Lyna Becker | Distrito 3 | Desafio 1
“- E de todas as guerras, a passada em nossa mente é a pior. Não derrama sangue, mas nos desmembra de todas as maneiras possíveis. Repetidamente. - Havia dito Eleanor entre sussurros a Lyna no dia que a havia conhecido. Eleanor havia conhecido Lyna Becker durante em um dia comum no orfanato: a pobre garota chorava aos prantos, e se escondia debaixo do escorregador do parquinho precário do orfanato. Preocupado com o choro, Eleanor procurou a fonte de onde saia todos aqueles gritos sufocados. Eleanor era um homem que aparentava ter apenas dezessete anos. Possuía um porte atlético, seus olhos possuíam duas cores: azul bebê e castanho escuro. "Oh, que lindos olhos ele tem." pensará Becker muitas vezes. Seus fios de cabelo eram pintado delicadamente na cor louro. Para muitas pessoas, o cabelo encaracolado de Eleanor poderia parecer-lhes estranho. Mas, a vista da garota, era lindo.
- Leanor, - como costumava chamar-lhe a garota - se eu fosse grande o bastante... Casaria-me com você! Quero dizer, ainda irei crescer então me aguarde até lá, tudo bem?
Eleanor sufocou um riso.
- Tudo bem, minha garota.
- Sabe o que isso significa? Significa que caso o senhor me traia, estará com sérios problemas. - A garota bufou, e por fim, deu-lhe um grande abraço. Ambos riram.
_*_
- Não sabe, não sabe! – Cantavam todos á Lyna. Apenas por ter errado um simples verso de uma canção que todos adoravam. Ah, e que aos olhos de Lyna, soava totalmente idiota:
“Oh, potato
Oh, potato
Oh, sweet potato
How sweet thou art
Have you been told that today? "
Minutos depois, Lyna se encontrava sendo confortada por Leanor.
- Querida, não chore assim... - A voz de Elenor soava doce.
- Eu quero matar eles. - As lágrimas escorriam por todo o rosto da garota.
- Não é necessário. Eu posso cuidar de tudo, agora trate de limpar este rosto já, mocinha. - Disse Leanor assumindo um tom mais firme. Como filho do diretor do orfanato, Eleanor poderia tratar de vários problemas apenas tendo uma breve conversa com seu pai.
Um barulho estridente se ouviu. Não se ouvia mais nenhum barulho vindo do orfanato, todos haviam calado a boca. A menina sentiu no clima pânico.
Lyna ouviu passos combinados vindo em direção ao parquinho.
- Eles estão vindo para cá. - Sussurrou a pobre garota.
- Eu sei. Fique calma eles não... - O homem foi interrompido por uma voz grave que agora, aparentemente estava em frente ao escorregador.
- Sim, ele mesmo. Está aqui. - pronunciou calmamente o Homem da Voz Grave.
Então Eleanor foi puxado bruscamente, deixando Lyna só. E a última coisa em que a garota se lembra de ter ouvido, era seu próprio choro.
_*_
Lyna passou sua mão por seu rosto e percebeu que ele estava completamente molhado de suor. Não, não de suor. De lágrimas.
- Lyna! - Entrou bruscamente Alice em seu quarto, que possuía as paredes pintadas de branco, uma simples cama, seu guarda-roupa, e a janela, que segundo a opinião de Lyna, uma linda vista era possível se ver daquela janela. - Ouvi você gritando, está tudo bem?
- Oh, claro. - Mentiu. Não estava tudo bem, a garota sentia saudades de Leanor. - Pode sair de meu quarto agora?
Ela pareceu incomodada com a pergunta, mas se retirou lentamente.
Lyna Becker afastou - com certa dificuldade, embora não admitisse - seu guarda roupa e detrás do mesmo, retirou um pequeno espelho.
Becker via um cabelo louro natural totalmente despenteado, e grandes olhos dourados, cujos mesmos começavam a demonstrar indícios de olheiras. “Eleanor diria que eu deveria dormir mais." pensou Lyna com um sorriso no rosto.
Lyna caminhou silenciosamente até o banheiro da casa, ao chegar a porta do banheiro, hesitou ao ouvir duas palavras: Capital, Eleanor?
A garota entendeu de imediato. Caminhou até a pia do banheiro e lavou seu rosto ainda manchado pelas lágrimas, e voltou para seu quarto. Vestiu uma saia longa preta e sua melhor blusa branca, calçou seus sapatos pretos lustrosos e caminhou apressadamente até a porta na qual dava acesso a rua.
- Lyna? Aonde vai? - Apareceu repentinamente Alice.
- Encontrar um amigo. - Lyna olhou fixamente para Alice, que continuou olhando-a com desconfiança. A garota que agora possuía treze anos havia aprendido a mentir. - Volto em algumas horas. Eu prometo.
Lyna Becker exibiu um largo sorriso, o que fez Alice piscar continuamente, como se tivesse acabado de sair de um transe.
- Tudo bem. Apenas dê um jeito de avisar caso volte muito tarde.
A garota assentiu e virou-se de costas para Alice.
_*_
Poucas pessoas se encontravam no lugar. E definitivamente mais do que a garota havia imaginado. Aproximadamente vinte pessoas se organizavam em uma fila para se cadastrar nos Jogos Vorazes.
- Qual seu nome? - perguntou repentinamente uma voz masculina. Lyna virou-se de costas e deu de cara com um garoto de aparentemente vinte anos, possuía cabelos castanhos e olhos na cor azul.
- Não vejo necessidade de dizê-lo, desconhecido. - Sua voz soava diferente. Quase formal.
- Sou Erick. - disse o garoto estendendo a mão. Quando Lyna estava prestes a apertar a mão do rapaz, ouviu a palavra próximo e avançou na fila.
- Olá, bom dia! Você deve escrever seus dados pessoais e o principal: o motivo de querer ir para os Jogos.
Lyna Becker assentiu lentamente. Mesmo não tendo vivido na época em que os Jogos Vorazes era obrigatório, a garota sabia por meio de histórias, que ninguém gostava dos Jogos, todos com exceção dos carreiristas - jovens que treinavam com armas diariamente em uma academia especial, até finalmente estarem prontos para se voluntariarem e vencer os Jogos - , obviamente. E o que mais impressionava ela, é que apesar de seu Distrito não ser carreirista, até havia muitas pessoas migrando para a morte. "E eu sou uma delas.” pensou. Mas tirou o pensamento da cabeça quando leu no formulário a frase: motivo de querer ir para os Jogos. Ela só conseguia pensar em uma palavra:
“Eleanor."
_*_
Não se passava das vinte horas quando a garota chegou em casa. Obviamente, não havia passado toda a tarde se inscrevendo, depois da inscrição, Becker foi visitar o orfanato em que vivia quando criança. "Bebê feliz" agora se encontrava em total decadência. O lugar fedia a mofo e mesmo de longe, era possível se ver quanta infelicidade o lugar havia segurado.
Ao passar pela porta da frente, imaginou Alice lhe abraçando, preocupada. Mas não, ela olhava fixamente para o televisor. Lyna havia se esquecido dos Jogos.
- O que há Alice? - fingiu não saber de nada.
- Vão sortear os tributos que irão participar dos Jogos. Sente-se. - Alice chegou para o lado no sofá, dando espaço para a garota sentar.
"Durante décadas, os antigos líderes políticos da Capital obrigavam os Distritos a oferecerem um garoto e uma garota entre doze e dezoito anos, para lutar nos Jogos Vorazes, até que restasse apenas um vencedor. - pronunciou Gavril Flickerman - Todo este procedimento permaneceu igual, até Katniss Everdeen, resolver mostrar a todos quem somos e o que queremos. Uma guerra se seguiu, e finalmente conseguimos o que queríamos: paz. Porém, ainda restaram pessoas doentes, pessoas a beira da morte nos Distritos, e resolvemos recriar os Jogos Vorazes. Donde apenas aqueles que se inscrevessem poderiam participar dos Jogos."
Gavril sorriu.
“Vamos agora com tributos, primeiramente, a Capital! Carter e Tally. Do Distrito um: Phyllis. Do Distrito 3: Rose Tyler, Lyna Becker e Mary Alice. Do Distrito 4..."
Alice desligou o televisor. A face da mulher demonstrava espanto.
- Aparentemente você foi a mais um lugar além da casa de seu amigo, não é mesmo? - Alice abriu um fraco sorriso, era possível ver que a mulher estava segurando suas lágrimas. - Pode ao menos me dizer o por quê de ter feito isso?
- É importante, apenas isso.
- Você não entende, não é? Cuidei de você durante anos para que pudesse ter uma vida boa e é isso que faz? Deixando uma mãe de luto pela morte de sua filha que permaneceu longe por anos?! - O rosto de Alice agora estava em lágrimas.
- Você chamou-se a si própria se mãe?
_*_
Batidas na porta interromperam o sono de Lyna.
- Eles estão aqui, Lyna. - Disse Alice através da porta. A garota havia entendido após uma breve discussão que havia ocorrido, dois pacificadores bateram á porta da casa, avisando que pela manhã, os pacificadores iriam buscá-la juntamente com o mentor e o estilista.
A garota vestiu apressadamente um vestido azul claro, deixou seu cabelo a solta e saiu pela porta da frente.
- Oh, querida! – disse alegremente uma voz masculina à direita de Lyna. A voz parecia-lhe familiar. – A casa vez que lhe vejo a senhorita está mais bonita!
Becker virou-se na direção da voz e surpreendeu-se ao notar que o dono da voz era Erick, o garoto que havia conhecido no dia anterior.
- Erick?! O que está fazendo aqui?
- Ora, Lyna, já conhecia seu mentor? – disse Alice, se colocando no meio da conversa.
- Como sua mãe disse, sou seu mentor! Não é ótimo?!
Lyna Becker permaneceu em silêncio.
- Oh, quase me esqueci. Gryn! Lyssa! Evan! – Gritou Erick. E segundos depois, apareceu três figuras no corredor. O que parecia mais velho possuía cabelos na cor verde e usava um terno completamente dourado. Já as outras duas mulheres, concentraram seus enfeites nos acessórios e maquiagem. Ambas usavam cílios postiços, porém, uma delas usava em um na cor rosa e a outra dourado. Seus cabelos eram multicoloridos e suas faces cobertas pela maquiagem.
- Senhorita Becker? – disse o homem do grupo. Sua voz era grossa. – É um grande prazer, sou Evan, e essas são Gryn e Lyssa. Sua equipe de preparação a seu dispor.
_*_
O trem era recheado de grandes lustres e talheres de prata. Era impossível não notar o luxo.
- Então, Lyna, que acha dos demais tributos? – perguntou-lhe repentinamente Erick. Ele estava tentando puxar assunto.
- Não os conheço. – A tentativa de Erick falhará. – Mas e quanto às pessoas da Capital?
Erick soltou uma risada falsa.
- Ora, há muitas pessoas que vivem na Capital.
- Não há ninguém com tenha... Contato? – Lyna começará a duvidar de que Eleanor poderia estar na Capital. Afinal, existem muitas pessoas com o mesmo, e “Eleanor” não deveria ser uma exceção.
- Claro! Bem, há o Sr. Mexter, e devo admitir que aqueles cabelos louros e o lindo par de olhos bicolores me deixam... – Erick fechou os olhos e deu um longo suspiro, e logo em seguida continuou: - Há também a Srª. Jeckel e sua filha. Deixe-me ver...
Ele hesitou por um momento.
- Por que quer saber de meus amigos na Capital?
- Oh. A Capital sempre me pareceu tão... Viva! E eu gostaria de saber como é realmente lá. – mentiu. A única coisa com que a garota se importava realmente era Eleanor.
- Sim, sim, sim! Tudo é sempre tão vivo tudo parece uma festa infinita... – Becker desviou sua atenção para a decoração do trem, enquanto Erick continuava a citar todas as qualidades da Capital.
“E se Eleanor não estiver na Capital? O que irei fazer?!” “Ir para os Jogos de qualquer maneira, idiota.”
Isso acontecia freqüentemente, Lyna e uma breve discussão consigo mesma.
“-... Batatas! Como pude me esquecer?!” – Lyna ouviu Erick dizer.
“Oh, potato...”
Lyna lembrou-se da canção, e, adormeceu com a música em mente.
_*_
- Querida? Querida! – Gritou Erick. Ele não parecia satisfeito. – Você dormiu durante nossa conversa. Agora ande, chegamos à Capital.
Erick encaminhou Lyna para a porta do trem. Era possível sentir a velocidade do trem diminuir aos poucos.
E foi quando Lyna menos percebeu, foi que as portas do term se abriram e uma onda de flashes a invadiu.











