Fazer uma viagem grande é recompensador. De qualquer forma, ir para um país onde você não conhece absolutamente nada ou ninguém, tornando-os a sua casa, o seu lar por seis meses ou um ano, com certeza é um dos maiores remédios do mundo. Vejo pelos que foram: conhecidos e minha própria irmã mais velha que foi para fazer o curso de inglês e acabou fincando as raízes assim que chegou em Dublin, na Irlanda. Eu sabia desde o começo que ela não voltaria. Ela mora em Dublin há cerca de quatro anos e veio apenas uma vez durante o Carnaval, por um mês, após quase dois anos vivendo lá. É difícil estudar e trabalhar por conta própria para todo imigrante. Por isso que ela largou por um bom tempo os estudos. Eu quero terminar meu curso e escolhi esse caminho para escrever sobre quando eu escapei de mim mesma para me encontrar, na minha primeira grande viagem - meu intercâmbio -. São os planos que seguirei. Você só tem que saber usar cada espaço novo, surpresas, desafios e todas as folhas novas e em branco que ela irá te oferecer. É a primeira vez que irei sair do país. Às vezes, é apenas tudo o que precisamos. Só tem que voltar com as respostas que as dificuldades e amadurecimentos ofereceram em suas mãos. Como em uma bandeja. E o como você as agarrou.
Eu preciso muito disso. E é por precisar muito que tenho, desesperadamente, que ir. Preciso de páginas em branco. As minhas já estão carregas de muitas cores, mas de muitas páginas vazias ou com cores que imitam, mas não são, o vermelho. Aquele composto de uma áurea verde de tanta felicidade, fidelidade, lealdade e carinho. E recuperar o amor-próprio que, muitas vezes, foi surrado na luta pelo carinho, como como se fosse uma aula intensa de uma hora de boxe, contra si mesmo, levando-o ao exaltamento da alma. E agora segue em canto bem cuidado da mala; protegido como em uma gaiolinha, Ele irá se cuidar em um novo lugar e voltará mais feliz e cheios de sua própria felicidade - transbordando-se -. Certas coisas que precisam ficar te consomem e também te faz entender que merece muito mais do que silêncios e todas as vezes que você mesma se subestimou. Estou lendo um livro daqueles que viram suas melhores horas no dia, “Wild: From Lost to Found on the Pacific Crest Trail” (“Livre - A Jornada de Uma Mulher Em Busca do Recomeço”), da americana Chreyl Strayed, que me dão a certeza do meu intercâmbio. Estou com a alma tão ferida desse mundo, mas sou tão grata pela vida, que vou carregando o meu coração no bolso, abaixo da palma da mão, ansiosa.