Dourada — tudo em ti é mesmo d'ouro.
Romantizada e eternizada em mim.
Por fim, não sei dizer o que é mais lindo. Ser intocável a memória que dourei só em ti? Bronzeei, nos meus sonhos, aquele dia ensolarado que tinha teu cheiro. Na mais simples sombra, eu te beijei pela primeira vez.
Ali eu já sonhei. No teu sol delirei. Na tua pele queimei. Teu calor eu amei.
Depois, tudo passou a ser secundário, e o medo atrapalhou até eu te perder. Aqui, sem te ter, queimando um pra esquecer, não sei se vou fazer — porque amo você.
Na real, eu vou congelar o tempo em que tive você. Mesmo congelado, o tempo aqui é frágil, porque, se compete contigo, derrete. Foi o breve período infinito mais lindo que nunca irá sumir da minha mente.
Entenda: é doce sonhar tanto com o mel dos teus olhos.
Entenda: é lindo querer tanto o brilho do mel do teu sorriso.
Entenda: é puro tudo o que eu sinto — e, pela pureza, eu poderia ser expulso de mais cinco milhões de paraísos.
E se eu não tivesse medo do escuro? Certamente poderia fugir desse UV em demasia. E, se neste dourado eu encontrasse o que procuro, talvez tivesse a resposta daquela pergunta que todos os dias eu me fazia.
Seu corpo é uma parte gigante do paraíso?
Ou o paraíso é um pedacinho do seu corpo?
Como eu disse, o tempo foi breve — e agora é infinito, cortando bonito, mais frio que a neve. O sol que queimava ficou disforme, mais frio, mais chato, sem cor.
Seu corpo é uma parte gigante do que eu preciso?
Ou o que eu preciso é de um pedacinho do seu corpo?
Quem sabe, Olhos Cor-de-Mel, olhando para o céu e te encontrando no amarelado de um dia sagrado, tatuado na pele que antes era apenas cicatriz, eu me encontre sereno, mais pleno e sábio — e, com o amor, consiga ser hábil. É sobre não deixar escapar aquilo que me faz feliz.
Mas, voltando a falar de calor, eu sinto que posso derreter. Sinto que preciso de oito minutos de distância para sobreviver.
E, falando de viver, não sei se viver é viver sem você.
Estou nadando em apatia. Seus beijos eram a placa que me dava energia. Eu esbanjava poesia, girava em torno de você e ainda ria.
Hoje vivo em covardia, sem coragem de perguntar: “Como você está hoje em dia?”
Deve estar bronzeada, ainda mais dourada, superlisonjeada, por vários planetas rodeada.
Espero que toda a arte que te circunde possa te cobrir e te abraçar — mas não como peneira. Que seja da mais linda e completa maneira.
E o esmero que faltar do verde da vida, para retribuir tua dourada beleza, explodirá em supernova. E, para sempre, você será a mais quente das realezas.

















