Cut of Mokushiroku no Yonkishi Chapter 82

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Cut of Mokushiroku no Yonkishi Chapter 82
Capítulo 82
Capítulo LXXXII
Agosto
- Alguns dias longe da academia e você já está ofegando por causa de uns abdominais? Toma vergonha nessa cara Daisy Olympia!
Daisy olhou para sua mãe um pouco aturdida e também aborrecida. Não era só os dias longe da academia... Era o tanto de besteira que ela havia comido e bebido naquele meio tempo. Surpresa seria se ela estivesse no mesmo pique de antes!
- Eu devo ter engordado uns quatro quilos, de uma só vez. – Suspirou Daisy tocando sua barriga dolorida. – Eu não aguento mais...
Capítulo 82 - Minha menina.
Dobramos uma esquina que ficava muito, muito perto mesmo da casa da Alícia. Bastava virar naquela rua pra dar de frente pra casa dela poucos metros à frente. Nem preciso dizer que fiquei meio acelerado quando passamos por lá. Tava tudo acontecendo tão rápido que parecia mentira. Eu tava conformado com o fato de ela morar longe e nunca mais querer ficar comigo. De repente, ela aparece numa festa por aqui, a gente se esbarra no banheiro e... Tal. Agora ela tá há poucos metros de mim e eu não sei o que fazer. Na real, eu até sei, mas não posso. Fico com dor de cabeça só de pensar no quanto teria que ouvir do Matt e do Fred caso eles soubessem que eu fiquei com a Alícia de novo, e que eu ainda tô nessa.
Chegamos até o outro quarteirão. Agora sim, se eu me esforçasse, dava pra ver a casa dela de onde eu tava. Olhei pro Fred. Fred: I fucked this white girl who got a pink range and she drives fast in the slow lanes! Cantando como se tivesse em cima de um palco com várias gurias gritando o nome dele. Olhei pro Gabriel. Gabriel: Hahaha! Rindo pra caralho da performance ridícula do Fred. Acho que ele não é tão parecido comigo. Olhei pro Matt. Ele não tirava os olhos da tela do iPod por nada. E o pior de tudo é que ele não tropeça em nada enquanto anda. Tá todo mundo ocupado. Caminho livre pra mim. Eu: É... Eu vou passar na padaria pra comprar um cigarro. Apontei na direção da rua que dava pra casa da Alícia. Aposto que eles nem vão me ouvir.
O Fred continuou cantando, o Gabriel rindo, o Matt escolhendo músicas. Perfeito. Se eu consegui fugir deles, fugir do namorado da tatuado da Alícia vai ser a coisa mais fácil do mund... Fred: OPA, OPA, OPA! Aquela figura branca de roupas pretas pulou na minha frente, me impedindo de fazer qualquer coisa. Viado do caralho. Fred: Tu vai o quê? - cruzou os braços. Eu: Comprar um cigarro. Fred: Comprar um cigarro? Porra, moleque irritante de merda. Eu: É. Fred: E tu pensa que eu sou BESTA?! Berrou e me deu um tapa na cabeça logo em seguida, como se eu já não tivesse apanhado o suficiente ontem. Eu: AI, PORRA! Fred: Tu acha que eu não sei onde é a casa da Alícia, infeliz?! Sinceramente? Às vezes eu fico em dúvida se ele sabe onde é a própria casa. Eu: Aff, mano. Não viaja! Fred: "Não viaja". - me imitou. Eu: Eu não vou pra casa dela. Tu viu ontem, não viu? A gente se encontrou na festa e eu fiquei de boa. Nem falei com ela. Cruzou os braços de novo e ficou analisando cada movimento meu, provavelmente pra saber se eu tava mentindo. Sorte a minha que eu sei mentir como ninguém. Eu: Vão indo pra pista. Eu compro meu cigarro e depois vou pra lá. O Matt e o Gabriel não tavam entendendo muito bem e ficaram parados do nosso lado, olhando. O Fred não disse nada, só tirou um maço de cigarros do bolso e me deu. Fred: Pode ficar com o maço inteiro. Me deu as costas e saiu andando na frente de todo mundo. O Matt sacudiu a cabeça pra mim em desaprovação e voltou a andar em direção à pista também. O Gabriel esperou que eu chegasse até eles. Gabriel: É ela? - perguntou em voz baixa. Franzi a testa mostrando que não tinha entendido a pergunta. Gabriel: A que tu fica nervoso toda vez que vê. É. Pior que é, pivete. Sorri pra ele, tirei um cigarro do bolso e acendi.
Não foi dessa vez que eu despistei os caras. Respirei fundo e segui em frente. Eu tava meio puto por não conseguir ir falar com ela, mas o cigarro ia ajudar a me acalmar. Eu não sabia quando ela ia embora, quando a gente ia se ver de novo. Eu não sabia de nada, na verdade. Não sabia se ela tava bem, não sabia quem era aquele cara, como estavam as coisas. Putz. Que bosta. Fiquei lamentando minha vida o caminho inteiro, mas sabia que a pista ia me fazer bem. Pelo menos ia me distrair. Dito e feito. Já comecei a rir assim que cheguei lá. Os caras tavam brincando de derrubar um monte de skates com... Skate. Funciona assim: tu coloca um monte de shape, um em cima do outro, formando tipo um "muro" de shapes de skate. Depois, o menor da galera senta no skate e todo mundo empurra o cara em direção ao muro. Contando assim parece idiota, mas é muito engraçado. Dessa vez, o Bruninho era o cara que ia em cima do skate. Ele não era tão pequeno assim, mas era um dos mais engraçados pra fazer idiotice. Prova disso era que ele tava deitado de bruços no shape. Pizza: Vai, Bruninhoooo! HAHAHAH! Ale: NOSSA, VELHO! O cara vai quebrar o dente HAHAH Cumprimentei os caras que tavam mais próximos e acenei pro resto. Tava todo mundo muito ocupado rindo do momento Jackass. O Gabriel e o Luc se cumprimentaram como se fossem melhores amigos. Achei legal. Um dia quero ter esse carisma do Luc. Ou não. Acho que não combina nem um pouco comigo. Tava um amontoado muito louco de gente, por isso achei melhor assistir tudo de cima do half. Chamei o Matt pra subir comigo, e ficamos rindo dos caras de lá de cima. O Fred ficou na fila pra empurrar e ser empurrado no shape, o Gabriel ficou fazendo uma social com os caras. Acho que ele tava vindo bastante pra cá durante a semana. Parecia bem à vontade com os caras.
Fred: EI, VOCÊS DUAS! Ele gritou pra mim e pro Matt e escalou o half pra falar com a gente. Fred: Falei com os caras. Não vai ter mais festa na casa do Ale. Matt: Por quê? A mãe dele viajou, não viajou? Fred: Viajou, mas contou o número de cada objeto dentro de casa pra conferir quando voltasse. Eu: Porra, que louca. O Fred concordou com a cabeça. Que louca mesmo. Mas sinal de que eu tenho a noite livre pra ver como vão as coisas com a Alícia. Fred: Mas relaxem. Já arranjei outra festa. Nem sei como não tinha pensado nessa possibilidade de o Fred ter arranjado outra coisa em segundos. Fred: Uns amigos do Sick Boy vão dar uma festa perto da minha casa. Matt: Beleza. Eu: Suave. Fred: Festa à fantasia. QUÊ? Eu: Tá me tirando? Matt: Porra, Fred. Fred: Eu sabia que vocês iam reclamar. - ele bufou. Nem me fale. Qualquer idiota saberia. Eu tenho preguiça de escolher uma roupa pra dormir, imagina ficar pensando em fantasia. Matt: A festa é hoje? Fred: É. Matt: Impossível a gente arranjar uma fantasia pra hoje, cara. Fred: É nada, velho. Sem frescura! Eu: Tô de boa de ir. Fred: Parem com isso. A gente inventa qualquer fantasia. Matt: É obrigado a ir fantasiado? Fred: É. Não sei. Mas porra, qual a graça de ir numa festa à fantasia com roupa normal? A graça é ter mais tempo de vida pra fazer outras coisas ao invés de ficar procurando fantasias. Eu: Já sei. Eu vou de pedestre. Fred: Como é isso? Apontei pra mim mesmo. Eu: Assim. Fred: Tsc. Vocês andam muito desanimados. Vamos inventar umas fantasias, cara! Vai ser engraçado! Cadê a criatividade de vocês? Não são designers? Eu: A gente estuda design, cara. Não moda. Fred: Mesma merda. Vamos!
Fred: Vai ter Absinto, cara! Eu: Eu não v... Fred: AÊ, GALERA! O THOM E O MATT CONFIRMARAM! Desceu escorregando no half e gritando pra todo mundo. Idiota. O Matt me olhou com tédio. Eu: Eu não vou nisso. Matt: Ah, deixa. A gente veste qualquer coisa. Sacudi a cabeça. O Fred não pode me obrigar a ir, então tudo bem. Na boa, não que eu seja fresco, mas seria melhor se ele tivesse avisado sobre essa festa antes. Provavelmente eu ia dizer não do mesmo jeito, mas não ficaria puto. Eu e o Matt ficamos lá em cima rindo das idiotices que os moleques tavam fazendo até anoitecer. Fumamos, rimos, conversamos sobre tudo e não fizemos nada de útil. Muito bom. Chamaram o Matt pra andar de skate e ele desceu pra andar, porque disse que tava com saudades. Eu até andava mais de skate quando era mais novo, mas nunca fui muito bom, então não sinto tanta falta. Eu gosto mesmo é desse ambiente, dos caras daqui, da cultura do skate. Mas não ando assim tão bem. Fiquei assistindo os caras andarem. Acho que agora seria uma boa hora pra ir ver a Alícia. Dava pra eu sair escondido e ainda fugir dessa festa idiota. Andei do half até o portão numa boa, sem ninguém reparar em mim, até que... Gabriel: Thom! Eu: Oi. Gabriel: Tu já vai? Eu: Mais ou menos. Ele fez uma cara estranha. Óbvio que não entendeu. Eu: Por quê? Gabriel: Por nada. Eu vou pra casa daqui à pouco. Eu: Ótimo. Ei, Matt! To indo levar o Gabriel em casa, avisa o Fred! O Matt acenou pra mim. Gabriel: Me levar até em casa?! Eu sei chegar até lá. Eu: Shhh! Passei o braço por cima dos ombros do Gabriel e fui levando ele até a saída. Gabriel: Eu não to a fim de ir embora agora. Eu: Quebra essa pra mim, velho. Ele apertou os olhos tentando entender o que tava acontecendo. Fingir que tava indo embora pra levar o Gabriel era uma ótima desculpa.
O Gabriel não entendeu de primeira o favor que tava me fazendo, mas me acompanhou. Ficava olhando pra trás como quem queria continuar na pista. Comecei a me sentir meio mal por usar o moleque. Eu: Esquece isso, vai. Pode voltar. Gabriel: To quebrando essa pra ti. Eu: Não, tudo bem. Eu me viro. Olhei pra pista procurando o Matt e o Fred, que tavam conversando com o Luc, o Sick Boy e o Ale. Acho que o Fred devia estar contando sobre qual fantasia ia usar hoje à noite, porque tava todo mundo rindo do que ele falava. Eu: Já me virei muitas vezes. Mais uma nem vai fazer diferença. Gabriel: Tem certeza? Consigo dar um jeito de voltar pra cá depois, se quiser que eu vá contigo. Eu: Relaxa. Baguncei o cabelo dele, que era parecido com o meu inclusive na textura, só que tinha um corte melhor. Quero dizer, a última pessoa que cortou meu cabelo foi o Sick Boy. Acho que não é dos melhores. O Gabriel sorriu pra mim e voltou correndo pra pista. Continuei andando em direção à casa da Alícia. Dali alguns minutos o Matt ia perceber que eu tava dando um perdido neles, e aí eu estaria fodido. Por enquanto, vou aproveitar que não preciso ficar ouvindo sermão de ninguém. Na real, não sei por que to tão preocupado com a opinião deles. Ou sei. Talvez eu só não goste de ouvir o que eles tem pra dizer porque eu já sei exatamente o que vai ser. O Matt vai falar que eu nunca vou esquecer a mina se não deixar ela pra lá, que eu fico correndo atrás de problemas, que ele sabe que eu gosto dela e que ela pode gostar de mim, mas a gente vai ficar numa bad, bláblá. O Fred só vai me xingar porque quer um amigo solteiro pra pegar todo mundo junto com ele, como se eu pegasse todo mundo. Ele só quer encher o saco, resumindo. Eu não sei bem o que pensar. O Matt tem razão quando diz essas coisas, e ele não diz à toa. É meu melhor amigo e quer me ver bem, sem contar que é inteligente. Eu devia seguir mais os conselhos dele. Simplesmente não consigo.
Acendi uns dez cigarros até chegar na casa dela. Eu precisava me acalmar, mas parecia impossível conseguir ficar calmo. A cada passo que eu dava, sentia meu corpo cada vez mais fraco. Era uma sensação muito ruim e, ao mesmo tempo, muito boa. Acho que o nome disso é adrenalina. Ou amor. Ou teimosia. Ou vamos bater na porta da menina pra ver no que vai dar. Toc toc. Bati na porta dela. Não preciso ficar nervoso. É a Alícia. Eu me sinto muito bem com ela, sempre me senti. Não preciso ficar nervoso perto dela. Ela vai abrir a porta, vai sorrir pra mim e vai ficar tudo bem. A mãe dela é quem costuma atender a porta, mas ela gosta de mim. Na verdade, acho que ela é tão gente boa que gosta de todo mundo. Mas eu me incluo no "todo mundo", então ela gosta de mim. O pai dela com certeza deixaria o meu outro olho roxo se me visse aqui, mas em meses de namoro, nunca vi o cara se levantar pra atender ninguém. Pensar esse monte de coisas sem sentido fez com que eu me acalmasse, tanto que eu nem desmaiei quando ouvi o barulho da chave na fechadura. !: Pode deixar! Ouvi a voz de um moleque. Um moleque. Não era a voz de um cara tipo o pai da Alícia, nem a voz de um pivete tipo algum primo dela. Era a voz de um moleque. Não tem moleques na casa dela. Tem ela, a mãe dela e o pai dela quando eles não estão brigados. Não tem nenhum moleque. Mas lá estava ele. Alto, loiro, tatuado e escroto. Abriu a porta pra mim com o maior sorriso, como se estivesse fazendo um favor pra sogrinha de receber as visitas. Eu não consigo nem imaginar a cara de bosta que eu fiz quando o maluco abriu a porta. Ou ele não gostou da minha cara ou me reconheceu, porque fez uma cara pior ainda pra mim. Sem exageros, ficamos uns dois minutos em silêncio olhando muito feio um pro outro.
O mais estranho foi que eu não senti vontade de matar o cara, como eu achei que aconteceria. Só fiquei olhando com cara de bosta pra ele. Queria que ele se sentisse muito mal por estar ali, muito mesmo. Eu não sabia se ele era um garoto legal, engraçado, inteligente, se tratava bem as gurias, se tratava bem a Alícia, se gostava dela. Eu não sabia e não queria saber. Não sou do tipo politicamente correto e hipócrita que espera que a ex namorada encontre um cara legal pra ficar com ela, já que ela não fica comigo. Na boa, ela pode ficar com o melhor cara do mundo que eu ainda não vou gostar dele e vou fazer questão de mostrar que eu não gosto. O mesmo vale pra ex namoradas que eu não quero voltar. No meu caso, só tenho uma ex, a Bruna. Não fico brisando que ela é uma guria legal que merece um cara legal. Eu quero é que ela se foda. Eu odeio todos os atuais de todas as ex namoradas que eu vá ter na minha vida, antes mesmo de saber que eles existem. Alícia: Quem é? Ouvi a voz dela de fundo. Me segurei pra não falar nada. O moleque também não respondeu. Ela surgiu atrás dele e pareceu ter visto um fantasma quando olhou pra mim. !: Tu conhece? Perguntou pra ela, sem tirar os olhos de mim. A Alícia parecia que tinha engolido um sapo ou sei lá, ela nem conseguia falar. Acho que fiz merda de aparecer por aqui. Alícia: Não... Não conheço. Ficamos mais alguns segundos em silêncio. Ela não conseguia me encarar e eu não conseguia tirar os olhos dos dois. !: Acho que tu errou a casa, meu amigo. Disse isso e bateu a porta na minha cara. Depois fez algum comentário idiota do tipo "o cara tá loucão". Me segurei muito pra não esmurrar aquela porta até derrubar tudo. Mesmo porque eu nunca conseguiria derrubar tudo. Como eu sou idiota. O que eu tava pensando? Que a mina ia trazer o namorado novo pra cá e ia pular nos meus braços quando me visse na porta? Que troxa babaca eu sou. Ainda mais com esse olho roxo do caralho. Pareço ainda mais loser.
Que completo idiota. Era só isso que eu conseguia pensar. Saí arrastando meus ombros e meu ego pelo chão. Nem sabia muito bem pra onde eu tava indo. Acho que tava indo pra casa, qualquer casa que fosse. Acho que, na real, eu só precisava de um lugar que tivesse uma parede bem grande pra eu bater minha cabeça umas duzentas vezes. Óbvio que ela não me conhece. Não gosto de pensar esse tipo de coisa, mas olha só pra ele. O cara é todo bonitão, estiloso, saiu lá da puta que pariu pra vir pra cá com ela. Deve ter aproveitado enquanto eu era um completo idiota, como sempre, e deixava ela mal. Sem contar que eu não sou nada de mais. Não peço confete e nem fico me achando perto de ninguém, mas sei muito bem que eu sou. Eu me acho mais esperto que a maioria das pessoas, tenho um cabelo que acorda legal de vez em quando, algumas gurias gostam do meu jeito. É por aí. Sei que não paro o trânsito quando eu passo, sou muito arrogante, enfim, não sei nem se sou uma boa pessoa. E ela. Que bosta. O que essa mina foi ver em mim algum dia da vida dela? Ela é bonita, esperta, engraçada, sabe sobre um monte de coisas, não precisa de mim pra nada. É praticamente impossível achar uma guria tipo ela, que prefere ficar comigo fumando um em qualquer pico do que retocando a maquiagem. E logo eu, cara, logo eu. Eu pago pra saber o que essa mina viu em mim. Acho que foi só pra me foder. Pra depois de um tempo, eu acordar e ver que foi só um surto. Acabou. De repente, senti um abraço muito apertado que apareceu do nada. Levei o maior susto e achei tudo ainda mais estranho quando reconheci o cabelo dela. Era a Alícia, que deve ter vindo correndo pra ter esbarrado tão forte em mim. Me abraçou tão forte que quase terminou de quebrar minha costela pro Henrique. Eu: Calma aí, minha costela tá zoada! Ela me soltou e logo em seguida abraçou o meu pescoço. Eu não sou o cara mais alto que eu conheço, mas a Alícia consegue ser menor do que eu e me deu um tranco no pescoço com o abraço dela.
Alícia: Me desculpa! Eu demorei uns segundos até abraçar ela de volta, e nem lembro se abracei. Foi tudo tão louco. Nem parecia que era ela quem tava ali. Alícia: Me desculpa, me desculpa! Tentei me afastar, mas ela me abraçou mais forte. Só me soltou quando bem quis e ficou analisando meu rosto. Alícia: O que é esse olho roxo? E esses cortes? O que fizeram contigo? Eu: Eu... Alícia: Me desculpa, eu não sabia o que dizer. Ele sabe que eu te conheço, ele te reconheceu. Óbvio que reconheceu! Eu já mostrei fotos e desenhos e ai, tu tá todo machucado. Eu: É... Alícia: Me desculpa! Acho que tudo seria mais fácil se eu conseguisse, tipo, falar. Na verdade, nem sei se queria falar alguma coisa. Acho que só sairia um monte de palavrões se eu resolvesse abrir a boca. Ele me abraçou de novo, e eu não disse nada. A gente tava no meio da rua e quase foi atropelado por um maluco de carro, então achei melhor parar em algum lugar. Fui andando e ela veio junto, sem me soltar. Paramos na calçada da rua, porque não tava dando pra andar direito. Eu: Alícia. Alícia: Desculpa, Thom. Segurei os braços dela pra que ela parasse de me abraçar e olhasse pra mim. Eu: Não precisa pedir desculpa. Eu entendi. Alícia: Eu te conheço, tu não entendeu nada e tá com raiva de mim. Eu: Eu não to. Tu não me deve satisfação só porque ficou comigo ontem. Ela parou de me encarar e olhou pra baixo, pensativa. Eu: Aliás, foi mal. Não quero causar problemas. Fiquei contigo ontem porque não consegui ignorar. Agora tu volta pro sul, vai ser uma bosta por um tempo, mas tudo bem. Uma hora vai passar. Ela fez uma cara de quem ia chorar. Não, puta merda, não chora. Dá vontade de sumir quando tem guria chorando perto de mim.
Eu: Se tu chorar, eu vou embora. Alícia: Fofo. Ela falou com voz de choro e os olhos cheios de lágrimas, claro. Quando eu tava conseguindo manter a calma, a mina começa com isso. Respirei fundo. Eu: Tá. Olha, eu não quero ser um problema na tua vida, tá bom? Falei segurando os braços dela. Ela fez que sim com a cabeça, já com as lágrimas escorrendo pelo rosto. Eu: Não precisa olhar pra mim e chorar. Alícia: Eu não... Eu: Eu não gosto do teu namorado novo e não vou desejar tudo de melhor pra vocês, porque eu não sou assim. Alícia: Ele não é meu namorado. Eu: Beleza, tu pode me poupar dos detalhes. Alícia: Ele não é mesmo! Numa boa, não to a fim de saber como aconteceu, onde eles se conheceram, quantas vezes já ficaram ou sei lá. Só vai servir pra me deixar com mais raiva de tudo. Alícia: Ele é só meu amigo. Eu: Ele é gay? Alícia: Não. Eu: Então ele não é teu amigo, cara. Vocês andam de mãos dadas, ele dorme na tua casa e saiu lá do sul pra ficar contigo. Ela revirou os olhos. Alícia: Eu nunca nem fiquei com ele. Eu: Alícia, mano, eu não quero saber. Alícia: Eu quero que tu saiba. Eu nunca fiquei com ele, não é meu namorado, não é nada. Silêncio. Alícia: Ele se ofereceu pra vir junto. E eu aceitei, porque sabia que tu ia aparecer com alguém e eu ia ficar mal. Eu: ... Alícia: Eu tava certa, não tava? Tu apareceu com uma guria ruiva. Eu: E tu foi com esse tatuado escroto. Por que ele tem tanta tatuagem? Alícia: Eu sei lá. Eu: Ele gosta de ti, cara. Não adianta vir com desculpas. Alícia: Eu sei. É uma pena eu não gostar dele de volta.
Pra variar, ela me deixou sem saber o que falar. Engoli seco e fiquei olhando pra ela. Alícia: Ele sabia quem tu era quando abriu a porta. Eu disse que não te conhecia pra não dar confusão. Eu: Hm. - olhei pra baixo. Alícia: Tu acredita em mim? Ela procurou meu olhar, que tava no meu pé. Alícia: Acredita? Eu: É. - dei de ombros. Eu acreditava. Ela não tinha motivo pra vir atrás de mim agora se simplesmente quisesse me dar um fora na frente do moleque. Tinha um banco perto da gente e resolvi me sentar lá. Tinha um poste de luz bem em cima dele e ficava melhor pra enxergar as coisas. A Alícia se sentou do meu lado. Alícia: Se eu corresse pra te abraçar, meu amigo ia encher o saco, meu pai ia te caçar no inferno e tu ia querer matar todo mundo. Te conheço. Dei risada. Pior que conhece. Alícia: Sem contar que tu já te meteu em confusão demais. Ela disse analisando meus machucados, sentada com o corpo todo virado pra mim. Eu tava virado pra frente, olhando pro chão, mas olhei pra ela depois dessa frase. Gosto da Alícia porque ela tem essa característica do Matt de se preocupar comigo mas não ficar fazendo muitas perguntas. Ao invés de ficar me enchendo o saco pra saber como eu tinha conseguido aquela cara de quem apanhou, ela me deu um beijo na bochecha, onde tinha um corte do soco do Henrique. Alícia: Melhorou? Tive que rir de novo. Fiz que não com a cabeça e apontei pro meu olho roxo. Eu: Aqui também. Ela riu e me deu um beijo no olho, por mais estranho que pareça. Alícia: E agora? Apontei pra um corte na minha boca, porque eu não sou bobo nem nada. Ela riu mais ainda e veio pra me dar um selinho, mas segurei o rosto dela e acabamos nos beijando.
Ela sorriu enquanto me beijava e eu tratei de passar meu braço por cima dos ombros dela, apoiando no encosto do banco. Até parei de me preocupar com o quanto teria que ouvir dos caras depois. Eles que falem por horas, dias, meses na minha cabeça. Momentos assim fazem tudo valer à pena. Sempre que ela ameaçava parar de me beijar, eu tentava reverter a situação quase sem pensar. Parecia que, se eu abrisse os olhos, ela ia embora. Por que a gente tá nesse banco idiota? Queria estar na minha casa, só eu e ela. De preferência, na república, sem nenhum pai pra me encher o saco e com um saco de maconha no meu guarda-roupa. Como eu sou romântico. Alícia: Calma, Thom. A gente tá no meio da rua. - ela riu, envergonhada. Eu devia estar passando um pouco dos limites, mas confesso que nem percebi. Já to tão acostumado a levar esporro e apanhar por esse tipo de coisa que nem me importo mais. Se tratando da Alícia então, acho que esqueço até meu nome. Imagina se vou lembrar de maneirar no meio da rua. Eu: Vamos pra minha casa. - falei com a respiração ofegante. Alícia: Hahah! Thom! Ela riu e me deu um tapa no ombro. Odeio como as gurias demoram pra entrar no clima se comparadas com a gente, que é moleque. Me deu até vontade de rir também, me senti um virgem de doze anos. Sentei ela de lado no meu colo, a abracei e ficamos rindo de tudo, porque realmente parecia mentira ela estar ali. A gente nem falava nada com nada e ela só dava risada enquanto eu beijava o pescoço dela. Uma hora acho que peguei pesado de novo e ela jogou a cabeça pro lado, batendo bem no meu olho roxo. Nem preciso dizer que doeu mais do que tudo. Eu: AAAAAU! Alícia: AI! Foi mal! Foi maaal!
Ela abraçou minha cabeça e ficou beijando meu cabelo enquanto eu reclamava de dor e ria ao mesmo tempo. Depois ela me deu um outro beijo e ficou tudo bem. Conversamos sobre tudo: como estavam as coisas na faculdade, os novos amigos, as festas, as coisas em que a gente se metia. Reclamamos, contamos histórias, e eu sei lá, tive a impressão de que ficamos sentados naquele banco por mais de uma semana. Ao mesmo tempo, parecia que não fazia nem cinco minutos que eu tava ali quando o Fred me ligou. Eu: Puta merda. Não vou atender. Alícia: Atende. Pelo que tu falou, o Fred vai ficar bem puto se tu não atender. Eu: Ele vai me chamar praquela festa idiot... Alícia: Atende, Thommy! Tsc. Eu: Alô. Fred: SEU VIADO!! Agora haja paciência pra suportar o Fred querendo me dar lição de moral porque vim atrás da Alícia. Justo o Fred. Fred: Vou te perguntar uma coisa e tu vai ter que ser muito sincero, senão vou ficar puto! Eu: Fala. Respirei fundo antes de mandá-lo tomar no cu. Ele não tem nada a ver com a minha vida. Se eu quiser ir pro sul atrás da Alícia, eu... Fred: Tem comida aí na tua casa? Eu: HEIN? Fred: É, porra. Tem comida? Eu: Ahn... Acho que sim. Fred: Beleza. To indo aí. Mó fome. Eu: Ah! Não! Não. Eu acho que não tem muita coisa, na real. Fred: Porra, Thommy. Ele gritou alguma coisa com a galera que tava junto com ele e eu não pude ouvir direito. Fred: Esquece. Vamo pra casa do Sick Boy. Eu: Agora? Fred: Tu quer ir que horas? Acho que a festa já começou. Ele e o Luc tem umas coisas pra gente usar de fantasia. Eu: Mano, eu não to a fim de ir nessa festa, de verdade. Fred: Vai ser muito louca, Thommo! Eu: Pff. Fred: A gente te espera na casa do Sick Boy pra inventar uma fantasia.
Olhei pra cara da Alícia antes de responder. Ela tava mexendo nas pontas do próprio cabelo, super concentrada. Não posso deixá-la aqui, puta merda. Eu não quero ir embora, não quero que ela vá também. Mas cara, ela já tá sendo muito louca por estar aqui comigo sendo que tem um cara na casa dela. Nós dois estamos sendo bem loucos pra falar a verdade. Não sei quem estou querendo enganar. Daqui à pouco ela vai precisar ir pra casa dela, eu vou precisar encontrar os moleques. Não vai dar pra ficar brincando de namoradinho pra sempre. Pelo menos encho a cara de álcool e me esqueço um pouco das coisas nessa festa. Eu: Beleza. Fred: Falou! Desligou. Voltei a olhar pra Alícia, que sorriu pra mim. Alícia: Qual a boa de hoje? Eu: Festa à fantasia. - falei com tédio. Alícia: De quem? Eu: Sei lá. Alícia: E tu vai fantasiado do quê? Eu: De nada. Alícia: Imaginei. Hahah. Eu: Não quero ir, cara. Eu odeio festa à fantasia. Alícia: Tu já foi em tantas assim pra odiar? Eu: Não, mas odeio todas. Ela riu da minha cara e me deu um abraço bem apertado. Senti o cheiro bom do cabelo dela. Eu: Vamo comigo. Alícia: Eu iria, se desse. Eu: Vamos. Tu coloca uma máscara e ninguém vai saber que é tu. - sorri. Alícia: Aham. Hahaha! Eu: Eu te escondo. Ela sacudiu a cabeça, me abraçou e me beijou de novo. Assim vai ficar difícil ir embora. Alícia: Eu também preciso ir. Eu: Que merda isso. Amanhã tu vai tá aqui ainda? Alícia: Vou embora antes de tu acordar de ressaca dessa festa. Eu: Pode crer. E tu vem na semana que vem? Alícia: Não sei. - ela sacudiu a cabeça. Que merda, mil vezes merda. Eu: Tá. Tudo bem. A gente se vê ainda, não é? Ela fez que sim com a cabeça, mas não com tanta certeza. Eu sou muito zicado. Alícia: Eu já vou. Eu: Beleza.
Concordei mas não soltava ela nem fodendo. No começo, ela tentou se soltar, depois percebeu que eu tava fazendo de propósito. Alícia: Thommy! Eu: Hahah, foi mal. Soltei ela, nos levantamos e ficamos de frente um pro outro, meio sem saber o que fazer. Acho que nenhum de nós dois queria ir embora de verdade. Eu: Então... Alícia: Minha casa é pra lá. Tu vai pro metrô? Eu: É. Ficava na direção oposta. Eu: Quer que eu te acompanhe... Tipo... Até tua casa? Perguntei meio inseguro, apontando na direção da casa dela. Ela arqueou as sobrancelhas. Eu: É, acho melhor não. Ela me deu um último abraço bem forte e eu tive vontade de chorar por causa da minha costela dolorida, mas me segurei. Depois me deu um selinho demorado, sorriu pra mim, e saiu andando. É. Só me restava fazer o mesmo. Me virei e saí andando em direção ao metrô. Olhei pra trás umas dez vezes, mas em nenhuma das vezes ela tava olhando. Que situação estranha. Eu não sabia se iria vê-la de novo, se o cara ia recebê-la com um buquê de flores em casa, tava foda. Comecei a sentir uma coisa muito ruim, uma ansiedade bizarra. Me virei de uma vez, sem pensar, e gritei pra ela. Eu: Ei! Ela se virou. Eu: Tu ainda é minha menina, não é? Gritei tão alto que acho que a velha que tava passando do meu lado pensou que eu estivesse falando com ela, porque me olhou estranho. A Alícia deu uma risada bonitinha e continuou andando. Tá tudo bem.
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Capítulo 82
Pedro Lucas Narrando Ligaram do hospital, falando que a Manu tinha piorado. Entrei em desespero, fui correndo pra lá, no caminho encontrei a Larissa ela insistiu tanto que acabou vindo junto comigo. Ficamos sentados esperando, todos estavam desesperados e ninguém dava notícias da Manuella. O Diego foi o ultimo a chegar, cheio de olheiras, parecia que não dormia a dias. O médico veio até nós e explicou que a Manu não tava respondendo aos aparelhos, que ela estava entre a vida e a morte. Ele não poupou as palavras para nos deixar sem esperanças. Hoje era dia do Diego ficar lá, fomos para casa, mas eu não consegui relaxar. Passaram 1 mês, a Manu continuava no mesmo estado a gente ainda revezava de quem ai passar a noite com ela. Eu tava tentando me animar pros shows, e os compromissos da banda, mas era complicado sorrir pras fãs enquanto o amor da minha vida estava em uma cama de hospital entre a vida e a morte. Eu tava em casa, tudo ali me lembrava a Manu. Peguei meu violão e lembrei da música que eu escrevi pra ela enquanto estávamos separados. Não deu tempo dela ouvir por causa do acidente, comecei a tocar e me veio uma idéia louca na cabeça. Eu sabia que a Manu tava mal e não iria me ouvir, mas mesmo assim eu precisava arrumar um jeito de levar o violão até o hospital, não tinha jeito, o único que podia me ajudar era o Diego. Não queria, mas acabei ligando pra ele, ele me disse que o horário do almoço é mais calmo e que iria me ajudar. No dia seguinte na hora do almoço encontrei ele em frente o hospital. Ele foi na frente pra ver se não tinha ninguém e eu acabei conseguindo entrar com o violão no quarto, ele ficou esperando do lado de fora na porta, para que ninguém entrasse.
Olhei pra ela, tão linda, tão minha. Comecei a tocar, quando acabou a música cheguei perto dela... -Meu amor! Essa música eu fiz pra você, pensando em você, enquanto estávamos separados, não deixei de pensar em você um só minuto. Você entrou em mim de uma maneira que eu não consigo tirar, e nem quero. Não me abandona.. eu preciso de você mais que tudo! Eu posso ter errado, eu posso ser completamente diferente de você, mais eu te amo e sei que você também me ama, mesmo tendo medo de assumir esse sentimento! Volta pra mim, volta a ser minha! De nada adiantou aquilo tudo, ela nem moveu um dedo. Sai de lá já sem esperanças, agradeci o Diego e fui para uma entrevista. Logo quando eu sai da entrevista da Roberta me ligou, ela tinha ido pra lá, hoje era dia dela dormir com a Manu. -Fala Ro! -A Manuella Pedro! -O que tem ela? Ela piorou? Me conta!-Eu disse nervoso -Vem pra cá Pedro! Fiquei nervoso, quase bati o carro. Mas consegui chegar no hospital...