Capítulo II
No dia 22 de dezembro do ano de 1991 nascia um serumaninho iluminado, bem-amado, querido e desejado... Logo ali do lado nascia eu! Até onde sei, pelo que me contam, logo que nasci minha mãe me entregou para uma família que conhecia uma família que queria adotar uma criança e lá fui eu... Um menininho negro para a casa de uma família branca bem estruturada. Minha mãe me deu o nome do seu marido com o típico Júnior no final. Naquele dia ganhei o nome de Antônio Matias Mendes Júnior, filho adotivo e caçulinha de Dona Maria Isabel e do Senhor Antônio Matias. Meus pais já tinham dois filhos, lembro-me pouco sobre essa parte da minha vida com eles, na verdade, as poucas lembranças que tenho são: - Pequeno Tom sentando na porta do forno do fogão e chorando quando o fogão caiu sobre ele; - Pequeno Tom fugindo de casa com uma mochilinha nas costas dizendo que ia estudar junto com os irmãos; - Pequeno Tom sem saber muito o que aconteceu, mas depois desse dia nunca mais ele viu a Dona Maria Isabel. :/ Sim, minha mãe morreu. Quando eu tinha 3 anos ela me deixou aqui. Justo aquela mulher que me acolheu e me deu o amor que eu precisava foi embora por culpa de um ser desgraçado que espero do fundo do meu coração de pedra que esteja sofrendo muito com a vida. A partir daí tudo desandou. Meu pai e meus irmãos viviam em pé de guerra até que ele decidiu deixá-los com os parentes e foi embora comigo para “n” lugares durante mais ou menos 13 anos. Cresci um pouco aqui, um pouco acolá, mudava de escolas, cidades, estados, culturas e lares. Foram anos turbulentos, mas sempre tive o papai ao meu lado (mentira). Meu pai é do tipo de homem 1001 utilidades, faz de tudo, trabalhava com o que lhe ofereciam para me dar uma vida boa. Sempre que estava no fundo do poço ele conseguia se erguer e eu o admirava por isso, sempre foi meu paizão, meu herói, até o dia que nos separamos. Aos 16 anos estava morando sozinho em uma casa grande, a princípio ainda sendo sustentado pelo papai até terminar o ensino médio e ele sair da cidade. Um adolescente, numa casa, sem ter como se manter só pensa em uma coisa: FODEU! Nesse tempo até meu primeiro emprego foram entre ficar sem energia elétrica, ficar sem comida, ganhava alimentos dos meus amigos e me sentia o ser mais inútil do mundo. Ficava em casa para lá e para cá sem saber o que fazer, porra... Eu era o caçula, o mimado, piscava e tinha o que queria até mesmo nas horas mais escuras e do nada estou eu ali, no meio de um quintal, sem energia, sem forças, sem comida e desejando que um raio me partisse ao meio. Foram os piores meses da minha vida, não conseguia olhar meus amigos nos olhos, e ele sempre me apoiando, me ajudando, mas o orgulho não via bem dessa forma. Assim comecei a me afastar de todos, sentia vergonha de sair por aí, de conhecer pessoas, de rir, sentia vergonha de existir pois ali eu não estava vivento, simplesmente estava ali por estar. Meu inferno durou cerca de mais ou menos um ano, entre bicos, ajudas, quedas e um sorriso falso de “ta tudo bem, obrigado! ” Achei que aquilo nunca acabaria, sempre que conseguia ajeitar uma coisa, outra dava errado, era um passo para a frente e três para trás. #FoiTriste Queria correr, fugir, morrer, e estava morrendo aos poucos com meus pensamentos. Minhas paralisias a noite aumentaram com frequência. Eu não era mais eu ali. Sem saber me impor, fiz coisas boas e ruins para me sustentar naquele período, me sentia um lixo humano. Me imaginava queimando em uma enorme fogueira em meu inferno particular com todos aqueles rostos gritando: FRACO! Estava ali triste. Sozinho. Chorei! Felizmente algo fincou novamente meus pés aqui, e aos poucos as chamas foram se apagando. E toda vez que chorava por “n” motivos, sentia o álcool escorrer por mim esperando alguém riscar o fósforo e tudo começar de novo. Ainda há combustível aqui. #BURN Tom Matias Jr











