O suspiro do Imortal - Pt. I
Despertar
Por algum motivo que nem ele próprio sabia, Pierre L’Mont abrira seus olhos branco-gelo na escuridão de seu tumulo em algum lugar da França de 1589. “Quanto mais se vive para a escuridão, mais o inferno parece um conforto” este era seu pensamento. Esteve dormindo por 150 anos, crente de que o tempo o consumiria e o transformaria em pó, mas os vampiros não tem esta sorte. Levantou-se do altar que usara como cama dentro de uma caverna tão antiga e escura que poderiam se passar 1000 anos, e a mesma continuaria vazia e inepta. Seus instintos noturnos estavam mais aguçados que nunca, viu o baú de roupas que deixara ali antes de cair em sua esperança de morte, e um espelho de dois metros que pertencera a sua amada Lizandra, que hoje não andava nem entre os vivos e nem entre os mortos. Ele se vestira e se admirara no espelho. Algumas lendas vampirescas não passam de mito; vampiros podem ver seus reflexos no espelho. Seu corpo definido e forte, sua pele branca como giz e seus longos cabelos negros como a noite e sedosos como a mais leve e macia seda casavam-se perfeitamente com suas maças altas e bem definidas e seu olhar sombreado por cílios longos e negros e sua boca fina e rosa pálida tão sedutora que nem homens resistiam. Um reflexo da perfeição humana, perfeito de mais para ser do bem.
A noite do lado de fora estava perfeitamente bela, com um luar sombrio. A caverna que Pierre se encontrava era em cima de um penhasco montanhoso e o chão parecia tão distante quanto sua morte. Do alto avistava-se uma cidade que brotara ali com os anos que se passaram. ‘Alimento’ pensou Pierre, e pulou.
Para um humano aquela queda seria o fim, e a cidade esta a horas, talvez um dia ou dois de viagem, mas não para ele que estava ali minutos depois. Ele entrou na parte da cidade que julgara mais vagabunda e indecente, com seu chão de pedras irregulares e bares e tabernas seguiam por toda a rua, becos escuros e sem saída, aquele lugar era digno dos bêbados, ladrões e prostitutas baratas que ali estavam. Com vestes dignas de um lorde, Pierre anda pela rua e todos os olhos são postos nele. – Ora, ora, temos um pequeno lorde perdido por aqui – Disse uma prostituta um tanto madura de idade, trajando um corpete arroxeado e longo e um cabelo vermelho com indícios de fios brancos que atravessou a rua para conseguir algo decente hoje. – Seus serviços não me são necessários por hoje minha cara. Volte. E como um cão assustado e obediente, ela o fez. Os olhos continuaram encarando-o com interesse, mas foram quatro homens que se interessaram e se dispuseram a segui-lo. Pierre sabia que estava sendo seguido, mas não iria beber o sangue de bêbados imundos. Era mais exigente com suas presas, mas ainda matava por prazer de matar. Virou um beco escuro, estreito e longo entre uma taberna e um restaurante barato que ainda servia. – Vejam rapazes, temos um jovem perdido – Disse o homem aparentemente mais velho dos quatro que o perseguiam, alto e corpulento e com um chapéu baixo e velho. – Hahaha, devemos ajuda-lo Lunet, jovens como ele devem recompensar bons serviços prestados. – Disse o mais baixo, um rapaz de no maximo uns 32 anos, loiro, com uma cicatriz na bochecha direita. Os outros eram um homem de pele escura, alto e forte e um garoto de 19 anos alto e de cabelos castanhos. – Senhores – Virou-se Pierre quando chegou no fim do beco. – não há necessidade de violência. – Certamente meu caro jovem. – Disse o mais velho e corpulento – Passe-nos o que tens de valor e prometemos não machuca-lo... muito. Todos riram. – É uma pena que tenha que acabar assim – riu Pierre – Não gostaria de sujar meu traje. Aquilo deve ter irritado o homem alto e moreno, pois o mesmo partiu para cima de Pierre sem aviso prévio e com brutalidade e velocidade, mas não tão brutal ou rápido contra o homem que girou com delicadeza e leveza agarrando o outro com um braço e o rendendo, e com um sorriso delicado e uma mão livre agarrou o homem pelos cabelos fazendo uma força mínima para arrancar-lhe a cabeça e fazer jorrar sangue de seu corpo como uma cascata vermelha. O golpe foi tão solene e delicado como arrancar a cabeça de uma boneca de seda. Seus parceiros assistiram a cena horrorizados e perplexos enquanto Pierre largava o corpo inerte no chão e jogava a cabeça de lado. – Mas... que isso. ASSASSINO. MOSNTRO. Gritou o mais novo enquanto os outros o puxavam para correr. Entediado com tudo aquilo, Pierre preparou-se para um salto e o fez. Subiu uns metros de altura e mais alguns de largura, ultrapassando o grupo que corria desengonçado no beco. Aterrissou pesado como uma pedra e elegante como um gato, virando-se para encarar o grupo que parou imediatamente. – Mas o que diabos é você criatura monstruosa? – disse o rapaz com uma cicatriz no rosto. – Eu sou o próprio demônio. Pierre avançou contra o grupo como um gato furioso avança contra um rato e os desmembrou-os friamente e sem piedade alguma, dando-lhes a oportunidade de sentirem a dor agonizante de serem rasgados e desfigurados. – Vejam só, estou imundo. – Disse analisando sua roupa manchada de sangue. – Não poderei andar por essas ruas assim. Que ultraje ser visto todo sujo assim. Escalou como um gato até o telhado da taberna e pulou em outro adianta, e assim iria até encontrar um lugar com roupas para vestir, água para se limpar... e alguém para saciar sua sede. Ele se foi, deixando para trás quatro corpos, três ainda agonizando, mais que certamente morreriam pela falta de sangue, mas que clamariam pela esperança de ter seus braços e pernas no lugar dos quais foram brutalmente arrancados. Pierre não beberia do sangue de bêbados, nem de prostitutas baratas. Achava-se um demônio condenado, mas passaria sua vida condenada desfrutando do melhor sangue que pudesse encontrar.
Angelus Cornix


















