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Checklist || POV
— So pretty, a celepretty… — Yook cantarolou enquanto secava os fios longos com cuidado, uma letra diferente na mesma melodia que vinha repetindo em sua cabeça desde a noite anterior. Piper sabia que não conseguiria adormecer, então passou as horas jogando um MMORPG até que já fosse “sensato” deixar o quarto e se enfiar embaixo do chuveiro para um merecido banho de longos minutos. Seria mentir descaradamente para si mesma dizer que não estava nervosa por causa da sessão de fotos. As gotas quentes tamborilavam em sua pele, nunca haviam soado tão claramente como uma ameaça de um evento se aproximando como naquele momento. Birdie levou o tempo necessário, com toda a calma que conseguia juntar. Ela estava estranhamente animada com tudo, cada pequeno acontecimento parecia uma grande festa, acelerando seus batimentos cardíacos já em taquicardia semipermanente. Quanto mais ela ainda teria que segurar até dez horas da manhã, o horário que haviam dito que estivesse presente no local, dia dezenove de julho; não poderia ter erros. — Lipstick? Check! High heels? Check! Hair style? Check! — A canção escapou naturalmente pelos lábios da garota, que esboçava uma dancinha enquanto terminava de se arrumar, uma pilha de itens “de sobrevivência” eram jogados em sua mochila. — Smile? Check! Flavor? Check! Sweetly? Check! Não deveria existir o menor dos erros sequer, não em um dia como aquele; era o que sua cabeça repetia insistentemente a cada minuto. Birdie era quase cem porcento concentração ao deixar seu pequeno e bagunçado apartamento. Se tudo desse certo — e PRECISAVA dar — Piper estaria um pouco mais perto de seus objetivos. Se tornar conhecida, um sucesso, ajudar a mãe, dar um jeito de vez nos pais biológicos. Só em pensar por um breve momento sobre a carta de Jongsuk e Sojin, o olhar da Yook se anuviou, os lábios retorcidos em preocupação. Ela precisou voltar a cantar para si mesma até conseguir afastar coisas negativas. Algo que ela não precisava era perder o clima, não quando já estava entrando no transporte público, em direção em local marcado para as fotos. Ela estava bem adiantada quando chegou, fazendo uma reverência educada sempre que passava por alguém mesmo com sérios riscos de ser mal interpretada. Ao ser direcionada ao lugar certo e deparar com a maquiadora, Piper suspirou; parte por alívio, parte por insegurança. Conhecer a mulher era um ponto a mais, as duas passaram longos minutos conversando sobre o trabalho, dicas sobre como Piper poderia fazer melhor. Yook estava realmente grata pela ajuda, e ainda mais feliz por ter chegado adiantada ao local. Quando já estava maquiada, o cabelo pronto, mas ainda com as roupas que chegara, a maquiadora — Jessica ou Janette, Birdie não conseguia lembrar direito — a deixou sozinha no cenário, no meio de toda a iluminação preparada. “Do you wanna be a celebrity?”, a música voltou a tocar em sua cabeça ao se ver sem nada mais para se focar outra vez. Pouco tempo se passou até que seus olhinhos curiosos focassem o piano. Piper mordeu o canto de seu lábio inferior, transbordando ansiedade quando se aproximou do instrumento, pressionando uma tecla para se certificar que era de verdade. Piper Yook não pensou se aquilo seria algo positivo ou não para sua imagem, tocar um instrumento do cenário de sua sessão de fotos, mas ela estava tão feliz e relaxada fazendo isso que só continuou tocando uma versão piano de uma de suas músicas favoritas, a letra apenas em sua cabeça. “I’m fine, thank you… thank you.” Um barulho de movimentação atrás de si, e Piper virou bruscamente na direção da equipe. Vários palavrões ocuparam sua mente, mas não desfizeram sua expressão impassível. Não houve reclamação ou desaprovação da equipe; o que poderia ser chamado de sorte? Talvez. Apenas um sinal de mão do fotógrafo a incentivou a prosseguir, e assim o fez. Piper sempre ouviu que para muitas coisas na vida o mais difícil era começar, e fazer o photoshoot talvez fosse uma dessas coisas, e que a garota havia conseguido trapacear a regra sem querer. Piper havia adorado o cenário, as roupas — as outras, as que não eram suas próprias roupas simples — não havia nada no resultado final que ela mudaria, naquele momento. Seus pés a guiaram para a primeira cafeteria que achou pelo caminho, pedindo seu adorado caramel macchiato. Photoshoot? Check!
who the fuck scheduled my photoshoot for nine fucking am
Jack estava quase 100% certo de que o agendamento de seu primeiro photoshoot para as nove da madrugada era um teste. Ele também tinha quase 100% de certeza de que não iria passar, porque alguma coisa na biologia dele impedia que o garoto pudesse funcionar de modo apropriado antes das onze horas, que dirá bem o suficiente para posar para fotos. E o pior: posar para fotos como um garoto de fraternidade.
Ele com certeza reclamava demais para um ator que tinha acabado de receber a oportunidade de sua vida, mas ser grato por aquele papel (pelo menos não sem achar mil coisas erradas com ele antes) não era muito a cara de Jack. Na verdade, nada daquilo era muito a cara de Jack; ele normalmente jamais assistiria um seriado no estilo de Camperston Boys, embora tenha dado algumas gargalhadas enquanto o lia (mesmo que jamais fosse admitir isso). Mas ele queria atuar, queria se tornar famoso e poder enviar mais dinheiro do que o suficiente para um delivery de comida chinesa para Adrianna e Emilia, e nada ali ia contra qualquer princípio moral que ele tivesse, apenas contra a longuíssima lista de coisas que desagradavam Jack. Mas praticamente tudo na vida desagradava Jack, então ele não tinha escapatória mesmo.
when i grow up — point of view.
Mesmo depois de tantos books que havia feito na esperança de alguma agência de modelos a contratar, ainda assim sentia um frio na barriga enquanto entrava no Studio 1444. Era a primeira vez que realizava alguma coisa séria mesmo, que a estava dando retorno (tanto financeiro quanto no quesito popularidade), então tinha um ar de “é para valer”. Não era medo o que sentia, estava mais para uma ansiedade de finalmente provar o seu valor já contratada, além de mostrar que era muito mais que um rostinho bonito.
Na recepção, a encaminharam para um camarim pequeno e apertado e pediram que esperasse lá enquanto a estilista não chegava. “Hunf. Eu tenho que chegar dez minutos antes da sessão, mas os outros podem chegar atrasados. Ridículo. Além de terem me mandado para esse cubículo. Ainda vou ter um camarim só para mim, com roupas de grife e vários cabeleireiros ” Foi o que passou, sentada de frente ao espelho. Estava sem maquiagem, porque sabia que os atores eram vestidos e maquiados pela Diamond TV, mas usava suas melhores roupas. Na verdade, vinha fazendo isso em eventos ou reuniões que era chamada. Mesmo com o pouco dinheiro que sua família tinha, ainda assim tinha alguns vestidos de liquidações de grandes lojas. Claro, tudo que tinha era falsificado ou de promoção, mas ainda assim todo o seu porte apagava tudo isso. Os cabelos longos e loiros, as feições delicadas, o corpo escultural depois de muito treino... Tudo isso faziam com que a pobrezinha do interior parecesse como uma garota de classe média da cidade grande. Por mais que não fosse tudo o que quisesse ser, ainda assim era melhor do que deixar que soubessem da sua realidade.
Quando a estilista chegou, tentou agir da maneira mais profissional possível. Ouviu todos os conselhos dados sobre como se portar no estúdio (por mais que já soubesse de tudo aquilo), as roupas que ela deveria usar em cada momento da sessão e a maquiagem que seria feita nesses momentos. Tranquilizou-a, dizendo que estaria sempre ao seu lado caso surgisse alguma dúvida, talvez por perceber a ansiedade da garota e ter confundido com insegurança. Não, Rosie nunca ficava insegura (ou, pelo menos, era o que pensava de si mesma). A garota tirou suas roupas e colocou as primeiras peças, ficando em frente para o espelho novamente e sendo maquiada. Quando o look completo ficou pronto, Rosie quase deixou o brinco que estava colocando cair. Estava linda a ponto de parecer uma modelo da Victoria's Secret.
Agora que já estava parecendo uma estrela de cinema, faria uma sessão de fotos com uma fotógrafa a altura dessas estrelas. Mais isso só deixava Rosie mais entorpecida com todo aquele luxo. Claro que não era para ela, apenas para que a Diamond tivesse uma boa reputação, mas não se importaria nada em ser usada como boneca deles. Exatamente por isso não se sentiu nada manipulada quando o diretor dava ordens para que mudasse de posição ou de feição. Usaram vários objetos, fundos e também uma tela verde, para que pudessem fazer montagens para que parecesse estar fora do estúdio, ao ar livre. E durante todo esse processo, a loira estava radiante. Sua beleza exaltava centenas de vezes mais, sua flexibilidade ajudou que tirasse algumas fotos especiais e sua simpatia fez com que a fotógrafa se apaixonasse por ela, dizendo o tempo inteira como era uma das melhores modelos novatas que já tinha fotografado. Provavelmente dizia isso para todas, como forma de incentivo, mas Rosalie estava tão alegre que se deixou levar pelo seu lado ingênuo e agiu como se realmente fosse a melhor naquilo. Nem se preocupou em ver o resultado final, porque sentia que as fotos ficariam maravilhosas.
Quando acabou, tendo mudado várias vezes de figurino completo, ficou até um pouco chateada em saber que normalmente eram utilizadas duas ou três fotos na divulgação, dependendo do quão bem ela havia se saído. Deveria ter tirado umas quinhentas fotos, não sabia como apenas duas ou três ficaram boas. Mesmo assim, não discutiu, tanto por estar maravilhada com tudo que estava acontecendo quanto pelas instruções do seu agente de apenas seguir as ordens do diretor. Desligaram os aparelhos e uma mulher que ficou trocando mensagens durante toda a sessão foi até ela, dizendo que ela estava dispensada e eles entrariam em contato quando as fotos ficarem prontas. Assentiu e agradeceu, mas a mulher parecia tão imersa em pensamentos que já saiu da sala. Dirigiu-se ao camarim, trocando de roupa para a sua própria e olhando novamente para o espelho. Estava tão bonita que não teria coragem de ir para casa sem antes passar em um bar para tomar alguma coisa. Respirou fundo, absorvendo um pouco mais daquela emoção que vibrava dentro de si.
Mesmo no ponto de ônibus, esperando para ir até o único bar que podia arcar, ainda assim seu sorriso iluminava toda a rua escura. Não podia reclamar do que receberia, era mais do que receberia em qualquer emprego que fosse arrumar. Porém, aquela era Los Angeles, a cidade de milionários. Tudo ali era caríssimo, se não fosse pelos poucos lugares que levavam em conta os sonhadores que haviam se mudado para lá em busca de uma carreira promissora no ramo das artes. Rosie tinha o dom de, entre as opções de bares dadas, achar aquele que era melhor frequentado e tinha as melhores bebidas. Foi assim que achou o Bar 107, um lugar com preços razoáveis e pessoas interessantes. Uma ótima pedida para uma estrela em ascensão.