Um dia eu conheci uma garota diferente dessas por aí.
Não tinha a mínima vergonha ou medo de sorrir.
Incendiava qualquer lugar chato ou qualquer noite longa e fria.
E quando a vi chegar, senti aquela força me desalinhar.
“A rosa com espinhos feitos pra furar”.
Queria ser independente e transformava tudo em uma briga.
Mas ela me ensinou.
E algumas coisas, eu confesso, nunca aprendi.
Só concordava e continuava a sorrir
ouvindo aquela voz falando sobre coisas que eu não entendia.
A pedi pra ficar. Mostrei a ela tudo que eu podia dar.
Gastei palavras e gestos para conformar, mas não foi suficiente para transformar a essência de uma alma feita pra fugir.
Então ela seguiu fugindo do nascer do Sol e da preocupação
segura de estar segundo o próprio coração
mostrando sua cor no meio dessa multidão de tons de cinza.
Quando chegar ao fim, nem mesmo uma velha paixão a reconhecerá.
Perdeu seus velhos traços ao longo do caminhar.
Pagou a liberdade o preço de uma vida errante e bem vivida.
Mas ela foi feliz! De um jeito que a sociedade nunca entenderá.
Provou todas a sensações que podia provar.
Sentiu a tempestade lhe tocar e transformou-se em uma brisa
que hoje eu sinto aqui.
De vez em quando, vem em minha janela assoviar
cantar canções que aprendera em outro lugar
e povoar meus sonhos para me lembrar que hoje ainda é viva dentro de mim.
Dandis.