Capítulo O4 - Stole My Heart
Cheguei na boate, Vivian já veio correndo me receber.
- VOCÊ É MEIO DEMENTE DA CABEÇA NÉ NÃO?
- Não, sou demente do coração. – cada pergunta
- Não brinca! Sua doida, onde você se meteu? – me abraçou apertado
- É uma longa história, só contando direito e explicando...
- Rose! O que aconteceu pra você ter sumido assim? – Tina chegou, preocupada
- Olha gente não foi nada demais, ok? Preciso tomar um banho e relaxar. Ah, aqui as dez libras para fazer a parada da Avery. – peguei o dinheiro no bolso e entreguei a Tina
- Valeu. – pegou
Fui para o quarto, porém Vivian me seguiu, assim que entramos ela trancou a porta.
- Pode me explicando isso direito, moça. – me encarou
- Até onde você sabe? – sentei na cama
- Só vi você conversando com um cara no bar e quando olhei não estavam mais lá.
- Esse cara me levou pra fora e tentou me agarrar à força, você não tem noção do pânico que eu fiquei.
- Meu Deus! Como assim tentou te agarrar? – pulou na cama, sentando do meu lado
- Deixa de ser burra cara, ele me levou pra um beco e tentou me agarrar vendo que eu não queria nada com ele.
- E o que aconteceu? Conseguiu?
- O Harry apareceu na hora indo pra cima dele e impedindo o pior.
- Quem é Harry? Aquele garoto que encontramos na rua? MENTIRA? – ficou muito surpresa
- É, ele mesmo. Parece que foi um anjo, porque aparecer bem na hora... – cruzei as pernas
- Anjo? Parece macumba! Como ele aparece assim do nada?
- Vai saber! Por isso prefiro chamar de anjo.
- E depois?
- Depois a chuva começou a apertar e fomos para o apartamento dele, aí lá cuidei dos ferimentos já que ele apanhou do cara e acabei dormindo lá, porque ele me obrigou.
- Aham, só dormiu. – me olhou desconfiada
- Não fizemos nada, nada mesmo. Nem um beijo eu dei nele.
- Eu duvido, devem ter dormido agarradinhos, todo meigos. – sorriu
- Você viaja! Eu dormi no sofá e ele no quarto, só isso.
- Mas ficou com vontade. – me encarou, querendo rir
- Não fiquei. – me convenci
- Claro que ficou! Me poupe, deveria ter agarrado ele logo, estavam sozinhos.
- Não fiquei e ponto! Agora vou tomar um banho e dormir, porque não dormi direito e estou cansada, foi uma longa noite. – levantei
- Vão se encontrar de novo?
- Quem sabe. – sorri, deixando um ar de mistério
Harry
Vendo aqueles olhos sedutores juntamente com aquele sorriso malicioso, já subia uma vontade imensa de tê-la junto ao meu corpo, de senti-la. Aquele era um tipo de desejo que eu nunca senti antes, chegava a me dar arrepios. Enquanto se aproximava lentamente, olhava com vontade seu decote que me levava a imaginar cenas enlouquecedoras até para mim. Sentou em meu colo de frente, sorrindo.
- Ora Harry, isso aqui não é nada comparado ao que eu posso fazer com você. – mordeu o lábio inferior, a fazendo ser totalmente sexy
- Eu deixo você fazer o que quiser comigo, desde que eu possa fazer o dobro com você depois. – sorri, a apertando sobre mim
- Vamos então. – começou a puxar minha blusa, a desabotoando
Peguei em seu rosto, me dirigi até sua boca, quando tudo sumiu.
- Harry! Acorda logo! – Louis me balançava
- QUÊ? CADÊ? ONDE? – levantei assustado
- Eu, aqui, agora. E olhe – pegou o espelho que fica pendurado ao lado do armário – Essa é a prova de que seu cabelo fica escrotíssimo quando você acorda. – disse, me mostrando
- Eu já sei disso, não precisa dizer. Que horas são?
- Oito horas. Acho que era para estar no seu trabalho há meia hora atrás. – colocou o espelho no lugar
- Droga! – levantei correndo – Preciso correr.
- Estava sonhando é? – perguntou, com uma voz engraçada
- Por quê? – pegava minha roupa no armário, cheio de pressa
- Seu amiguinho aí tá animado. – riu
- PARA COM ISSO! – olhei, estava mesmo, coloquei a mão na frente, cara chato – Estou com vontade de fazer xixi. – corri para o banheiro
- Aham, vai lá fazer xixi branco. – disse, irônico
- Babacão! – entrei no banheiro e fechei a porta
- Pode falar pra mim cara, sou seu melhor amigo e já tive muitos sonhos eróticos na vida, faz parte. – falou alto, para que eu escutasse
- Não foi um sonho erótico, foi um sonho normal. – falei no mesmo tom de voz, confesso que estava com vergonha
- Um sonho normal não deixa um cara de pau duro. – começou a rir
- LOUIS! – gritei
- Tudo bem, já zoei. Tá assim desde que voltou da boate de Strippers, né? Então a coisa lá foi muito boa.
- Talvez se você ficasse um pouco em casa saberia o que aconteceu. – saí do banheiro, sem camisa
- Desculpa se estou deixando você muito sozinho, bebê. Quer chamar a mamãe pra ficar aqui no meu lugar? – deitou na cama
- Não enche. – joguei a camisa em cima do mesmo – Dormiu na Samanta hoje?
- Dormi, aliás esses dois dias que estive fora eu dormi na casa dela. Os pais dela me adoram, vantagens de ser um bom menino. – sorriu
- Sei, isso é um bom sinal. – colocava os tênis correndo
- Um ótimo sinal. Aprenda comigo, quando conhecer uma garota maneira, conquiste logo os pais, isso ganha muitos pontos.
E então me lembrei da Rose, que já tinha saído dali ao que parecia bem cedo. Deixou o edredom dobrado com o travesseiro em cima do sofá. Acabei sorrindo e isso me fez lembrar do sonho que estava tendo até o idiota do Louis me acordar.
- O que está pensando? – perguntou
- Nada, viajei aqui agora.
Louis é meu melhor amigo, irmão praticamente. Dividimos o apartamento faz um ano, decidimos isso porque pegávamos dois ônibus todo dia para ir à faculdade, já que eu morava em Cheshire e ele em Doncaster, bem longe do centro.
- Corre Curly Hair, você está totalmente atrasado. – olhou no relógio
- Eu sei, já fui! Até mais tarde.
Espirrei o desodorante, peguei a camisa, carteira, celular e saí. Como tenho uma cabeça de vento, esqueci a mochila e tive que voltar pra pegar. Desci correndo, quando me esbarro com o Liam na portaria, também de saída.
- Ei Harry, indo pra loja? – perguntou
- Sim, vai pra lá também? – me referi a direção
- Vou, só um instante. – separava umas cartas – A propósito, chegou umas correspondências para você e Louis.
- Deixa aí, depois pego. Só pode ser contas.
- Pronto, vamos.
Liam mora no mesmo prédio que nós, no andar de baixo. É um prédio pequeno, com cinco andares apenas, nem elevador tinha. Andávamos rápido. Enquanto Liam falava algumas coisas que eu não estava prestando atenção, não parava de pensar no sonho e em como ele me fazia sentir desejo por Rose. E olha que não tínhamos feito nada ate então.
- Você nem me contou como foi na boate! Me diga. – sorriu, batendo no meu ombro
- Ah, foi tudo certo, deu pra curtir. – respondi, voltando a realidade
- Muitas gatas?
- Gatas é pouco, só gostosa.
- Queria ter ido, que vacilo. – resmungou
- Também acho que você deveria ter ido, mas enfim. – dei de ombros
- Eu tinha aquele maldito trabalho de Território e Sociedade para entregar no dia seguinte, se não fosse isso eu estaria lá com certeza.
- Você é o maior nerd, perder um trabalho não faria diferença. – ri, óbvio
- Faz sim, muita diferença. Entra na faculdade com esse seu pensamento de “garoto fodão da turma do fundão” que você se ferra.
- Eu sei Liam, eu sei. – sorri
- E como está indo na faculdade? Amizades novas? Garotas?
- Nada demais, tem uma galerinha bacana, dá pra levar.
- É isso, vou seguir daqui. A gente se vê. – continuou andando
- Até mais. – abri a porta da loja
Eu trabalho em uma loja de informática, do meu padrasto. Sendo mais específico, numa loja de montagem e manutenção de computadores, notebooks, celulares, tablets e essas coisas. Eu já fiz um curso básico disso, então sei consertar algumas coisas, caso não conheça o erro do produto têm mais dois técnicos (Josh e Dan) na loja que sabem informar melhor. Por não ser tão profissional, fico mais no balcão atendendo as pessoas, explicando preços, entregando encomendas etc.
- Gente me desculpa o atraso, perdi a hora. – coloquei minha mochila embaixo do balcão
- Que milagre, isso nunca aconteceu. – Josh riu, enquanto analisava um monitor
- Para tudo tem a sua primeira vez. – disse Dan
- Muita coisa pra fazer? – perguntei
- Tem esses dois notebooks que deixaram ontem com problema no sistema, aqui está a ficha e você cadastra aí. – Dan me entregou os papéis
- Pode deixar. – peguei, me sentando
Enquanto ligava o computador, entra alguém.
- Bom dia, jovens! Se interessam em comprar algumas flores para presentear quem vocês amam? – perguntou um senhor de idade, com três buquês nas mãos
- Parece tentador, mas não tenho a quem presentear. A não ser que seja você, Josh. – Dan riu, cutucando Josh
- Eu adoraria receber flores um dia, bom que você já está sabendo. – respondeu, rindo
- Não senhor, deixa pra próxima. – Dan respondeu
- Tudo bem, qualquer coisa minha loja fica aqui na esquina.
Fechou a porta. Tive uma ideia.
- EI, espera aí. – levantei, indo até o senhor
- Sim? – voltou
- Quanto custa um buquê desse? – segurei a porta
- Quinze libras. Vai querer? – pareceu animado
- Vou sim, porém preciso que leve em um endereço. – peguei a carteira
- Só um minuto, vou chamar o meu neto, ele que faz as entregas. – se virou – JONAH! VEM AQUI! – gritou
Chegou um menino quase do meu tamanho, de bermuda, camiseta e boné. Magro, aparentava ter uns quinze anos.
- O rapaz aqui quer que leve um buquê, ele vai te passar o endereço. – disse
- Onde? – perguntou
- Sabe aquela boate Stript que tem aqui perto? Lá mesmo. – contava o dinheiro
- É sério? – me encarou, rindo
- Por que? – perguntei
- É que... É uma boate. – deu de ombros – E boates não abrem de dia.
- Tem gente lá dentro, é só você bater na porta. – entreguei o dinheiro – Leva esse aqui – mostrei o buquê que o senhor estava segurando, era de lírios – E entrega para Rose Walker. – sorri
- Tudo bem. – pegou o dinheiro e guardou no bolso
Acertei com ele e voltei para a loja, me sentando novamente ao meu lugar. Percebi que Dan e Josh me olhavam sérios, sem entender. Só se escutava o som do ar-condicionado.
- Algum problema? – perguntei, sorrindo
- Acho que todos. – Josh respondeu – Pra quem você mandou flores?
- Para uma pessoa. – digitava o formulário que Dan tinha pedido
- Claro que foi para uma pessoa! Queremos saber quem. – Dan
- Não, eu poderia ter mandado para um morto. – soltei um risinho
- Meu Deus Harry não faça piadas, você é péssimo. – Josh sorriu
- E não mude de assunto! Quero saber quem é a da vez. – Dan se aproximou
- Uma amiga. Não diria amiga, uma garota legal que eu conheci e quis parecer legal também.
Ficaram me olhando com aquela cara de “Aham, sei, continua me enganando que eu gosto”.
- Tipo assim Dan, ele conheceu uma garota ontem e já manda flores pra ela.
- Esse cara é dos bons, preciso aprender mais com ele. – Dan começou a preencher uns papéis
- Não a conheci ontem, foi antes de ontem, respectivamente.
- Só espero que não seja alguém que você conheceu na boate. – Josh me encarou
Golpe baixo, fiquei quieto. Parei de digitar por uns segundos, molhei os lábios e voltei a fazer o que estava fazendo.
- Que merda Harry, como pôde cara? Ela é uma-
- Não continue a frase Josh. – o encarei – Costumamos muito julgar uma pessoa pela aparência, e nem nos damos o trabalho de conhecer para podermos ter motivos de julgá-la ou não.
- Mas eu não estou julgando e sim apenas te alertando cara! – se aproximou, segurando em meu ombro – Toma cuidado.
- Eu sei o que estou fazendo Josh, pode deixar. – dei um sorriso meio sem vontade
- Eu espero!
- Do que estão falando? – Dan perguntou, totalmente perdido
- Nada, nada demais. – Josh respondeu
- Vou voltar ao que eu estava fazendo, se as moças permitirem. – falei, me virando para o computador
Fiquei pensando, se estava sendo precipitado nas coisas como o Josh falou. Porém pra ele, ela é uma “garota de programa”. Pra mim, uma garota que só precisa de uma mão pra ajuda-la a levantar do buraco negro.














