Lucas: Sexta-feira, 00h30.
Virei, revirei e nada do bendito sono chegar... Puto arrependimento de não ter saído com o Zoca e as meninas. Cansei de tentar dormir, e resolvi levantar pra beber água, a casa estava toda escura e não havia barulho nenhum. Provavelmente o Leandro ainda não tinha chegado, e a mamãe já estava no vigésimo sono com o pai. Dei mais uma sondada pela casa pra conferir se tava tudo fechado, e não encontrei a Lucca em lugar nenhum.
- Lucca, cadê você minha filha?!
Olhei em baixo do sofá, atrás das portas, em baixo das camas e nada dela. Respirei fundo me levantando do chão e só assim pude pensar em um lugar que ela estaria... Samantha!
Voltei pro meu quarto, passei uma água no rosto e escovei os dentes. Coloquei meu celular no bolso e fui andando em direção a porta de casa. Sai sem fazer barulho algum tranquei a porta e suspirei, ainda não tinha certeza se o que eu iria fazer era uma boa idéia. Depois de longos passos, parei na porta da casa da Samantha e fiquei encarando o portão por um instante, estava tudo escuro e parecia não que não tinha ninguém, mas o carro da mãe dela tava lá, então ela não tinha saído... Porra Lucas, como você é burro! Ela tem pernas, sabe muito bem sair sem carro. Pendurei no interfone e nada dela atender, comecei a ficar agoniado com a situação e logo me lembrei que dava pra pular o muro pelos fundos, pois não tinha cerca elétrica em uma parte. Fui andando em direção aos fundos da casa, peguei impulso em uma árvore que tinha lá e por um momento até pensei em desistir de terminar de pular esse carai desse muro, era alto demais. Respirei fundo, fechei os olhos e quando dei por mim, já estava dentro da casa da Samantha. Fui andando em direção a porta da casa dela e pendurei na campainha. Apoiei minhas mãos na "lateral" da porta, e fiquei encarando a mesma, esperando impaciente. Os latidos estridentes da Lucca soavam pela casa, ouvi passos calmos vindo de longe, pensei que iria ter que tocar a campainha até queimar, mais sua voz tremula soou como um sussurro e foi a ultima coisa que consegui ouvir do outro lado da porta .
- Shiu Lucca, fica quieta!
Dê play nessa música antes de continuar lendo: https://www.youtube.com/watch?v=-2U0Ivkn2Ds
Ainda estava apoiando as mãos na porta, permaneci imóvel e a única coisa que eu conseguia fazer era encarar a porta. Ouvia os passos dela cada vez mais próximos e meu coração já estava fora do ritmo, que merda! Pensei que as coisas não poderiam piorar, mas pensei completamente errado.
- Lucas? ~ levantei a cabeça para que eu pudesse olhá-la ~ O que você ta fazendo aqui uma hora dessas? ~ nesse momento eu acho que tava com cara de Bocó. Ela estava linda, e usava uma camisa que ficava um vestido curto pra ela. A camisa que eu dei pra ela antes dela ir embora,só porque ela amava aquela camisa.
- Desculpa ter te acordado... ~ ela me encarava com cara desconfiada.
- Tá tudo bem? Aconteceu algo pra você vir aqui uma hora dessas? ~ Lucca tava no colo dela, e me olhava como estivesse entendendo o que eu e Samantha estávamos conversando. ~ E como cê entrou aqui? O portão tava aberto? ~ sua expressão mudou e ela parecia mais preocupada que antes.
- Puta que Pariu! Posso entrar pelo menos? ~ ela balançou a cabeça negativamente e eu a ignorei entrando logo em seguida ~ Tem problema não, eu entro do mesmo jeito!
Me sentei no sofá e apoiei os braços nas minhas coxas, expliquei pra ela que eu tinha pulado o muro e ela continuava me encarando. Os olhos dela estavam inchados e vermelhos, eles costumavam ficar assim quando ela chorava.
- Sua mãe que quis deixar a Lucca comigo, Lucas.
- Não tem problema... Não vim aqui falar dela, vim aqui falar da gente! ~ arqueei a sobrancelha,nem eu sabia que porra era aquela que eu tava fazendo.
- Que bom... Então você vai escutar tudo que ta entalado aqui.
Eu queria mesmo escutar, mas meu celular começou a tocar assim que ela começou a falar e ela se calou. Tirei o celular do bolso, olhei quem era, mas ignorei colocando o celular no bolso novamente e assentindo pra Samantha continuar.
- Você nunca me perguntou como eu me sinto vendo o que você se tornou. ~ eu tava encarando ela, mas eu realmente não tava entendendo. ~ Você ta fazendo hoje o que você gosta, você gosta de cantar e você nasceu pra isso, você tem talento. Mas poxa, eu me acostumei mal... Eu tive que ver você se afastando de mim aos poucos sem eu poder fazer nada, porque se você tava feliz, eu também estava. ~ meu celular começou a tocar novamente e ela parou de falar. Ignorei a chamada mais uma vez e ela continuou falando. ~ Assédio naquela época tinha sim, mas aposto que hoje é muito pior, e sabe o que foi pior que tudo isso? É ouvir as coisas que você falou pra mim ontem,como se você nem me conhecesse né? Preferiu acreditar em uma mulherzinha baixa que é "seu pente certo" do que em mim... Cadê o Lucas que eu me apaixonei e amei?
- Ele continua aqui... Orgulhoso como antes, mas sempre te esperando. ~ as palavras saíram do nada e eu me levantei do sofá por impulso e puxei o corpo dela pra junto de mim. Nossos corpos estavam colados e eu já podia sentir sua respiração descompassada na minha. Passei a mão pelo seu cabelo colocando pra trás uma mexa que insistia cair em seu rosto. Ela estava na ponta dos pés, e eu sorri ao ver aquela cena que eu achei que nunca mais fosse ver novamente. ~ Eu pensei em você ontem antes de dormir... Álias, eu fiz isso todas as noites em que você não estava mais comigo.
Naquele momento eu pude sentir de novo tudo aquilo que eu senti a um ano atrás. Como era bom aquele frio na barriga e o coração bater em um ritmo que nem um arrocha seria capaz de acompanhar. Apertei Samantha mais ainda em meu corpo e puxei-a um pouco mais pra cima,nossas bocas estavam próximas e só Deus sabe o perigo que isso era. Coloquei uma mão na nuca de Sam e permaneci com a outra mão na sua cintura, mordi o lábio inferior dela puxando-o pra mim e ao mesmo tempo puxei seu cabelo pra trás, o que fez o corpo dela estremecer. Estava tudo ótimo, o certo seria a gente se beijar, mas a porra do meu celular começou a tocar novamente e a Sam se recuou.
- ATENDE ESSE CARALHO! ~ Samantha alterou seu tom de voz, e eu peguei o celular do bolso. Era a peste da Penélope que não parava de ligar. Desliguei meu celular e olhei pra Sam que não estava com uma cara muito boa. ~ Era a Penélope, né?
- Era, mas Sam, eu não tenho nada com a Penélope... ~ me aproximei dela mas ela se afastou.
- Cansei... Não te quero pela metade. Vai embora, por favor, e só volta quando você for meu de novo, mas por completo. ~ ela foi andando em direção a porta e abrindo a mesma.
- Eu só vou porque vou conversar com a Penélope e dizer pra ela não me procurar mais. ~ andei em direção a porta e parei em frente a Samantha, que por sua vez nem olhava pra mim.
- Vai ser sempre assim, né? ~ ela ria ironicamente ~ Olha... Lucas, só me procura quando você não for me decepcionar mais,porque meu coração ta machucado o bastante pra não cicatrizar facilmente, Mas só te peço que me fale algo, me fale alguma coisa... Não me deixa desistir de você, porque eu não sei mais o que eu faço, e a única saída vai acabar sendo desistir de ti.
Dei um beijo na testa dela e a abracei, abracei como se fosse a ultima vez, mas quer saber a verdade? Esse abraço vai se repetir por muitos e muitos anos!
Sai da casa da Samantha,e antes mesmo dela fechar a porta.falei em um tom alto para que ela pudesse ouvir.
- Só te digo uma coisa princesa... Logo logo vai ser só nós dois!