Day 12 of Arting August
Style day 3: I chose Avatar: The Last Airbender as a style to emulate

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Day 12 of Arting August
Style day 3: I chose Avatar: The Last Airbender as a style to emulate
Me lembro como se tivesse sido ontem, eu chorando pelo término de um namoro e minhas amigas em volta. Aquela dor era admirável, eu cheguei a pensar que jamais passaria. Eu, que nunca me abria com ninguém, não conseguia conter o choro diante de uma plateia, mas foi aquela plateia que me proporcionou o que talvez tenha sido a minha maior conexão com o alheio. Naquela tarde, a plateia me contou histórias de como se sentiu quando passou pela mesma situação, como se comportou, como se libertou… Eu vi um lado nela que era igual ao meu, eu vi nela a dor que doeu em mim. Ainda naquela tarde, uma daquelas pessoas, minha amiga, me disse algo que provavelmente é o único conselho que tenho seguido à risca. Ela me disse que quando a gente ama, não importa se a gente vai ver a pessoa uma vez na semana, ou no mês, ou no ano, quando a gente ama, a gente vai sentir saudade, mas vai fazer com que aquele dia seja especial, seja o dia que vai fazer o tempo que eu passo longe da pessoa valer a pena, vai ser o dia em que vou mostrar pra pessoa o quanto ela é importante pra mim. Pode ser um dos maiores clichês, e apesar dela não ter me dito muito, naquele momento eu tive o estralo da minha vida e eu soube o amor que eu queria, soube que não aceitaria nada menor do que aquilo. Eu compreendi que todo ser humano está vivendo a procura da sua própria felicidade, que ninguém tem culpa de sentir demais ou de menos, que sem querer a gente se machuca no meio do caminho e que, às vezes, as certezas que a gente tem viram dúvidas. Mas eu compreendi que é preciso lutar por si próprio e que, talvez, a felicidade não venha no formato que imaginamos, mas eu sei o que eu quero e não aceito nada menor do que isso, porque mesmo que dure um dia, uma semana ou um mês, eu sei que isso é o que fará todo o resto ter valido a pena.
Numa noite dessas, sonhei que estava no topo de um prédio e mergulhava no ar. Era um dia como outro qualquer, um fim de tarde quente e reconfortantemente nublado, a cidade estava quieta e as ruas vazias. O sol já estava prestes a se pôr e as luzes no céu começavam a fazer seu espetáculo de cores. Era apenas mais um dia daqueles que seriam futuramente apagados da memória da maioria. O chão era uma realidade cada vez mais próxima, mas só tive consciência do que me aconteceria quando finalmente chegasse lá na metade do percurso. Mas nada importava, nada além do vento que dançava entre meus cabelos e acariciava meu rosto. Não sei se em algum momento da minha existência alcancei tamanha liberdade, me recordo perfeitamente te ter fechado os olhos e por um momento sentir que estava voando, meu instinto me fez pensar em levantar voo, talvez eu pudesse, era um sonho oras, mas recordo-me de imediatamente repreender este pensamento abrindo os olhos e encarando o asfalto cinza se aproximando cada vez mais enquanto o vento me acalentava e me cantava sua canção de ninar, tão pacífica que se assemelhava ao nada, eu sabia que estava sendo tocada unicamente porque naquele momento a minha mente estava em paz, as preocupações e perturbações da minha cabeça pareciam ter sumido, estavam todas quietas observando o meu ato final. Subitamente, acordei. A única coisa que me veio à mente foi “por que ter me jogado de cabeça?”. Há diversas teorias sobre a condição do paciente (ou impaciente, se me permitem por assim dizer) poder ser explicada pela forma como tentou se suicidar. Manuel Bandeira, poeta a qual tenho muito apreço, diz em seu poema “Canção do Suicida” que não tentaria se matar, mas que tinha vontade e, curiosamente, com um tiro no ouvido, vingança contra a condição humana de ser dotado de razão. Cá entre nós, entro numa sinuca de bico toda vez que tento me explicar, não que goste de ficar aberta a interpretações, muito pelo contrário, sempre acho que o que digo não é o suficiente, já que a objetividade não é o meu forte e, toda vez que paro pra pensar sobre, desencadeio uma série de pensamentos que me puxam cada vez mais pra dentro de mim mesma. Há quem diga que agir sem pensar seja um defeito, particularmente, sempre carreguei o pensar demais como um fardo. Minha vida toda me senti prisioneira de mim mesma, presa atrás de mil pensamentos que me impediam de me realizar. Você é as suas ações, o seu exterior reflete o que há no seu interior, logo não sou nada senão hesitação. Sempre procurei uma definição que me servisse, no meu diagnóstico final estava: era pássaro, tinha habilidades de pássaro, seu maior sonho era voar e descobriu que a gaiola em que estava presa nunca tinha estado fechada realmente, nada a impedia, exceto o medo.