Deuses Ctônicos e Seus Epítetos - Koré
Continuando nossa série em torno dos epítetos dos Deuses do Mundo Inferior, rumamos nossos escritos em direção da Rainha Terrível, a Deusa da primavera e soberana do Submundo: Koré, também conhecida por seu aspecto ctônico Perséfone.
Famosa pelo mito descrito no Hino Homérico a Deméter, Koré é amplamente conhecida pelo seu rapto por Plutão, que a levou ao Mundo Inferior e desposou-a após a jovem Deusa comer sementes de romã e ser forçada a passar parte do ano no Reino dos Mortos. Seu retorno anual e reencontro com sua mãe, a Deusa da agricultura, marca o início da primavera. O mito de seu rapto funciona como uma analogia à tradição de casamento grega antiga, onde esposa deixa a casa de seus pais para viver com seu marido.
Com domínio tanto sobre os aspectos frutíferos da vida, como o reino sombrio do Submundo, Koré é uma deidade cercada de uma rica mitologia que contrasta bem aspectos do mundo urânico e ctônico.
Em termos de culto, Koré era bastante cultuada ao lado de sua mãe, Deméter, Deusa das estações e agricultura. Elas costumeiramente partilham dos mesmos domínios com o adendo do domínio sobre o Reino dos Mortos. Seu culto na antiguidade contava com inúmeros santuários e templos, da região Ática a Argos.
Representada como uma moça em amplos robes com porções de grãos em mãos ou uma tocha, Koré é geralmente vista nas imagens de culto ao lado de sua mãe ou marido, Plutão.
Agora, foquemos em seus epítetos.
NOMES ALTERNATIVOS
Koré - "A Donzela", é um nome geralmente utilizado para se referir a Deusa da primavera, frequentemente quando em companhia de sua mãe, Deméter.
Perséfone - Utilizado geralmente para se referir a Koré como a Rainha do Submundo e esposa de Plutão. Descreve seu domínio como soberana sobre o pós-vida.
Despoina - "A Senhora", nome utilizado para se referir a Koré e outras Deusas. Utilizado mais frequentemente na região da Arcádia.
EPÍTETOS POÉTICOS E DE CULTO
Khthonia (Χθονια) - "do Mundo Inferior"/"Da terra"
Karpophoros (Καρποφοροσ) - "Portadora dos Frutos"
Soteira (Σωτειρα) - "Salvadora"
Megala Thea (Μεγαλα Θεα) - "Grande Deusa"
Hagne (Ἁγνη) - "Sagrada"
Daeira (Δαειρα) - "Sabedora"
Praxidikê (Πραξιδικη) - "[Que] exatifica a justiça"
Os epítetos em sua maioria descrevem os domínios de Koré como Rainha do Submundo e Deusa da primavera, cujo retorno causa o florescer da vegetação ao passo que Ela se reencontra com sua mãe, Démeter.
Os epítetos Praxidikê e Hagne são presentes em algumas deidades do Mundo Inferior como títulos eufemistas. O primeiro geralmente se referindo a capacidade de Koré para comandar os espíritos da punição (As Eumênides/Erínias) e o segundo descrevendo-a em sua qualidade sagrada.
A Rainha dos Mortos aparece frequentemente na literatura como propiciadora da aparição dos espíritos durante atos de necromancia, como na Odisséia e era vista nos cultos órficos como asseguradora de um pós-vida abençoado.
Uma Deusa poderosa, ligada aos ciclos naturais de vida e morte de todas as coisas na terra, Koré figura entre uma das deidades mais conhecidas do Mundo Inferior.
Encerremos o post com o Hino Órfico a Perséfone:













