Baby it's christmas || @Jareve || fb
Saí de meu quarto decidido a me acertar com Eve. De alguma forma, imaginei que seria mil vezes mais fácil ficar bem com ela que com Elizabeth, mas acontecera o extremo oposto. Mesmo após tendo falado aquelas coisas para Evelyn, a loira ainda se recusava a acreditar e eu simplesmente não sabia o porquê ela não confiava em mim. Sempre fizera questão de contar tudo o que acontecia: dizer se Effy havia tentado me beijar ou tirado a roupa em frente a mim. Acreditava que talvez assim ela entendesse que eu sempre contaria tudo a ela, e nunca esconderia a mínima coisa que fosse.
Ainda sim, não pareceu ter sido o suficiente. A verdade era: Elizabeth era bonita, gostosa, persuasiva e se aproveitava das pessoas. Não culpava Eve por desconfiar. Mas parte de mim estava ferida, pelo fato de que ela só levara em conta o tipo de mulher que Elizabeth era, e não o tipo de homem que eu era. A outra, estava simplesmente em pedaços. Nunca fui um santo, mesmo porque já havia sim me envolvido fisicamente com a morena, mas eu não era falso, eu não mentia e eu definitivamente não traía. Doía saber que ela não via que minhas qualidades poderiam prevalecer em relação aos defeitos da princesa britânica.
Não passara um minuto sequer que não pensava nela. Minha vontade de correr até ela, envolvê-la em meus braços e sussurrar em seu ouvido que a amava crescia a cada instante, e eu já não aguentava mais. Nunca fui um homem que deixava o orgulho atrapalhar, então resolvi que mesmo que já tivesse tentado duas vezes, ambas com rejeição, iria tentar uma terceira. E daquela vez, conseguiria o que eu tanto queria. Não me importava se teria de falar por mais de duas horas até convencê-la, se precisaria ajoelhar ou provar meu amor. Eu o faria. O fato é que eu estava cada vez mais submisso a Eve. Mas não me importava, ela me fazia bem como nada nunca me fizera antes. Era a razão de grande parte dos meus sorrisos. Ver o brilho em seus olhos era o suficiente para me dar vontade de viver cada dia, e pensar que perderia aquilo… Não. Eu não podia deixá-la escapar. Não enquanto sabia que apesar da descrença e desconfiança, ela ainda me amava e só estava tão magoada quanto eu.
Já tinha planejado tudo na minha cabeça há uns três dias, e finalmente botaria meu plano em prática. Conversava com um guarda do corredor de Evelyn, e assim que pude vê-la sair do quarto pelo canto do olho, dei um jeito de terminar a conversa improvisada brevemente. Caminhei em direção ao quarto de Eve e olhei para os lados, onde Nathan distraía o guarda que eu havia acabado de cessar a prosa, a meu pedido. Ele estava me ajudando com aquilo. Olhei para o outro lado e vi o guarda que ficava na outra extremidade falando com Alice, a quem também pedi que me ajudasse. Entrei no quarto de Eve e peguei um papel, escrevi com uma caneta preta que havia achado em sua escrivaninha. “Querida, me encontre na sala de música assim que puder.” e deixei ali. Não assinei meu nome, ela saberia que era eu apenas por ter usado o vocativo “querida”.
Respirei fundo, rezando para que ela ignorasse o fato de me odiar e fosse. Saí do quarto e olhei para Nathan e Alice, saí dali e logo eles também, mas discretamente. Fui para a sala de música e me sentei, pegando o violão no colo e encarando a porta a espera dela.