Com o advento das tecnologias, sobretudo, da internet, o limite físico de produtos, conhecimentos, etc, se tornou praticamente inexistente. No contexto atual, se tornou muito mais fácil para qualquer pessoa produzir uma música, ou um filme, ou mesmo conhecimento, como no caso da Wikipédia, bem retratada no texto.
Chris Anderson cita no início do texto um livro chamado “Tocando o Vazio”, que não fez muito sucesso na época de seu lançamento mas teve suas vendas disparadas com o lançamento de outro título correlacionado a este. Isso é explicado pela internet, que permite um “estoque infinito” de produtos nas lojas virtuais. E nessas lojas virtuais são feitas indicações, tanto do próprio site, quanto de consumidores, que propiciam a venda de um livro que não estivesse nos best sellers.
A cauda longa é explicada em um gráfico da venda ou procura de algum produto cultural. O gráfico possui um pico com os hits, os maiores sucessos do momento. Mas é importante reparar na cauda após esse pico, com outros produtos que não são necessariamente procurados. A soma da venda desses produtos da cauda longa é, muitas vezes, maior que a do pico.
O texto explica como isso só se tornou possível graças à tecnologia, já que antigamente as lojas fixas investiam basicamente nos maiores sucessos, sejam músicas, filmes, livros, etc, já que o preço de estoque às vezes não valia a pena. Os filmes no cinema também tinham limitações de exibição. O que valia mais era o público territorial, já que não podia se contar com uma audiência de outros lugares.
Com a internet, se tornou possível romper, de certa forma, essas barreiras territoriais e espaciais foram rompidas, podendo dar aos consumidores uma maior variedade de produtos culturais.
“E assim se forma a Cauda Longa.
Nela e possível encontrar qualquer coisa, como velhos sucessos, ainda lembrados com carinho por fãs dos bons tempos ou redescobertos por novos aficionados: as gravações ao vivo. as faixas que não fizeram
tanto sucesso, as remíxagens e, para espanto geral, até capas. Os nichos chegam às centenas, gêneros, dentro de gêneros, dentro de gêneros (imagine toda uma grande loja de CDs inteiramente dedicada às bandas de cabeludos da década de 1980 (hair hands) ou a músicas ambientais rítmicas (ambient dub). Também há bandas estrangeiras, cujos preços as tornavam inacessíveis nas prateleiras de importados, e bandas obscuras ou até etiquetas ainda mais desconhecidas - muitas das quais não têm força suficiente para entrar nas grandes lojas.”
Após essa explanação, Chris Anderson se dedica a falar de como a internet possibilitou o surgimento de novos criadores, já que se tornou muito mais fácil e barato ser um escritor, um músico, etc. Uma série de produtos independentes - que se encontram na cauda longa - passam a surgir. Além disso, cita o exemplo da astronomia, onde os amadores são de extrema importância, já que o céu é muito grande para ser analisado apenas por especialistas. Nesse contexto, amadores e especialistas começam a se confundir em sua importância. Qualquer pessoa pode ser um especialista sobre algum assunto.
Fala, nesse sentido, da Wikipédia, e de como essa enciclopédia coletiva é uma mudança significativa, podendo ser muito mais complexa e abrangente que enciclopédias comuns por não ter um limite físico e inúmeros colaboradores. . Rebate as críticas à Wikipédia ressaltando suas conquistas e fala da lógica da estatística probabilística em que está baseada esse sistema e muitos outros da internet. Onde a probabilidade é maior que a certeza. Não podemos ter certeza de que as informações estão corretas, mas existe essa possibilidade, já que ao mesmo tempo que pessoas comuns podem fazer a edição, especialistas e amadores apaixonados também.
Nessa lógica, nada pode ser considerado completamente fidedigno. Seria necessário acessar várias outras fontes dentro da cauda longa para se ter mais certeza. A Wikipédia, blogs e sites na internet no geral fariam parte da cauda longa.
Termina o texto falando de como, muitas vezes, os criadores da cauda longa não tem necessariamente interesses econômicos em sua produção, quando a produção do pico é bastante comercial. Mas, ainda sem pretensões de ganhar dinheiro, produtos da cauda longa podem vir a dar lucro, quando esses acabam ganhando algum destaque, mesmo que não intencional.
“As ferramentas da criatividade agora são baratas e, ao contrário do que imaginávamos, o talento se distribui de maneira mais dispersa. Sob esse aspecto, a Cauda Longa talvez se transforme na área crucial da criatividade, lugar onde as ideias se formam e se desenvolvem, antes de se transformarem em sucessos comerciais.”