No one kicks frogs like... || Eileen & Lance
Sentado, sozinho, em um canto mal podado do jardim, Lance se via mais livre do que em público, mantendo a pose de caçador viril. Já passava da hora do toque de recolher e, ainda assim, o jovem Duval se recusava a voltar ao dormitório. As noites do meio da semana, menos movimentadas, eram reservadas para que pudesse aproveitar seu prazer secreto sem arruinar a reputação que tanto lutava para manter. Bastante cuidadoso, sempre examinava os arredores a procura de outros alunos rebeldes e, como o exímio caçador que era, nunca havia sido flagrado com os olhos atentos nas escritas de um livro. No entanto, até mesmo o homem mais perspicaz é capaz de cometer erros. Não se pode confiar na sensação de privacidade quando existem seres tão habilidosos na arte do disfarce. Curiosamente, naquele momento, lia um trecho de uma história a respeito de uma camponesa dissimulada que se fantasiava para aplicar golpes, descobrir segredos, causar intrigas. Entre um parágrafo e outro, a concentração de Lance foi perturbada por um barulho. Um vigia? Um bisbilhoteiro? Um sapo. Quando viu que se tratava de apenas um animal insignificante, bufou e retomou a leitura. Estava prestes a descobrir qual era o plano por trás do disfarce de cavaleiro. Parecia elaborado, no mínimo intrigante, contudo, o rapaz não conseguia se concentrar com o irritante coaxar do sapo ao fundo. Precisava espantar o animal. Dobrou uma página do livro como referência e deixou o exemplar de lado ao se levantar. Sem se importar em ser furtivo, aproximou-se e encarou o pequeno rival. Miúdo, pequeno e gosmento. Lance detestava sapos. Sem paciência, chutou o chão ao lado do animal, esperando que isso o espantasse. De fato, o ritmo do coaxar foi alterado, viu o sapo pular para longe de seu pé e em seguida voar em sua perna. Parecia sedento por vingança. Não seja idiota, é só um animal. O que havia se iniciado como a simples missão de obter silêncio, logo se tornou um duelo, em parte por honra e em parte pelo território. Após várias tentativas mal sucedidas, Lance finalmente acertou um chute impiedoso no sapo, que atingiu em cheio a parede do castelo e caiu, inerte, na grama. Estaria morto? O rapaz não se importava, já estava satisfeito com a sensação da vitória.
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