⠀O evangelho de hoje (sexta-feira depois da Epifania) relata a cura do leproso, que disse a Jesus “Senhor, se quiseres, podes curar-me”, e em resposta, Ele tocou-lhe e disse “Eu quero, fica curado”. [Lucas 6, 12-16]
⠀Esta passagem abre um leque de interpretações, mas todas elas levam ao mesmo ponto: o Senhor quer nos curar, de toda lepra espiritual e física que existe em nós. Muita das vezes, pedimos a Deus insessantemente a mesma coisa, sendo que para Ele, que tem o controle sobre tudo e todas as coisas, nada leva mais que um milésimo de segundo para acontecer. Isso me leva a pensar que certas coisas Ele não fará como queremos: ou porque ainda não é hora, ou porque será o espinho em nossa carne que teremos que conviver, ou ainda porque a cura já aconteceu, só não foi como esperávamos que fosse. É fato que Deus não faz nada pra nos prejudicar, que tudo o que Ele permite que aconteça em nossas vidas, é para um bem maior ou um mal menor, mas nossa carne na maioria das vezes não nos permite enxergar desta forma. Colocamos algo como objetivo e fazemos como criança birrenta quando aquilo dá errado mesmo nós nos esforçando pra dar certo.
⠀O leproso sabia muito bem que a sua condição não poderia ser mudada senão por alguém que tivesse autoridade suficiente para mudar aquilo que nenhuma mão humana (naquela época) era capaz de curar, então ele se prostrou em humilhação e com seu clamor, reconheceu que Jesus era o Senhor e que se fosse da vontade dEle, sua vida seria transformada — mas apenas se Ele quisesse. E Jesus, por sua vez, compadecido pelas palavras dele, deu ao leproso aquilo que ele precisava. E é assim até hoje. Ele sempre está liberando cura em nossa vida, em nossas lepras, mas nem sempre nós conseguimos escutar o "Eu quero" que Ele nos diz, pois o nosso turbilhão de pensamentos constantemente nos atrapalha a ouvir a Tua voz.
⠀Temos que entender de uma vez por todas, que a partir do momento que nos prostramos e pedimos ao Senhor que tome uma atitude se for de sua Santíssima Vontade, devemos silenciar por algum tempo, até que possamos escutá-Lo falar em nós.