► YOU’RE NOT A MUNDANE ◄
Desde a sua chegada, todos no Instituto sussurram: Pelo anjo, esta é Emmeline Watson! Ela tem 16 anos e geralmente é descrita como uma garota gentil, educada e solidária, mas também é um tanto hostil, medrosa e influenciável.
Emmeline já teve sim uma vida feliz e perfeita, ela costumava ser o tipo de garota que mora em uma casa com cerca branca e tem um cachorro de raça. Oh, mas as coisas não são mais assim, com certeza não são. Não desde o dia em que o melhor amigo de seu pai, na época gerente do banco de Londres, o traiu e incriminou-o pelos próprios delitos. Não é necessário ser um gênio para saber o final da família Watson: William foi demitido de seu emprego na agência bancária e consequentemente começou a despencar em um buraco quase tão fundo quanto o que levou a pobre Alice ao País das Maravilhas.
Completamente falidos, não demorou muito tempo para que o homem, junto de sua esposa e seus quatro filhos, passassem a morar em uma das alas mais pobres de Londres. Mais especificamente em uma casa com nada mais que três cômodos e um banheiro. Uma terrível mudança de cenário, não? Emmeline tinha nada mais que dez anos naquela época, e treze quando se viu abandonando os estudos para cuidar dos irmãos de dois anos – uma vez que sua mãe havia entrado em depressão e não podia fazer isso. Mas foi ao completar quinze que tudo piorou.
Já fazia quase três anos desde a última vez que William Watson havia conseguido um emprego decente e sido demitido do tal. Algo nada surpreendente levando em conta os vícios que o homem adquirira após falir. Bebedeira e jogos de azar faziam parte dos hábitos, inclusive foi em um jogo de azar que William basicamente vendeu sua filha mais velha para uma família rica. Sim, Emmeline foi vendida como uma mercadoria pelo próprio pai, que alegaa de todas as maneiras que aquilo seria o melhor para ela...
O melhor uma ova. Na casa dos Woods, Emmeline trabalhava dia e noite como uma escrava, e ainda tinha de lidar com o filho pervertido do casal, um rapaz com uma péssima mania de se esgueirar pelo quarto dos empregados para tentar agarrá-la enquanto dormia. O garoto o fez uma, duas, três vezes, e tentou uma quarta, mas dessa vez Emmeline dormia na ilustre companhia de uma das facas afiadas que o senhor Woods colecionava. Resultado? O jovem provavelmente perdeu a visão naquele dia, pois Emmeline fez questão em presenteá-lo com um golpe muito bem dado no rosto. Naquela mesma noite, quando a garota foi jogada na rua pelos Woods – que só não a deram castigo pior por saberem o que o filho fazia – que ela os viu. Demônios, um tipo peculiar de lagarto meio humano. Haviam seis deles, que avançaram veemente para cima da garota, e só não a pegaram graças à um trio de caçadores de sombras.
Intrigados pelo fato de Emmeline poder vê-los e todos os outros seres do submundo, os caçadores levaram-na para o Instituto. Lá, os superiores explicaram que uma a cada cem pessoas podia nascer com a habilidade de ver os seres do submundo e esses costumam trabalhar nos Institutos, assim como Emme poderia fazer a partir dali, caso quisesse... Bom, Emmeline já não tinha mais família, emprego ou onde morar. Talvez agora até pudesse ser procurada pela polícia após sua demonstração de coragem com um integrante da família Woods, então: Por quê recusar?
Há mais de um ano, Emmeline trabalha no Instituto, dando auxílio aos caçadores em seus treinamentos e com seus trajes. Para ela matar demônios é algo fantástico e adoraria poder fazer parte disso.
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