De todas as coisas que aconteceram entre nós dois as idas e vindas foram, de longe, as piores. Não digo as idas e vindas depois de discussões e desentendimentos, e sim depois do término, do fim definitivo. Depois de ter acabado tudo pra sempre, mas como diz aquela música: 'o pra sempre sempre acaba'. Tudo começava com um 'oi, como vão as coisas?' e do nada já estávamos conversando alegremente, como se tivéssemos voltado pra vida um do outro, ou talvez nunca tivéssemos saído.
Mas a pior volta, sem dúvidas, foi a última. Conversamos, nos vimos, e tudo voltou à tona. Nesse dia entendi o ditado 'o que olhos não veem, o coração não sente'. Por um segundo achei que fosse possível termos tudo aquilo de volta, como se voltássemos naquele 15 de junho onde tudo começou, sem mágoas, sem rancor, só amor. E eu acreditava fielmente nisso, apesar de meu coração continuar inquieto, mesmo com a tua presença. Seria medo? Ansiedade? Alegria? Conversamos sobre irmos devagar, mas nos conhecíamos tão bem... Não passamos um ou dois meses juntos, e sim dois anos! Isso não é pouco, ainda mais com a intensidade que nos rondava.
Até que, aos poucos, conversando com um e outro amigo, entendi o que era aquela inquietação: meu próprio coração estava tentando avisar que aquele sentimento tão lindo já não estava mais ali. Mas era tarde demais, planos já haviam sido feitas, promessas firmadas, sonhos com uma nova perspectiva de serem realizados. Sem a intenção, eu te iludi. Era compreensível a tua reação, tua raiva, tua tristeza. Mas o que tu não entendeu era que eu havia me iludido também. Eu achei que estava tudo bem, poderia sim deixar as coisas pra trás (e consegui!), mas percorremos um caminho tão complicado, tortuoso, cheio de batalhas cruéis que, no final, não sobrou nada além de carinho por tudo o que vivemos.
Eu sei que errei, não deveria ter dado tanta certeza se não a tinha, mas como eu poderia saber? Tu não faz ideia do quão doloroso foi admitir que não havia o que fazer, aquele sentimento escapou de mim antes que eu pudesse perceber.
Apesar de saber que o erro foi meu, minha tristeza pela tua insensibilidade não diminui. No meu ponto de vista, se amamos alguém, ou ao menos gostamos, tentamos entender o motivo daquilo tudo sem atacar, sem tentar ferir quem já está ferido. Só que isso mostrou, mais uma vez, o quanto somos diferentes, pois definitivamente tu não pensa assim.
Sei que tua escolha foi apagar TUDO o que vivemos, e respeito totalmente, mas não usarei da mesma. Eu não vou apagar tudo de bom que vivemos, nunca! Não vou apagar da minha mente o que tu despertou em mim, a forma como cresci e aprendi com tudo o que vivemos, os sentimentos diferentes e até então desconhecidos.
Não vou jogar fora um livro só porque alguns capítulos não foram tão bons assim.