Ambas as freguesias de Riba d’Ave e Oliveira São Mateus devem seu desenvolvimento ao Rio Ave. No princípio, no estrato agrícola, o rio servia tanto de água para rega das plantações quanto para moer grãos e gerar energia elétrica as azenhas e moinhos característicos da região do Vale do Ave.
Já no estrato industrial, o rio tinha um papel fundamental para localização das fábricas têxteis, visto que estas necessitavam de uma grande quantidade de energia elétrica que era suprida por azenhas com uma escala muito maior do que as agrícolas e também requeriam grandes volumes de água para a produção dos tecidos.
Logo, o Rio Ave foi elemento indispensável para a prosperidade da região. Contudo agora encontra-se em total abandono pela população, sem nenhum papel importante em seu cotidiano e principalmente, sem nem ser ouvido ou visto, oculto por debaixo da paisagem visível.
Com isso em mente, o próximo estrato a ser analisado que confere espessura ao território-palimpsesto é seu avesso.
De acordo com Vladmir Bartalini em sua tese “Paisagens Surgentes”:
“O avesso, em relação à paisagem, pode remeter ao invísivel implícito em todo visível, mas também àquilo que se lhe opõe, ou seja, a negação da paisagem.”
A paisagem pode ser negada de diversas formas, seja pela remoção da vida vegetal e animal, seja pelo apagamento das formas naturais do território, contudo, ambas deixam consigo vestígios no estrato visível da paisagem.
Na região estudada o maior exemplo dos elementos ocultos no avesso são os afluentes do Rio Ave, que se encontram, em grande parte, canalizados e tampados sendo negados da paisagem, contudo não deixam de imprimir vestígios na superfície que para olhos atentos se fazem visíveis.
O primeiro indício que pode ser levantado e que é comum a todos os estratos é o topónimo de vias que nesse caso temos como exemplo a Rua da Lameira e a Rua do Rio Ave, ambas localizadas em Riba d’Ave.
Outro marco da existência de corpos d’água cultos é acerca da topografia do local, que se mostra mais nítida principalmente em épocas de chuva, quando as águas pluviais dão pistas do que ali existia. Outro indício que acaba por denunciar a localizar desses corpos d’água é a disposição de vias sob ou próximos a eles devido ao vencimento do declive de forma mais suave.