Eu não vejo como gostar de alguém possa me salvar de algo. Vejo muito por aí textos e declarações sobre como uma pessoa "completou" uma outra de forma eficaz e com exacerbada paixão. Mas, me perguntou eu, como podemos nascer incompletos? Digo, como a vida, o universo, ou o que quer que nos tenha feito, pode ter permitido que nascêssemos pela metade, andando pelo mundo à procura de alguém que tenha a bondade de nos preencher? Cara, isso é cruel. Não que a vida seja um lugar paradisíaco em que nossos sonhos são como flores de um jardim cuidado pelo amor, mas só em pensar no fato de que precisarei estar sempre ao lado de alguém para não me sentir solitário, já me afunda numa devastadora solidão. Tá, eu sei. A vida pode ser uma eterna procura. A vida pode ser muitas coisas, aliás. Mas já dependemos de tantas pessoas para tantas situações que os dias nos trazem. Por que, então, terei de precisar de alguém para conhecer o amor? Eu já conheço a pessoa a quem devo amar. E essa sou eu. Não me entenda mal: não sou contra amar pessoas, até amo algumas. Só não quero pensar na ideia de que sou obrigado a isso, ou de que preciso, acima de tudo, trocar juras de amor com alguém que supostamente passará a vida ao meu lado. O amor é confuso. E quem aqui vos escreve é tão confuso quanto ele. Então, por enquanto, me basta apenas conhecer o amor, e roubar um pouco dele para mim, só para mim. Depois, se me for permitido, o atirarei por aí, mas confiando na certeza de que escolhi os alvos certos.
Tur.








