Prelúdio
Lanceoladas folhas alaranjadas, secas, mas ainda firmemente postadas em seus lugares são o adorno principal da colossal copa daquele dragoeiro. No tronco, uma carrancuda face. Os olhos brilham com a seiva sangue-de-drago num vermelho mortífero, escuro e cruel. Suas bagas, outrora rosadas, são cinzentas e pintalgadas de verde, sem vida, sem sumo, ocas e brilhantes, caixões-incubadoras de todas as almas já existentes nesse e nos tempos antigos e as dos milênios vindouros e séculos que chegam cavalgando a grandes distâncias. As raízes se contorcem, enrolando e apertando uma esfera sem luz repleta de crateras grandes e pequenas. A Luna escapa por entre os grossos ramos das raízes da grande árvore e a aparência desse abraço é sobejamente grotesca para ser apreciada. A Árvore-Dragão, Berço da Magia, Pomar dos Deuses é onde o mundo começa e termina. É onde a vida é gerada e exterminada. É onde tudo existe e tudo é extinto.












