Os carros já não passam mais, o som da sua risada não esta mais ao meu alcance, e você se foi. Foi, e junto com você levou tudo; só deixou a saudade. Saudade essa, que faz com que eu olhe para qualquer lugar, e veja você; imagine você. Faz também, com que eu vire em cada esquina, desejando que você esteja ali. Saudade esta também, que é a causa de eu te imaginar comigo todos os momentos do meu dia.
Os rangidos da rede foram o único som que me restou. Mas os barulhos externos são simples, são pequenos demais, comparados aos internos. Por dentro, há gritos, muitos gritos. Gritos de saudade, de culpa, de arrependimento, de tristeza, e lá no fundo, atrás de todos os outros gritos, tem uma “raizinha” de felicidade. Saudade de tudo que passou e que não volta mais, de todos os momentos, de você. Culpa por ter ido embora, quando finalmente estava tudo dando certo – é típico meu. Arrependimento por não ter te dado uma chance antes, por ter tornado tudo mais difícil. Mas existe também, aquela “raizinha” de felicidade, por tudo que passou, por todos os momentos – os nossos momentos –, por você ter feito parte da minha vida, e – apesar de tudo que eu fiz – ainda fazer.
Então, me desculpa, por tudo: que eu fiz, que eu deixei de fazer, e que eu falei. Por tudo que te fez mal. Pelo quanto que eu te fiz mal.
Agora é tarde, eu sei. E vou entender se você me disser o mesmo, mas entenda, se eu pudesse, voltaria no tempo e mudaria, mas eu não posso.
Lembro-me de todas as suas declarações, e de como eu as desprezava. Lembro-me de todas as vezes em que chorei por outro, enquanto você chorava por mim. E lembro-me também, de todas as vezes que eu precisei, e você foi o único a me socorrer. Muito obrigado, por tudo.
De vez em quando, eu paro pra pensar em tudo que aconteceu. Em tudo que passamos, e em tudo que poderíamos ter evitado se estivéssemos juntos. Penso também, no tempo que se passou entre tudo isso. Afinal, dois anos é um espaço de tempo considerável.
Hoje, olhando em retrospectiva, eu mudaria algumas coisas, mas gostei do rumo que as nossas vidas tomaram. Eu fiquei mais forte, assim como você. Então, de certo modo, foi gratificante passar por tudo aquilo, pois de qualquer jeito, ficamos juntos no final. E é isso que me importa, porque eu não vou te perder de novo. Eu te amo. (eraunavez)