Quando eu escolhi fazer o técnico de enfermagem no Cotuca, eu tinha apenas 14 anos e nem imaginava quanta coisa ia mudar na minha vida, mas foram mudanças boas e importantes. Escolhi esse curso, pois depois pretendia fazer faculdade de medicina. Como a maioria das pessoas, não entendia muito bem a diferença entre essas duas coisas e, acreditem, as diferenças são bem significativas.
Eu passei no Cotuca, comecei a fazer o curso e tudo começou a mudar. Fui entendendo a diferença de cada profissão na área da saúde e me apaixonando por enfermagem. Cada campo de estágio que eu passava, me identificava cada vez mais com a profissão. Não demorei muito para perceber que eu não me identificava com medicina e não faria isso pro resto da minha vida. Às vezes, é claro que surge uma crise existencial questionando se é mesmo enfermagem e não qualquer outra coisa. Mas quem tem total certeza do que deseja fazer para o resto da vida com 17 anos?
Foi tão fácil para mim me apaixonar por enfermagem. Estar cuidando das pessoas em um momento difícil e ajudá-las é incrível. Amo quando vejo a satisfação e agradecimento no olhar do paciente depois dos cuidados. Pequenas coisas já os deixam felizes, por exemplo, ajudar com as refeições, deixá-lo confortável no leito, ouvir e se importar com suas queixas, independente do seu nível de relevância.
Conhecer a área da saúde mais a fundo não foi só alegria. Infelizmente, me deparei com situações inconvenientes. A enfermagem ainda é muito desvalorizada, pois muitos acreditam que somos submissos à medicina e que não possuímos conhecimento suficiente. A enfermagem, de fato, precisa da medicina, mas pra trabalhar em conjunto, uma equipe auxiliando a outra. E é preciso entender a importância da enfermagem para valorizar o nosso trabalho.