O Homem que escutava as abelhas – Christy Lefteri
Mais uma muito boa história sobre a imigração. Dessa vez, é um casal de Alepo – ela artista, ele apicultor. Eles tinham um filho que é morto na guerra civil. Nuri, o marido, trabalha junto com Mustafá, que assim que também perde seu filho, vai para a Inglaterra e lá espera que o amigo o encontre. A jornada – tanto física como da alma desses imigrantes – é brilhantemente descrita num livro que nos faz compreender a dimensão trágica de suas vidas, mas também que sempre resta um fio de esperança, que talvez sejam os campos floridos da Inglaterra onde novas abelhas os esperam.
“Aprendi como realmente escutar as abelhas e falava com elas como se fossem um corpo que respira e que tem um coração, porque, entenda, as abelhas trabalham em conjunto. Mesmo quando, no final do verão, os zangões são mortos pelas operárias para preservar os recursos alimentícios, elas continuam trabalhando juntas, como uma entidade. Elas se comunicam entre si através de uma dança. Levei anos para entende-las, e depois disso, o mundo a minha volta nunca mais pareceu o mesmo, nem soou do mesmo jeito.”
“Lembrei-me de como as abelhas operárias viajavam para encontrar novas flores e néctar, e depois voltavam para contas às outras abelhas. A abelha sacudia o corpo, o ângulo da sua dança em relação ao favo contava às outras abelhas a direção das flores em relação ao sol. Desejei que houvesse alguém par ame guiar, para me dizer o que fazer e que caminho seguir, mas me senti completamente só.”








