CIENCIA
Sei de gostos duvidosos
Adoçados e amargosos.
Sei dos agostos monótonos.
De incerteza e desgostosos.
Sei de mosteiros com mais demônios
Que seus próprios infernos.
Sei de invernos mais remotos
Com seus amores enfermos.
Sei quem viu,
Sei quem não viu,
Quem vinha vindo
Ou voltando.
Sei que nas vinhas.
Há o mais vil líquido.
Que ao poeta
Vem moldando.
Sei de algumas tristezas
Com mais beleza.
Do que a aspereza
Dos seus sorrisos amarelados.
Sei que em certa gente.
Há mais pessoas do que se tenha imaginado.
Sei que em outras,
Não há pessoa alguma.
Só pessoa semente.
Esperando germinar.
Sei de quem leu, de má vontade.
Não vendo a hora de terminar.
Sei dos que agem de má fé.
E cuide mais do seu viver.
Do que os sapatos cuidam do pé.
Sei de quem tenha, muito mais,
Do que imaginamos a oferecer.
Sei de quem tenha paciência,
Para o quão crescido é.
Ou para o quanto ainda precise crescer.
Sei dos que procuram.
Sei dos que não encontram.
Sei dos que encontram sem nem procurar.
Palavras cálidas. Tão flácidas quanto o teu ego.
Catapulta pronta à maldade atirar.
Sei dos que rodeiam.
E enfeitam demais.
E depois não sabem
Como o poema acabar.
Sei do que foi.
E do que não foi.
Só não sei mesmo,
Do que está por vir.
Sabemos que é inútil,
Este ultimo, tentar descobrir.
Sei que estou com sono.
Então já sabes.
Vamos dormir.
Leandro Henrique Cerquiari.









