Eu soube antes de você
Estava eu lá, despreparada e desarmada pra um reencontro casual. Você me veio sorridente, como quem não acredita naquela presença novamente na sua cozinha, na cadeira de sempre, de frente pra pessoa mais importante da sua vida: sua mãe. E era eu sim. Com o mesmo sorriso de sempre, exceto pelos quilos a menos que carregava no corpo.
Sentou e me disse dos dessabores e das coisas dos amigos, falou das superficialidades pra não tocar onde doía. Ainda bem. Foi leve como era o início de 2014 pra mim. Era bonito como se nada de antes tivesse sido pra gente.
Hoje eu não sei mais que sabor tem o seu beijo, de que jeito você dorme e nem compartilho os inícios dos meus sábados com você me acordando à força pra tomar café por causa da fome. Eu não sei das mulheres que te cercam e te desejam, e nem falo sobre os meus caras. A verdade é que nada disso importou durante a minha breve visita. Parecíamos amigos de novo, como se nada tivesse havido. E isso foi bom.
O abraço da despedida, o “você faz falta”, o sorriso sem graça, o “não morra, por favor” e o adeus. Tudo isso numa só noite de visita. Curta e surpresa.












