arremessado
há momentos que me rodeiam, puxam-me, rasgam-me, a realidade me devora, sou poço e refém de desejos, sigo tendo vontades que já não deveriam mais existir. o cansaço é rotina, a máquina de dinheiro está a todo vapor e imóvel, sinto as cédulas tocando a pele, o papel áspero, a mão direita coça, abruptamente, estou a ruir.
toda desgraça que sou arremessado a culpa é do capitalismo, sou prisioneiro do Estado, a falências de suas competências me colocam pra escanteio e, sempre que isso vem à tona, quero desistir.
não consigo bancar os meus gastos mais banais, os prioritários estão batendo na porta e eu só consigo ouvir aquela voz: as coisas não poderiam serem um pouquinho mais fáceis? oneprince.













