“Aquele imperecível que está no Coração o tempo todo é auto-refulgente. Como escrever isso?”
EKAM AKSHARAM - A LETRA ÚNICA E O ÚNICO IMPERECÍVEL
Carta 62, 18 de Agosto de 1946
Há uns dias atrás, alguns Gujaratis [1] que tinham vindo de Bombaim compraram alguns livros do Ashram e fotos de Bhagavan e, mostrando-os a Bhagavan, pediram que ele escrevesse o seu nome nos livros. “Que nome haveria de escrever?” perguntou Bhagavan. “O seu nome”, disseram eles. "Que nome tenho eu?" disse Bhagavan. Quando eles perguntaram: "O seu nome é Ramana Maharshi, não é?" Bhagavan disse sorrindo: “Alguém disse isso. Realmente, o que é um nome ou um lugar nativo para mim? Eu só poderia escrever se tivesse um nome.” Os gujaratis foram embora em silêncio, sem dizer mais nada.
Em janeiro de 1945, você lembra-se que enviou o seu livro sobre Bancos com um pedido para que Bhagavan pudesse ter a amabilidade de escrever nele a palavra 'OM' ou 'SRI' e lho devolver, e que Bhagavan se recusou a fazê-lo. Em vez disso, ele deu-me um pedaço de papel, no qual escreveu uma tradução em Telugu de um verso que ele havia escrito há muito tempo em Tâmil, quando Somasundaraswami fez um pedido semelhante. Quando enviei para si aquele pedaço de papel, considerou-o uma upadesa, um preceito de Bhagavan, e ficou muito feliz. Posteriormente, ele fez algumas pequenas alterações. Mais tarde, Bhagavan traduziu-o para o sânscrito como um sloka a pedido de Muruganar [...]. O significado é o seguinte:
“Aquele imperecível que está no Coração o tempo todo é auto-refulgente. Como escrever isso?”
Lembrei-me de tudo isto quando os Gujaratis fizeram um pedido semelhante hoje e obtiveram uma recusa.
Há cerca de dez meses atrás, veio cá Pantu Lakshminarayana Sastri, um Pandita Telugu, do Maharajah’s College, de Vizianagaram. Depois de elogiar Bhagavan com versos compostos de improviso, ele apelou a Bhagavan assim: "Por favor, deixe-me ter algo para comemorar este evento e abençoar esta pobre alma." "O que devo dar?" perguntou Bhagavan. “Qualquer coisa que o senhor quiser; apenas um aksharam (letra) como forma de upadesa”, disse ele. Bhagavan disse: "Como posso dar aquilo que é 'akshara'?" e assim dizendo, olhou para mim. Eu disse: "Talvez funcione se o senhor lhe falar sobre o sloka Ekamaksharam." Sastri perguntou: "O que é esse sloka?" Então li aquele sloka. “Onde está aquele dwipada?” perguntou Bhagavan [2]. Eu li esse também. Sastri ficou radiante como se tivesse um grande tesouro e copiou tanto o sloka quanto o dwipada. Quando lhe contei sobre as circunstâncias em que aqueles dois foram escritos, ele sentiu-se muito feliz e foi embora depois de se curvar diante de Bhagavan. Lembrei-me de tudo isto quando Bhagavan estava a dizer aos Gujaratis: "O que é um nome ou um lugar nativo para mim?" Não apenas isso. Lembrei-me de uma canção que a nossa mãe costumava cantar enquanto se dedicava ao trabalho doméstico, cujo significado é mais ou menos o seguinte:
“Rama Namam é o vasto universo que não tem nome, corpo ou trabalho. Tem um brilho que ultrapassa a lua, o sol e o fogo.”
O nome de Ramana também é assim!
Letters - Cartas do Sri Ramanasramam, de Suri Nagamma (pdf)
[1] Gujarati - Habitante do estado Indiano de Gujarat)
[2] Dwipada: Bhagavan refere-se à versão em Telugu do Dístico (estrofe que possui dois versos que rimam entre si).
🕉️ De referir também a Carta 28 e a Carta 79
Fonte da imagem: Sri Ramanasramam