UM DIA DE CHUVA
O dia está molhado, assim como meus olhos, nos últimos dias, hoje a chuva não é só lá fora, é provinda da minha alma, que chora, pede consolo e abrigo, mas o choro de socorro sai mudo, ninguém a escuta, e tão pouco a vê, somente eu. Sempre gostei de nadar, mas parece que hoje me afogo dentro do tanque em que me encontro mergulhada, lembranças, tristezas e pura nostalgia, com uma temperatura fria, onde ninguém pode vir me salvar, é como estar em um mar de gelo, onde sua sensibilidade começa a perder o sentido. Os problemas vêm corroendo meu peito, e achei que tinha você ao meu lado, mais uma vez parece que fui jogada de um grande penhasco, e que meu corpo não chega ao solo nunca, fico na eterna caída, no eterno sentimento de que algo está para acontecer, mas não acontece. Meu corpo? Não chega no chão, não se desfaz. Sua ausência piora as sensações, aperta meu peito, sulfoca minha voz, tira o resto de minhas forças e afoga minha alma. Eu que me via tão forte novamente, procuro insistidamente um meio de fuga, uma saída, uma ajuda, um fim para tudo isso. Por quê? Por quê foi entrar em minha vida, sendo que eu lhe avisei ser fraca? Qual o sentido de tal maldade? Enquanto choro, escondida – para não ser pega pela família, parte dos problemas – inclino meu rosto para o céu, deixo a chuva molhar, as lágrimas já não sabem mais se são de tristeza, ou gotas da chuva, um simples louvor da natureza.















