Here with me | Ava & Declan | March 1978
Acordou com uma horrível dor de cabeça e o protesto de quase todos os músculos de seu corpo. Eles gritaram silenciosamente assim que seus olhos abriram e ela fez menção de se sentar, como se estivessem exigindo por mais algumas horas de sono enquanto sua cabeça latejava como um sino inqueto de igreja. Sua boca estava seca, tão seca que a garganta ardeu quando tentou falar alguma coisa, como se a tivessem lavado com ácido sem a sua permissão.
Ava Shafiq sentia-se terrível e não fazia ideia de como havia parado ali.
Ela sabia que estava em um leito do St. Mungo’s porque, como alguém com uma profissão arriscada, essa era a resposta mais óbvia para quando acordava em um lugar sem saber onde estava. Como auror, passar a noite em observação no hospital acontecia com mais frequência do que o esperado, então quando olhou para o lado e reconheceu as paredes brancas, a realização foi quase imediata. Não precisava olhar para si mesma e para as roupas de paciente que usava para constatar que estava internada.
Contudo, o motivo de estar ali era a pergunta que Ava não conseguia responder. Não se lembrava de absolutamente nada do que havia acontecido nas últimas horas e, ao fechar os olhos com força para tentar se concentrar e forçar a mente a fazer uma retrospectiva de suas memórias, a última coisa da qual se recordava era de estar indo trabalhar no festival dos fundadores em Hogsmeade.
Suspirou cansada e então as lembranças a atingiram como um soco no estômago, voltando a sua mente como se tivesse aberto uma porta e estivesse sendo soterrada por água gelada. Lembrou de fogos de artifício, do som que as explosões coloridas provocavam em seus ouvidos e de como eles mudaram para algo mais agressivo num intervalo de segundos. Lembrou do fogo que tomava as barracas e as lojas, lembrou dos gritos e do desespero dos bruxos e bruxas que compareceram ao povoado para uma noite de comemorações. Lembrou da sensação de que seus pulmões estavam queimando enquanto corria atrás de figuras encapuzadas com a varinha em punho, de duelar por horas a fio até que seus músculos protestassem, de ser atingida por um feixe de luz e sentir uma pancada nas costas antes de tudo ficar escuro. Lembrou de ouvir a voz de Declan, de ter dito alguma coisa e então era como se tudo tivesse se resumido ao escuro e pesado silêncio. Não havia mais nada.
Ofegante pela inquietude que as lembranças provocaram, Ava tentou se sentar mais uma vez, agora com um pouco mais de sucesso. Com a ajuda dos braços, deslizou o corpo pela cama para apoiar as costas na parede e depois de esfregar os olhos azuis e afastar os cabelos loiros do rosto, ela notou que não estava sozinha. Havia alguém sentado na poltrona ao seu lado e pelo leve ressonar que se fazia ouvir no pequeno espaço delimitado a ela por cortinas, a pessoa estava dormindo um sono profundo. Demorou para que reconhecesse Declan Savage, não porque não fosse capaz de reconhecer seu melhor amigo, mas porque ainda estava um pouco desorientada desde que acordara.
“Declan?” Chamou uma vez, sentindo-se culpada por ter de acordá-lo, mas ela precisava saber se ele e os outros estavam bem, precisava de mais detalhes sobre o que conseguia se lembrar. “Declan!” Falou um pouco mais alto agora, ainda repetindo o nome dele mais duas ou três vezes antes de vê-lo acordar. “Declan, o que está fazendo aqui? Você está bem? O que aconteceu? Eu me lembro de... eu me lembro de fogo e explosões e... Declan, o que aconteceu?” Sua voz soou como uma súplica.












