Minha mãe estava em êxtase quando pegamos a carta no correio. Ela já tinha feito todos os planos, e com isso todos os nossos problemas tinham acabado, ela só não contava que eu ~a peça principal de seu plano~ não estava nenhum pouco afim de assinar aquela papelada.
Não quero ser da realeza. Não quero mudar de cidade. Não quero ir pro castelo.
Me escondi no meu quarto o resto da tarde, o único lugar onde posse fugir do falatório. Passei a tarde toda pensando em argumentos que fizessem minha mãe mudar de ideia, mas ate agora não encontrei nenhuma, na verdade tudo o que vinha na minha cabeça era minha sincera opinião e acho que minha atual situação não ajuda, Eu teria que ir pra essa merda de Seleção.
Eu não conseguiria escapar por muito mais tempo da minha mãe, e sendo o filho mais velho que ainda morava em casa, tinha que ajudar a preparar o jantar e não estava nem um pouco feliz com essa ideia, e se eu fugisse? Nossa Niall, onde você moraria.
A preparação e o janta foi silencioso, minha mãe me repreendia com o olhar, será que ela não vai desistir?
-Você vai morrer se preencher o formulário? – disse ela sem se aguentar – A Seleção pode ser uma oportunidade maravilhosa pra você, para todos nos.
Suspirei alto, pensando que sim, seria minha morte preencher aquele formulário.
-Filho você sabe que se não preencher o formulário da Seleção vai ter que preencher o formulário da guerra –
Mal sabe ela que nesse momento eu estou quase com a segunda opção, e se não fosse o bastante minha mãe resolveu mexer com o meu ponto fraco.
-Os últimos anos tem sido difíceis para seu pai – minha mãe disse levantando – Se você tiver um pouco de compaixão vai penar nele – e ela conseguiu me deixar mal, só de pensar em meu pai meu peito doe.
Meu pai sim precisava da minha ajuda, e eu queria muito ajuda-lo, mais só de pensar os motivos que me fazem querer ficar meu sorriso se espalha e meu peito doe mais ainda, não quero ter que escolher entre meus motivos e ajudar meu pai.
Fiquei pensando se meu pai veria a Seleção como forma de ajudar tudo, se ele pensaria igual a minha mãe, que acha que dinheiro vai fazer com que nossas vidas mudem, éramos músicos e com isso o dinheiro mal dava pra pagar as contas, quando eu vi as coisas desse jeito a Seleção parecia à única opção, aquela carta idiota talvez me tirasse do fundo do poço, então poderia puxar minha família comigo.
Eu observava minha mãe, para uma mãe de cinco filhos, ela ate que estavam bem robusta, os cabelos dela eram castanhos igual aos meus, mas cheios de cabelos brancos, embora ainda fosse bastante jovem, eu podia reparar que ela circulava pela cozinha com as costas curvadas, como se carregasse um peso invisível nas costas.
Eu sabia que minha mãe sentia um grande peso nas costas, e sabia que foi por isso que ela passou a tentar me manipular sempre que podia, e sabia também que ela estava me achando um infantil por não preencher um simples formulário.
Só que ela não sabia das coisas que me prendiam no vilarejo – coisas que eu amava – e aquela folha de papel se erguia como um muro entre eu e o que eu queria. Não estava a fim de sacrificar meus sonhos, independentemente do quanto minha família fosse importante pra mim, já tinha feito muito por eles.
Eu era o filho mais velho, depois que Greg se casou e Brett saiu de casa, assumi meu novo papel o mais rápido possível, fazia de tudo pra ajudar em casa, estudava nos horários que arranjava entre os ensaios – que me tomavam a maior parte do meu dia – Mas com a chegada da carta, todos os meus esforços perderam sentido, na cabeça da minha mãe eu já era o marido da princesa.
A meia noite pareceu uma eternidade, dei uma ultima olhada no espelho e sai, passei nas pontas dos pês na cozinha fazendo o mínimo barulho possível, peguei minhas sobra do jantar, um pedaço de pão que estava quase estragando e uma maça, voltei pro quarto a passos mais silenciosos do que tinha ido pra cozinha, abri a janela com todo o cuidado, a lua quase não tinha brilho e precisei de um tempo pra que meus olhos se acostumassem. Do outro lado do gramado era possível ver a silhueta da casa da arvore, olhei para os lados, as luzes das casas vizinhas já estavam apagadas e não tinha ninguém vendo, sai pela janela com cuidado. Eu costumava ficar com a barriga toda arranhada por causa da maneira como me arrastava pra fora, mais agora sabia exatamente como sair sem se machucar.
Acelerei pelo gramado, e escalei as ripas na arvore, não era uma distancia muito grande, mais ali eu tinha sensação de deixar os problemas a quilômetros de distancia, entrei naquela pequena caixa sabendo que não estava sozinho, alguém estava do outro lado, ou melhor, ela estava do outro lado.
-Oi minha linda – disse a abraçando









