06 Have you killed someone?
Acordei com os gritos apavorados de America vindo do meu quarto e corri em disparada, a encontrando sentada na cama com o cabelo desgrenhado e encolhida com a cabeça entre os joelhos.
- Meri? – sussurrei quando fiquei ao seu lado na cama. Em um átimo de segundo ela passou seus braços em volta do meu pescoço e me puxou para perto de si em um abraço esmagador. Ela estava chorando e no mesmo instante envolvi sua cintura com meus braços. – O que aconteceu? Foi um pesadelo?
- Justin – ela soluçou em meu pescoço -, foi horrível! Me ajuda, por favor!
- Shh – tentei acalma-la. – Foi só um sonho ruim. Nada de ruim vai acontecer, Meri. Sempre vou estar do seu lado.
- Eu não sabia que aquilo machucava tanto, Justin – ela me encarou. – Eu juro. – afaguei seu cabelo e a apertei mais contra mim, e então ela foi relaxando aos poucos até parar de chorar. - Nunca vou te agradecer o suficiente por tudo o que tem feito por mim.
- Não precisa – sorri e ficamos em silêncio. Alguns minutos depois pude escutar sua respiração pesada. Me movi devagar para tentar me levantar sem acorda-la e então ela abraçou minha cintura
- Não – ela sussurrou. – Fica comigo essa noite.
07:30 am
Acordei com o despertador tocando na mesinha ao lado da cama e eu o teria desligado no mesmo segundo se não tivesse acordado com America deitada em meus braços. Ela dormia como um anjo.
- Esse... som – ela murmurou e então me lembrei que aquele barulho estranho era do despertador e logo o desliguei.
- Me desculpe – sussurrei próximo ao seu ouvido. Eu deveria levantar e me arrumar para o trabalho, mas minha vontade era o mesmo que nada. Por mim ficaria o dia todo com ela daquele jeito, mas eu deveria ir e ser o filho que meu pai queria que eu fosse. Me movi de forma lenta e levantei, ajeitando um travesseiro abaixo da cabeça da minha garota.
08:21 am
- Justin Bieber, solicitada sua presença na sala de reuniões do setor cinco – uma voz feminina anunciou.
O setor cinco era onde se localizava aquela grande estrutura cheia de clones em desenvolvimento e se eu estava sendo chamado para uma reunião daquele setor era sinal que meus planos estavam dando certo. Bloqueei o computador e me dirigi à sala de reuniões que ficava uns andares abaixo. Aquela indústria de laboratórios era enorme. Quando me aproximei dois seguranças estavam à porta do setor e pediram minha identificação, logo abrindo as portas com seus cartões. A sala de reuniões era toda com paredes de vidro, o teto era alto e claro, havia luzes azuis refletidas em alguns pontos da sala e a mesa e as cadeiras eram todas metalizadas. Meu pai estava sentado na cadeira ao lado da de um senhor de idade, cabelos levemente grisalhos e ele tinha um semblante muito sério. Eles pararam de conversar assim que me viram ir em direção à porta da sala.
- Bom dia – falei assim que abri a porta. – Queriam falar comigo?
- Sente-se, Justin – meu pai falou com um tom profissional e então se ajeitou na cadeira. – Este é Joseph, um dos donos da Indústrias Clark. – o velho Joseph estendeu sua mão para um cumprimento e a apertei firme. Logo ele apontou em direção a uma cadeira e me sentei na mesma, tentando manter uma postura séria e relaxada. Eles não poderiam saber o quão nervoso eu estava por estar ali, naquele setor.
- Chamamos você aqui, Justin, pois gostaríamos de saber seu interesse e intenções ao fazer parte do Projeto Chronos – Joseph falou, com a voz firme. – Uma vez que tudo esteja esclarecido você poderá ser parte oficial da equipe do Projeto.
Eles estavam me testando naquele momento. Meu pai me encarava com certa ansiedade e preocupação, e Joseph possuía uma feição indecifrável. Eu deveria dar uma resposta inteligente e mostrar segurança em minhas palavras. Dei um sorriso fraco e então comecei minha fala.
- Como os senhores sabem sempre trabalhei para as Indústrias Clark e sempre estive envolvido em estudos direcionados para a área científica, e mesmo que por algum tempo eu não tenha dado meu máximo devido a problemas pessoais graves, decidi que vou voltar a me dedicar e a buscar meu espaço, e para minha seria uma grande honra fazer parte do Projeto Chronos. É um grande projeto, que envolve milhões e que poderá garantir o nome da Indústrias Clark na história, e farei tudo para o mesmo dar certo, pois quero meu nome na história também – olhei de canto para meu pai que sorria abertamente depois do que eu havia falado.
- O Projeto Chronos desenvolve clones como uma apólice de seguros – Joseph começou a falar depois de alguns segundos me observando – para pessoas que possuam condições de pagar, claro. Cada um de nossos clones é um seguro de vida, jovem Justin. Quando algum dos patrocinadores precisar, digamos, de um fígado, nós iremos retirá-lo do seu clone. É sobre isso que se trata o Chronos.
- E qual a média de clones desenvolvidos atualmente no Projeto? – perguntei, tentando mostrar que o fato de eles criarem seres humanos para depois usarem seus órgãos como se eles fossem algo insignificante não me afetava, não me dá nojo.
- Como o valor da apólice é bem elevado temos somente 500 duplicatas em desenvolvimento, e mais duas já em forma humana e as usamos como testes. Eram três, mas uma conseguiu, de alguma forma fugir e ainda matou um de nossos cientistas, mas já colocamos uma equipe preparada atrás da fugitiva – meu pai quem havia respondido dessa vez, mas no momento meu cérebro havia travado. A fugitiva, no caso Meri, havia matado um homem. Eu não conseguia associar a garota que talvez ainda estivesse dormindo em minha cama com uma assassina, mas meus pensamentos foram interrompidos com a voz de Joseph ecoando pela sala.
- Então, você quer mesmo fazer parte do Chronos? – ele me encarava.
- Claro – respondi de forma simples e com um sorriso nos lábios.
America’s point of view
Depois que aquela musiquinha tocou logo cedo Justin levantou e foi tomar um banho, e eu continuei fingindo que estava dormindo. Ele se arrumou e pude ouvir o barulho vindo da cozinha e deduzi que ele estava comendo algo. Depois de alguns minutos ele voltou para o quarto e sentou ao lado da cama. Eu queria tanto abrir os olhos e ver seus olhos olhando nos meus, mas me contive assim que senti sua mão acariciando meu rosto de forma leve. Não consegui conter um suspiro.
- Eu tenho que ir para o laboratório – ele falou baixinho e sua voz era triste. – Você sabe que preciso ir e descobrir tudo o que eu puder e então destruir tudo. Por mim eu ficaria o dia inteiro aqui com você, Meri – não pude ignorar o pensamento de eu queria que ele desistisse de ir e ficasse comigo o dia inteiro mesmo. Minha vontade era de deixar todo o Chronos para trás e viver, pela primeira vez, mas eu não poderia esquecer que eu não era a única vítima e que eu deveria ajudar a salvar aquelas pessoas, mesmo que elas não soubessem o que eram e o sofrimento que poderiam ter. Depois de alguns minutos Justin se levantou e saiu do quarto, deixando seu cheiro para trás. Seu cheiro era maravilhoso. Fiquei mais algum tempo deitada olhando para o nada e absorvendo seu cheiro do travesseiro quando decidi levantar e tomar um banho. Deixei a água quente cair sobre minha pele e relaxei. Quando olhei no relógio já marcava 01:05 pm. Depois de comer uma coisa que encontrei na geladeira resolvi olhar as coisas de Justin. Na estante da sala peguei uma coisa redonda que estava em cima de algum aparelho e coloquei dentro do mesmo. No mesmo instante a grande televisão ligou e começaram a passar imagens. Sentei no sofá e fiquei assistindo ao que mostrou o nome na tela como “Diário e uma paixão”.
04:00 pm
Eu não gostava do gosto salgado que as lágrimas deixavam em meus lábios. Aquele Diário de uma paixão era devastador. Por que meus olhos não paravam de transbordar? Eles haviam morrido juntos depois de velhos porque o amor deles poderia fazer qualquer coisa. Era por isso que eu estava chorando. Eu nunca teria um amor assim. Eu nunca teria um amor, de qualquer forma.
Tirei a coisa redonda de dentro do aparelho e peguei uma outra e li em voz alta o que estava escrito.
- Chris Brown – e no mesmo instante a grande tv começou a aparecer “buscando... Encontrado” e um som começou a tocar, me assustando, e imagens começaram a aparecer.
“Now everybody put your hands in the air and let and say Yeah, yeah, yeah”
Fiquei olhando aquelas pessoas pulando de uma forma estranha até que acabasse e outras imagens começaram a aparecer com “Don’t Wake me up” escrito no canto esquerdo da tela. Eu realmente estava gostando daquilo. Sem notar eu já estava me balançando no ritmo da música e quando acabou apertei em “Relacionados” no canto direito da tela e então começaram a passar vários sons e imagens diferentes e fiquei fazendo isso a tarde inteira.
Come take my hand (baby) I won't let you go (let you go) I'll be your friend I will love you so deeply I will be the one To kiss you at night (kiss you at night) I will love you Until the end of time
Eu cantava e dançava essa música pela terceira vez de uma forma insana, porque de algum jeito aquela batida tomava conta de cada célula do meu corpo e era impossível eu não me movimentar como a mulher do vídeo. Eu estava tão animada que nem vi as horas passarem.
- America? – escutei a voz de Justin chamar e o vi parado na porta com uma expressão engraçada e então eu comecei a rir.
- Justin – me sentei com a respiração ofegante -, me desculpe! Acabei me empolgando com a música. Ele sentou ao meu lado e sorriu.
- Você está linda – eu não consegui evitar o sorriso que surgiu em meus lábios.
07:00 pm
Depois de Justin ter tomado um banho fui logo em seguida. Conversei com ele sobre o que fiz durante a tarde e agora ele estava me servindo uma lasanha.
- Por que tão sério? – perguntei escorada na bancada da cozinha, observando sua expressão séria e fechada. Ele suspirou e então me encarou.
- Você já matou alguém, America?






