Eu não sou perfeita. - Por que fez?- passou o dedo indicador pelas cicatrizes do meu braço esquerdo. - Me sentia uma fraca, Babaca. Basicamente por raiva de mim mesma. Mas e você? - Ninguém gosta de mim, não tenho amigos. - Nem um? - Só uma menina que mora aqui perto. - Bom, agora tem duas. Só tem uma coisa que me deixou curiosa, porque você não gostou de mim? - Porque o Vinícius é muito importante para mim... - E você acha que eu vou roubar ele de você. - Isso. - Relaxa, nunca faria isso. Ah, antes que eu me esqueça. - tirei a franja do seu olho- você é bonita e tem corpo sim, só tem que aprender a usa-los a seu favor. Se quiser posso ajudar. - Como? - Tenho meus truques. - Tem uma festa amanhã, mas não sei se deveria ir. - Por que não? Festas são uma das minhas atividades preferidas. Eu poderia fazer seu cabelo, maquiagem e etc. - Nada muito Barbie, nem estilo patricinha. - Relaxa. Vem, vamos voltar para lá antes que eles venham para cá. Ela era bem legal até. Descemos as escadas, nos sentamos uma de cada lado do Vinícius e ele nos abraçou. Na hora de dormir pedi licença, dei um beijo no Vinícius, na testa da Alexis e um abraço nos pais do Vini. Subi as escadas, entrei no quarto e me aconcheguei na cama que ficava no canto. Ouvi leve passos no piso e o abrir da porta. O Vinícius entrou no quarto com um travesseiro e uma coberta, puxou o colchão auxiliar da cama, se deitou e deu a mão para mim. - Não te disse? Minha família gosta de você tanto quanto eu te amo. - Gostei deles assim como amo você. - Boa noite, meu anjo. - Boa noite, mô. Foi só fechar os olhos que eu peguei no sono. Acordei de bom humor, o Vinícius ainda estava dormindo, então levantei, me troquei sem deixar ele acordar e saí do quarto. A TV da sala parecia estar ligada então fui direto para lá, a Alexis estava assistindo a algum programa que parecia ser legal. - Bom dia, Alexis. - Bom dia, mas me chama só de Lex ou Lexis. - Ok. Que horas é essa tal festa? - Começa lá pelas nove, o único problema vai ser eles deixarem eu ir. - Já perguntou? - Ainda não. Ela chamou a mãe e a abraçou. - Sabe que eu te amo, né mãe? - O que você quer? Pede logo que tem coisa no forno. A Alexis fechou os olhos e depois abriu só um. - Posso ir numa festa? - Fala com o seu irmão, se ele concordar aí você pode. - Ta.- se virou para mim- sabe onde ele ta? - Dormindo. - Não mais! - sua voz veio da escada. - Mano, posso ir na festa? - Que festa? - Da Carol. - Irmã do Ty? - Sim. - Não. - Por que? - Nas festas deles sempre da merda. - Como você sabe? - Já fui em algumas. - Então quer dizer que você pode e eu não? - Exatamente isso. - Eu sou mais madura que você. - Sei não. Resolvi intervir. - Ela já é uma moça, Vini. - Que dizer que você esta do lado dela? - Não estou em lado nenhum.- levantei as mãos em gesto de rendição. - Mas parece que esta. - Não posso fazer nada. Deixa vai... Eu prometo que te compenso. - Ai a coisa já fica mais interessante, mas sei lá, não acho uma boa ideia. - Você tem que confiar um pouco na tua irmã. - Confiar eu confio, em que eu não confio mesmo é nos Hills. - Sua irmã não é eles, deixa ela ir pôxa. - Se ela fizer merda ela vai se fuder depois. - Tudo bem pra você, Lexi?- me virei pra ela. - Sim sim! Ela correu pela escada, a Sra. Amber voltou para a cozinha e ficamos só eu e o Vinícius. - A recompensa é agora ou mais tarde?- me puxou pela cintura e mordeu meu lábio inferior. - A hora que você quiser. - Agora não.- a mãe dele nos chamou a atenção. A tarde se passou assim, sempre que o clima esquentava a mãe dele "apagava" o fogo entre a gente.seria engraçado se não fosse trágico. A noite eu e Alexis nos trancamos no quarto dela. - Bom, eu separei uma roupa. Ela vestiu um vestido solto, o problema é que era solto demais. - Tenho a peça perfeita pra você. Corri no meu quarto, peguei a peça que precisava, meu estojo de maquiagem e voltei. Ela vestiu e ficou divino nela! Era um vestido preto de uma manga cumprida só, curto e colado. Ela calçou um salto vermelho e veio até mim. - O que eu faço de maquiagem? Eu nunca sei fazer nada. - Que tipo você gosta? - Pesada, preta. - Vou ver o que eu consigo fazer, agora fecha os olhos. Fiz um esfumado preto que realçava a cor azul dos seus olhos e passei um gloss. Depois fiz babyliss só bem nas pontas e a levei no espelho, ela ficou dando voltas. - C-c-como você fez isso? - Anos de experiência. Eu disse que você é bonita. - Eu me... sinto bonita e bem. - Isso é bom. Vamos descer? Ela abriu um largo sorriso e me puxou escada a baixo. No pé da escada, quando o Vinícius e os pais dela a viram abriram a boca, segundos mais tardes o Vini saiu do transe. - Você não vai assim, vai? - Vou. - Para de implicar com a sua irmã Vini. - Alaska! Foi você que fez isso?- perguntou a mãe deles a mim. - Sim. - Ela parece muito mais feliz e radiante, apesar da maquiagem ser preta, porém bem leve. - Acho que ela aprendeu bastante nesse tempo em que eu arrumava ela. - Vamos?- ela nos apressou. - Não aprontem! - Ta, mãe. Amo vocês! - Também te amamos. Deu um abraço nos pais e fomos. O caminho todo o Vinícius foi dando uma de irmão-paizão, foi um pouco engraçado, admito. Paramos na frente de uma casa parecida com a da família do Vinicius só que com certeza menor e a cor era diferente. - Lex, se comporta. - Ta bom, - ela se aproximou disfarçadamente de mim e sussurrou: - obrigada. Ela saiu do carro e o Vinícius suspirou. - Sua princesinha ta crescendo, Vini, e você tem que aceitar isso. - É... - Quer fazer o que agora? - Ficar aqui e esperar acabar a festa...? - Para né?! Ela já ta bem grandinha. - Ok ok, você venceu. Vamos a algum barzinho e depois voltamos pra pegar ela. Sorri e seguimos até um bar não muito longe. De fora ele já era legal, mas quando entramos ele era mal iluminado e tocava uma musica foda de fundo, o que dava o maior clima. Nos sentamos numa mesa mais ao canto e pedimos uma bebida. O tempo foi passando e nós íamos bebendo, mas o Vinícius moderava por que tinha que dirigir, até que o celular dele tocou. - Fala mana. O quê?! Como assim?! Já tô indo ai.- terminou e desligou bravo. - O quê aconteceu? - A amiga dela me ligou dizendo que minha irmã ta bêbada pra caralho, vamos. Ele deixou o dinheiro encima da mesa e saímos correndo. O caminho todo foi silencioso. Eu não devia ter convencido ele a deixar ela vir. Palmas pra mim! Estraguei tudo de novo. Quando paramos em frente à casa uma menina veio carregando a Alexis pendurada no seu ombro, ajudamos ela a deita-la no banco de trás e depois a guria foi embora. O Vinícius bateu com força no volante e se virou para trás. - Começa a se explicar agora. - Eu só tomei um pouquinho de Vodka.- disse atropelando as palavras e rindo. - Alexis! - Como se você nunca tivesse feito isso na minha idade!- mesmo com a voz arrastada deu pra perceber a raiva. - Mas é diferente! - Só porque eu sou mulher e você é homem? - Não! Bom... quem esta sendo julgada aqui é você! - Dá um desconto pra ela, eu também já fiz isso.- me intrometi. - Mas você sempre foi a guria que não liga pra nada! Aquilo foi um corte no meu peito, mas resolvi deixar pra lá. - Não briga com ela, a culpa é minha. Não devia ter insistido tanto pra você deixar ela vir. - Não devia mesmo!- aumentou o tom de voz. - Eu não quero brigar Vinícius.- continuei com o mesmo tom de voz. - Você só age por impulso sem se preocupar com o que vai acontecer depois. Você é uma inconseqüente, Alaska!- gritou mais ainda. - Não fala o que não sabe, porra!- gritei também. - Mas eu sei! Todo mundo sabe na real! Ta quase escrito na sua testa! Você pode ser inconseqüente o quanto quiser, desde que não afete a minha irmã! - Vinícius, cala a boca! - Vai dizer que eu tô mentindo! Ele continuou gritando, mas eu me virei para trás. - Lex, se comporta, amei te conhecer, de verdade. Podes me ligar quando o Vinícius não tiver em casa? Preciso pegar minhas coisas. Com os olhos arregalados ela afirmou com a cabeça. Por fim me virei novamente para ele e gritei: - Cala boca, caralho! A inconseqüente aqui ta indo embora. Passar bem!- fui saindo do carro e quando fui fechar a porta completei:- E vê se me esquece, porque aqui acabou. Saí apressada em direção ao único lugar que eu conhecia por ali, o bar. Depois de andar um pouco me sentei na calçada e involuntariamente lágrimas começaram a escorrer por minhas bochechas. Por impulso peguei o celular e disquei um número que eu sabia de cor. - Alaska?- disse a voz grossa. - Igor, eu preciso de você.- consegui falar entre soluços. - Me fala onde você ta que eu vou agora.