“E é muito importante a gente se juntar, né, a gente ser um coletivo. Eu acredito que singularmente as pessoas que estão sozinhas elas não conseguem crescer tanto né. A gente não tem tanta voz e aí quando a gente se junta e mostra que a gente tá junta por uma mesma causa, que a gente tá ali na resistência, a gente acaba transformando o feminino que está no nosso corpo que é marginalizado, a gente acaba transformando em potência e ecoando a nossa voz por uma causa trans”. MC Dellacroix
“Se eu não fosse, travesti, se eu não fosse negra, periférica, pobre, eu não estaria fazendo o que eu tô fazendo. Porque eu tô fazendo isso justamente por uma questão de sobrevivência.A gente as vezes acaba muito se perdendo no glamour de tudo que acaba acontecendo e a gente esquece que esse é um rolê de sobrevivência. Eu só tô fazendo isso porque eu não consigo emprego porque eu sou travesti [...] e eu observando isso e estando dentro da arte acaba refletindo, né, eu acabo escrevendo sobre o que eu vivo, eu acabo escrevendo sobre a transfobia que eu sofro, eu acabo escrevendo sobre a solidão que eu sofre por ser travesti, por ser negra, por não ter ninguém disposto a se relacionar comigo, então acaba que eu escrevo sobre isso, performo sobre isso, transformo assim a arte” Dellacroix
“A gente tá vindo com essa proposta, pra gente calar essa dor da gente, sabe?! Tipo assim “chega”. Chega de tacar pedra na Geni, sabe?! Uma travesti, negra, cantando rap, falando sua realidade periférica pros caras que tipo assim, mano, por que que você tá falando? Aqui não é lugar. [...] Nosso lugares é todos lugares” Danna Lisboa
“Vários artistas que estão agregando, então tipo assim as vezes eu acho que o público foca muito numa coisa e esquece de pensar no todo, sabe?! A gente é tanta a construção de um todo”. Danna Lisboa
Quem é o público que você percebe hoje em dia?
“É bem difícil, a gente vê que muitas portas se fecham pra gente porque a gente travesti, porque a gente é preta ou porque a gente é periférica, independente do que você faça. Aí a gente começa a perceber que você precisa de alguma forma trabalhar a sua imagem, pra que você consiga acessar certos espaços, fazer algumas certas coisas... A gente começa a chegar numa limitação. A gente vai, vai, vai e chega numa limitaçã, sabe?! Numa barreira. Aí eu vejo que conectando com outras manas, a gente começa se apropriar de alguns outros espaços, ocupar e hackear outros os espaços. Pra mim a música consegue invadir todos os espaços, a música consegue entrar em todos os lugares.” Dellacroix (Uma pessoa pode gostar de alguma coisinha no som de X, ou de repente de Y, ou Z).
Muitas pessoas trans que não tem um registro na carteira. “A mídia quer falar sobre a gente” “Desconstruir nada, vocês tem que construir” Inserir pessoas no trabalho formal. “Um cis se sentir representado por uma pessoa trans e não ao contrário” 7:20 min
“Uma coisa muito estrutural, né?! Não é só envolvendo a arte, mas envolvendo a vida das pessoas, de todas as travestis, transexuais, trans, negras, né?!” Nlucon
Empresas que vendem nossa imagem e maqueiam tudo isso, isso acaba que passa pro público de uma forma se tudo tivesse okay, como se tudo estivesse bem” Dellacroix 8:10 min “Acho que essa é a questão da imagem, é as pessoas pararem de consumir imagem e começarem a consumir realidade. Entender o que as pessoas estão passando. Olhar pro próximo e perguntar se a pessoa tem um prato de comida pra comer”. Della
“Eu sempre curti o trampo dela (Danna) por tudo que ela falava e me representava, eu me identificava, eu quebrei essa coisa de representar, né?! A gente tem que parar de dar esse lugar pras pessoas famosas de representar. Ninguém tem a obrigação de representar ninguém e é tanta gente pra representar, sabe?! Não é a nossa obrigação, sabe?! [...] A gente tá aqui pra se identificar, pra você ouvir a minha música e saber o que eu estou passando e saber que tem outras manas passando isso também, sabe?!” Dellacroix