Outros Deuses e Seus Epítetos - Cronos, o Rei dos Titãs.
Neste post, focaremos hoje em uma divindade bastante famosa dentro dos âmbitos mitológicos, mas que também era cultuado nos tempos antigos. Falamos hoje de Cronos, o Deus da colheita, da ceifa e do tempo, rei dos titãs do Monte Ótris e pai dos Olimpianos.
Filho de Urano, os Céus, e Gaia, a Terra, Cronos é o mais jovem dos doze titãs. O astucioso Pai dos Olimpianos teria, segundo a Teogonia de Hesíodo, castrado o Pai-Céu com o auxílio de seus irmãos em um estratagema iniciado por Gaia, por sua fúria em ter seus outros filhos, os ciclopes (gigantes de um só olho, criadores das armas de Zeus, Poseidon e Hades) e hecatônquiros (gigantes de cem braços e cinquenta rostos) aprisionados no Tártaro por sua feição desagradável.
Portando seu símbolo mais comum, uma foice, o então Rei dos Titãs derrocou seu pai e assumiu o posto como líder do Cosmo, mas não antes de ouvir que sofreria o mesmo destino pela mão de seus filhos. Astucioso, Cronos é descrito como uma divindade de "curvo pensar" (ἀγκυλομῆτα) e tentou prevenir seu destino devorando seus próprios filhos, mas foi derrotado por Zeus, que os libertou de sua barriga graças à enganação que Réia, a titânide da fertilidade e sua esposa, que havia salvo o filho por uma pedra ao invés de entregá-lo a sua fome interminável.
As narrativas mitológicas posicionam o titã Cronos como uma figura antagonista frequentemente, mas raramente citam os aspectos positivos descritos pelo próprio Hesíodo e por Píndaro, que descrevem como Zeus posteriormente liberta seu pai do Tártaro e o posiciona no Elísio (o paraíso do Submundo, as "Ilhas dos Abençoados") reinando sobre almas heroicas, puras e benfeitoras.
Além de ser descrito como uma divindade habitante do Elísio, o Senhor do Tempo também teve um reinado sobre a terra chamado de "Era de Ouro", onde os mortais desconheciam dor, morte ou doença, embora fossem desprovidos de pensamento ou consciência como entendemos atualmente.
Em termos de culto, Cronos tinha um decente número de templos e santuários espalhados pela Hélade. Havia um templo na região da Ática, em Atenas, dedicado a ele e sua esposa, Réia, bem como um santuário dedicado a Gaia.
Era também cultuado em uma montanha na cidade de Olímpia, na região de Elis, onde reis faziam sacrifícios em seu nome no equinócio de primavera. Havia também um templo dedicado para o deus na Ibéria, o sul da atual Espanha, na colônia grega de Gades.
Não há epítetos abundantes para o Rei dos Titãs, mas algumas de suas características descritas no Hino Órfico 13 podem servir de epítetos.
Aithales (Ἀιθαλής) - Sempre viçoso, Eternamente vigoroso.
Theon Pater (θεῶν πάτερ) - Pai dos Deuses.
Pangenetor (παγγενέτωρ) - Pai de Todos.
Ankylometa (ἀγκυλομῆτα) - De curvo pensar, tortuoso.
Uma divindade interessantíssima, Cronos simboliza a passagem do tempo, principalmente em seu caráter como devorador de todas as coisas e também da colheita do que é plantado. O festival da Kronia celebrava uma inversão das normas sociais, onde escravos e servos podiam desfrutar de liberdade temporária e posições de autoridade, livres de conceitos da época, como se fossem os despreocupados mortais da Era de Ouro de Cronos.
Sempre representado como um homem maduro portando uma foice, Cronos é associado e mesclado na antiguidade tardia a divindade órfica Khronos-Aion, descrito como o Tempo Encarnado, presente apenas nas Teogonias da seita órfica. Suas associações com o domínio da colheita também se evidenciam no sincretismo com o deus romano Saturno, divindade associada com a ceifa e colheita de plantio.
Assim sendo, roguemos para que Cronos seja gentil com nossa passagem de tempo e nos auxilie em caminhos virtuosos conforme nossa porção de tempo é fiada pelas Moiras. Que Ele nos seja favorável!
Por fim, fiquemos com o hino órfico ao Rei dos Titãs:
Viçoso sempre, pai dos venturosos deuses e dos homens,
astuciador límpido de magna força, bravo Titã,
tu mesmo, que a tudo consomes e novamente fazes crescer,
inquebráveis os grilhões que deténs no cosmo sem fim,
eterno Cronos pai de todos, Cronos de variado falar, (5)
rebento da Terra [Gaia] e do Céu[Urano]constelado,
és a geração, o crescimento e o fim, marido de Reia, insigne Prometeu,
que habitas em todas as partes do cosmo, rei ancestral,
de curvo pensar, o melhor! Atendendo a minha súplice voz,
envias um fim de vida bem afortunado, para sempre impecável. (10)
[Tradução: Rafael Brunhara]