A alma que vocês acreditam existir, só é uma parte desconhecida do cérebro, e eu a conheci.
É o meu nome na lápide cravada em meio ao nada. Estou sentado no chão, mas eu não vejo o chão. Vejo apenas meu nome em letras garrafais esculpidas em uma pedra negra que se estende ao céu atravessando as nuvens brancas. Nuvens brancas em um céu escuro, há estrelas, há planetas rodeados com seus anéis, satélites, galáxias, vida e; morte. Algo me afunda na água que andei derramando há tempos atrás. Eram os pingos de chuvas passadas que me ensoparam, os pingos que carreguei sobre o meu corpo enquanto devia ter engolido e digerido cada um. Os pingos eram os meus medos. A chuva só era um disfarce. Eu que vivo constantemente em uma peça teatral dentro de mim mesmo. Eu que engulo tudo que é existencial, acabei tropeçando no irreal. Peça teatral? Não, a vida não é teatro. A vida nem existe. Sou louco, contraditório, psicótico, psicopata, assassino. Assassino. Eu assinei, ou melhor, assassinei a lápide que esteve à minha frente. Agora que fugi até me recordo de como minhas unhas arranharam o mármore frio e desgraçado. Eu quero que todos pensem que eu morri. Quero que imaginem meu corpo sendo devorado pela terra, se tornando pó. Imaginem os vermes que se alimentam de minhas vísceras, do que sobram de meus órgãos. Eles entram por todas as aberturas, me fazendo explodir de dentro pra fora. Imaginem o fedor de carniça que ficará enquanto acima de mim, vocês pisam nos vermes que me devoram, vocês pisam. Mas não sabem que estes mesmos vermes que se alimentam do meu sangue, subirão ao solo, entrará em suas casas, e estarão em seus pratos no café da manhã, em suas camas ao tentar fazer sexo, ou apenas dormir, nas roupas, nos carros e trabalhos. Almoços e maços de cigarros. Na bebida que você paga pra sua amante depois de um dia exaustivo, no remédio que tira a porra da sua dor de cabeça. Mas, meu medo é que imaginem toda a desgraça que ainda posso fazer, meu medo é apenas reconhecer a covardia de vida que levei até aqui. Meu medo é a própria contradição do medo. São pingados, minguados. São tiros que estilhaçam uma vidraça já quebrada. Meu medo é que eu me torne tão covarde de não ter coragem de morrer e viver toda essa sensação de nojo.
John











