Mas quem dera que fosse só a palavra. Me deparei com relatos de amigos, e até mesmo um momento particular de batalha com esse problema que me assola a um tempo, chegando ao ponto de me fazer esquecer de respirar e sentir as minhas mãos adormecerem, pois o futuro incerto era difícil de encarar. Porém, nesse momento, recomecei a leitura do livro “Cartas de um diabo a seu aprendiz”, do autor C.S Lewis.
Na obra, Lewis escreve de maneira irreverente sobre a troca de cartas entre dois demônios, o Maldanado e seu sobrinho Vermelindo. Este último, que ainda é novo no ramo de trabalhar com os humanos, resolve escrever a seu tio para que, além de relatar sobre suas vitórias já conquistadas, possa receber ajuda.
O conteúdo das cartas giram em torno de vários assuntos, e esses geram conselhos a Vermelindo sobre como ele deve agir e utilizar as situações para promover distância entre seu “paciente”(ser humano) e o seu “Inimigo” (Cristo). Porém a carta VI me chamou a atenção, pois o tema da ansiedade é tratado por Maldanado, no qual afirma: “Gostaríamos que ele ficasse num completo estado de incerteza, de modo que a sua mente fique cheia de imagens contraditórias do futuro, sendo que cada uma delas desperte nele esperança ou medo. Não há nada mais eficaz que o suspense e a ansiedade para bloquear a mente humana contra o ‘Inimigo’ (Cristo)”. Essa fala me foi suficiente para que pensasse nas situações de ansiedade que já vivi - e que estou vivendo - e como elas fazem exatamente o que o Maldanado escreveu ao seu sobrinho, de modo que conseguiam bloquear a minha mente contra o meu Amigo.
Imediatamente lembrei-me do texto que o meu Mestre, e inimigo de Vermelindo, falou no seu discurso no alto do monte aos seus discípulos (Mt 6.25 ao 34), onde discursava e questionava as preocupações dos mesmos sobre o comer, o vestir, e um verso saltou aos meus olhos quando Ele, meu Mestre Amigo, pergunta: “Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja à sua vida?” (v.27 - NVI), e nesse exato momento foi como se pela primeira vez eu pudesse ver como ela, a ansiedade, bloqueava e, tal qual em um surto de perca de memória, eu simplesmente esquecesse das promessas feitas e realizadas por Ele, e também me esquecia do outro (meu irmão). E então o que me restava era a olhar para mim, para o meu egoísmo, minhas vontades, meus sonhos, meus desejos.
Depois dessa enxurrada de informações, fui falar com aquEle que sabe o que eu realmente preciso e, logo após vomitar todos os meus medos, percebi que tudo se acalmou dentro de mim e agora eu podia - e posso - respirar, e as mãos antes adormecidas, tinham voltado ao normal..
Concluo dizendo que não é fácil lutar contra a ansiedade, mas pretendo descansar, na certeza que o Pai celestial sabe das minhas necessidades (Mt 6.32b) e o que me resta é seguir o conselho do Mestre Amigo, quando diz: “Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas. Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações com o amanhã. Basta cada dia o seu mal.” (Mt 6.33- 34).