Eu caminho incansavelmente
Quase corro
Sem motivos
É só a vida que me entristece
Eu vejo todo mundo
E sinto suas dores
Mas não suas alegrias
Nunca alegria.
Esther Lisboa

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Eu caminho incansavelmente
Quase corro
Sem motivos
É só a vida que me entristece
Eu vejo todo mundo
E sinto suas dores
Mas não suas alegrias
Nunca alegria.
Esther Lisboa
Hoje eu estudei sobre a vergonha
Logo eu, completamente envergonhada
Dilacerada pela minha inferioridade
Pelo meu não dito
Pela violência de simplesmente ser
De não saber ser
De não saber ter
Me falta a compreensão
Do que é amor
Do que é amar
Eu só tenho medo de errar
E de ter que conviver com o constrangimento
De não saber caminhar
Por essas estradas tortuosas
Eu vago
Eu vaso
Como lixo
Eu desço pela descarga
Sem saber aonde vou parar
Esther Lisboa
Eu tenho vivido sonhando
No meu mundo ideal
Não existe espaço para ambiguidades
Eu decido
E pronto, e ponto
É lei
Não existem rabiscos coloridos
Só a cor da minha decisão determinada
Mas no mundo real eu sou mar inconstante
E eu tenho tanta coisa que flutua por mim
Que me apavora
Me descaracteriza
Que eu me perco
E quase ninguém consegue me encontrar
Eu tenho ondas que nunca cessam
E me atravessam ventos que quase nunca suavizam
Eu anseio por rabiscos coloridos
E por uma finitude que me permita o deleite
De uma indecisão tranquila
Silenciosa
Indolor
Mas me encontro na linha tênue do torpor
E sinto que não acabou
Esther Lisboa
Não sei exatamente o que quero dizer
Tem muita coisa confusa
Tem muita confusão nas coisas
Cumpro todas as minhas metas
E me sinto incompleta
Quando não cumpro
Nenhum triunfo
Eu me sinto um fracasso
A cada traço
A cada passo
A cada tropeço
Eu peço
Me trilha
Me guia
Me diz o que fazer
Porque eu tô cansada de me sentir tão errante
Tão distante
Nunca foi tão gritante
Essa minha incapacidade
De dizer o que exatamente quero dizer
Esther Lisboa
Eu não gosto da areia entre meus dedos e debaixo das minhas unhas quando estou na praia
Mas gosto de ouvir o mar e do barulho de vida que circula ali nas redondezas
Isso não é sobre gosto
É sobre aceitar o que a vida oferece
E tirar o que há de melhor
As vezes não tenho o que quero
Mas me sinto na obrigação de amar o que tenho, o que a vida me oferece
As vezes o progresso está no passado
A força está no que vivi e aprendi
Eu não sou mais uma adolescente boba
Eu vi e vivi
Então por que ainda me deixo levar por esses sentimentos?
Eu me sinto na obrigação de ser grata
Eu me sinto obrigada a ser grata
Eu me sinto tão ingrata
Esther Lisboa
Eu anseio
Por quando tudo vai poder
Ser diferente
Por quando meu querer
Vai traçar alguma linha definitiva
Alguma trilha
Pela qual seja confortável seguir
Alguma trilha
Que me leve para o lugar que aquece meu corpo e coração
Eu sou apenas uma menina
Eu sou apenas uma mulher
Que sabe o que quer
Mas que não sabe como ir
Não pode ir
Então não vou
Não corro
Só tropeço
Só peço (paciência)
Só anseio
Sou só anseio.
Esther Lisboa
Responsabilidade emocional não é sobre reciprocidade, não é sobre informar ao outro sobre suas intenções e daí pra frente se isentar de qualquer consequência. Responsabilidade emocional se trata muito mais de você, de autoconhecimento e de ser fiel com tuas ideias. Se você não quer namorar, diga que não quer namorar, e aja de acordo com quem não quer namorar... Não exija atenção, preocupação, amizade, parceria, presença. Se você quer namorar, aja de acordo, paparique, ame, esteja junto, se preocupe, peça pra ficar mais... As pessoas querem os benefícios de estar em um relacionamento sem as dificuldades e riscos de estar em uma relação e para isso falam todo tipo de merda. Acredite, só porque no início você disse que não queria se envolver, isso não te torna o isentão, se você disse algo, mas não agiu de acordo, se iludiu, se performou, tem parte da culpa sim. Magoar as pessoas é um caminho quase inevitável em qualquer relação, mas iludir as pessoas para benefício próprio, retirar o melhor das pessoas sabendo que você não merece aquilo de verdade, isso é opcional. Sejam justos, sejam honestos, parem de performar a boa pessoa.
Esther Lisboa
Eu saí do banho frustrada. Tinha esperança de que a água lavasse tudo... As frustrações, inquietações, preocupações, perturbações e questionamentos, mas não lavou, não acalmou meu coração, nem desanuviou minha mente. Não levou a tristeza embora.
Esther Lisboa