Último texto que faço em nome da EPSJV:
Hoje eu entreguei a chave do meu armário no estágio, foi meu último dia. Último dia em que usaria aquele jaleco branco, aquelas luvas de látex, aquela máscara que me sufocava no início mas que depois a gente se acostuma, última vez que olharia todas aquelas células, minhas células de criação, no microscópio.
Mas pior do que tudo isso, foi entrar naquela escola uma penúltima vez, subir aquela escada, olhar as salas que agora não eram mais minhas e nem seriam. Serão dos alunos dos próximos anos. E dos próximos. Abri meu armário e retirei meus últimos livros, meu último caderno e as folhas de matérias de outrora. Em um segundo ele era meu armário, no seguinte já não havia nenhuma prova de que eu estava com ele há 3 anos. Naquela escola, naquele prédio, não havia nada que deixasse claro que eu estive ali. Injusto, porque cada parte do que sou hoje, da escoliose aos filmes que escolho ver, são a prova de que passei por lá. E sobrevivi.
Essa manhã eu perdi duas chaves, perdi dois lugares do meu cotidiano. E pras borboletas fazendo ballet entre as flores, pras árvores incontáveis, pras palestras de mais de duas horas que eu não suportei, pros gritos no corredor, pras risadas, pras fotos, pras festas surpresas que não era tão surpreendentes assim, pras matérias insuportáveis, inúteis, fascinantes, pras discussões filosóficas em volta da mesa de almoço, pro meu choro estérico pré-prova de matemática, pra minha felicidade de ter defendido a monografia, pros professores que me inspiraram... pra tudo isso, hoje eu digo adeus.












