Cláudio Barradas (1930-2025)
"Era uma casa em forma de chalé e ficava na rua 22 de junho, hoje Alcindo Cacela, entre Domingos Marreiros e a Antônio Barreto. Nessa casa eu nasci em 1930. Depois fui morar n abaixa da Domingos Marreiros, entre Alcindo Cacela e 9 de janeiro (…)
Minha mãe era governanta na casa dela [a pianista Margarida Costa de Carvalho, mais conhecida como dona Florzinha] e foi na casa dessa senhora que nasci (…) Eu chamava para essa senhora, Dona Flor, de avó. E ela me chamava de neto e me ensinou a tocar piano. Ela tocava em dois lugares, além de aulas que ela dava na casa dela e nas casas das pessoas (…) Ela tocava no Cinema Moderno, que não existe mais. Era cinema mudo (…) O amante dela, o Clemente Pinheiro, era gerente do cinema Moderno e me levava todo dia com ele".
Quando escrevi a minha primeira peça chamada O Trovador de Deus, ela não tinha unidade de tempo, nem unidade de espaço, coisas que não havia no cinema, mas que no teatro era lei. A professora Angelita Silva, tão amante do teatro, que prestigiava tudo que era apresentação, foi ver essa peça nos Capuchinhos. Afinal eu era um garoto que estava surgindo no subúrbio e os grandes iam ver, para sacramentar ou malhar. E ela colocou defeitos afirmando que a peça não tinha unidade! O que ela chamou de defeito era um avanço. Eu era avançando em termos de teatro, mas como eu vivia no cu do mundo que era Belém, o que era avançado passava como erro".
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Cláudio Barradas: tempo e teatro ~ Homerval Ribeiro Teixeira (2015)









