Aos 79 anos, Balbina Oliveira conta histórias por Belo Horizonte
Ganhadora do Prêmio Talentos da Maturidade Banco Real, ela se divide entre a asilos e escolas contando histórias e afirma que o espaço em Belo Horizonte poderia ser mais receptivo
Por Maria Beatriz de Castro
Ao chegar a uma certa idade, muitas senhoras podem decidir aposentar as chuteiras. É uma decisão compreensível, afinal, depois de tantos anos de vida, um descanso não faz mal a ninguém. Mas não é esse o caso de Balbina Oliveira. Aos 79 anos, ela intercala a preparação da festa dos oitenta com a profissão de contadora de histórias.
Ela conta que a paixão começou cedo, ouvindo as histórias de sua tia Carmosina. “Sou a segunda de seis irmãos e nós todos ficávamos encantados. São as histórias dela que formam a maior parte do meu repertório e que me incentivaram a ler e conhecer outras histórias”, conta, afirmando que começou sua trajetória repetindo para os irmãos as histórias da tia.
“Contei primeiro para os sobrinhos, primos e finalmente para os meus filhos e netos. Contava histórias apenas dentro da família e para amigos e vizinhos. Foi assim que percebi a importância de se contar histórias para as crianças”, explica, acrescentando que crianças que ouvem histórias tornam-se leitoras posteriormente. “Ao longo da vida tenho constatado isso”.
Os percalços da vida também inspiraram Balbina a levar a carreira para outros rumos. Depois de ficar viúva, resolveu contar histórias como voluntária em asilos, creches, escolas e reuniões de idosos. Sua presença no Clube da Amizade, por exemplo, é quase mensal.
Balbina preza pela melhora gradual de sua experiência. Para isso, já frequentou um curso para contadores: “Foi uma experiência maravilhosa conhecer professores de talento e técnica como o inesquecível Bone e as queridas Norma Salles e Madu Costa. Eu não me considero uma profissional como eles. Aprendi na prática e com esses mestres descobri algumas técnicas”, conta ela, que prefere contar piadas de adultos e “O que é, o que é?” para crianças.
Prêmio e livro
Tantas fez que, em 2007, Balbina ganhou o prêmio Talentos da Maturidade Banco Real na categoria Contação de Histórias. “Foi um sonho realizado, uma grande alegria. E a história que contei era uma daquelas aprendidas com a tia Carmosina: Dona Baratinha Viúva”, conta. Dali, nasceu outro sonho: o de transportar a tradição oral para as páginas de um livro. Em 2011, “Dona Baratinha Viúva” foi publicado com recursos da Lei Rouanet.
Sobre o espaço para contadores de histórias em Belo Horizonte, Balbina afirma que já sentiu uma recepção maior. “Havia uma grande procura e bons eventos. Agora está bem parada. Havia uma projeto maravilhoso chamado Conto Sete em Ponto, no Tribunal de Justiça, patrocinado pelo Banco do Brasil. Porém, hoje temos um encontro semanal de contadores de histórias na antiga FAFICH”.
Em 2015, segue a contação…
Neste ano, a contadora visita várias escolas e participa de encontros com idosos. O segundo livro sairá do forno em breve: “O Rabo do Rato” também será financiado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte.
Para o futuro, os planos de Balbina se resumem a continuar a contar histórias. Sua maior motivação é seu prazer. “Espero que a contação de histórias não se acabe e que as pessoas voltem a se falar mais, conversar mais e cada vez ter mais paciência e prazer em ouvir e contar histórias”.
O livro "Dona Baratinha Viúva" pode ser adquirido no Café Book, Asa de Papel e Leitura do BH Shopping. As vendas também são feitas pelo e-mail: [email protected]
Maria Beatriz de Castro, 22, é editora-chefe do Mulher Mineira. Estudante de jornalismo, milita pelo movimento feminista há quatro anos.