Brigitte estava esperando o príncipe de Genovia — ela jurava que era um país de verdade — desde o início da noite. O pai dela, o riquíssimo sr. La Rue que simplesmente não sabia dizer não à filha, muito menos desmentir todas as crenças dela, prometeu que havia mandado o convite e o monarca apareceria em algum momento da festa à fantasia que acontecia na mansão. Ela tentou disfarçar a ansiedade, mas aquela era a décima vez que subia os degraus da escadaria e se dirigia até o seu quarto para ajeitar o vestido cor-de-rosa que imitava o da Bela Adormecida e retocar a maquiagem. Tinha que estar impecável para conhecer o príncipe! Ela abriu a porta do cômodo escuro e ligou o interruptor com um clique. O coração deu um pulo no peito quando as luzes se acenderam e ela encontrou o semblante de um desconhecido no meio do quarto dela. “AAAAAH!” O grito escapou dos lábios da loira, que não tardou em correu até a penteadeira, pegar a sua escova de cabelos, e atirar nele. Era auto-defesa. “O que você quer no meu quarto, seu feioso?!” Questionou em um tom mais fino que o de praxe, a mão sendo levada até o peito que subia e descia em ritmo acelerado enquanto as irises estudavam a figura masculina. Lentamente, encaixavam-se as peças de um quebra-cabeças dentro da mente dela. Brigitte não conhecia aquele rapaz... aquele rapaz jovem, nada feioso como havia chamado, e sim muito bonito e esbelto... parecidíssimo com a imagem mental que a La Rue tinha de um príncipe... “Ai meu Deus. AI MEU DEUS!” Exclamou, arregalando os olhos. “É você! É você mesmo!” Ela endireitou a postura e tratou logo de fazer uma reverência, logo depois dando mais um gritinho. Dessa vez um “iiiiiih” bem agudo, as mãos juntas. “Vossa Alteza, eu não acredito que você veio de Genovia só para a minha festa, é sério, eu estou tão, tãoooo honrada!” Daí ela lembrou que... “Eu joguei uma escova em você! E te chamei de feioso!” Todo o entusiasmo foi substituído por uma expressão de espanto. “Me desculpa, Alteza! Sou horrível. Eu só me defendi porque pensei que você fosse, não sei, um sequestrador que ia me prender numa cabana no meio da floresta! Pelo amor de Deus, você é tudo menos feioso!”