Carta de confissão Parte I: Como eu descobri que te amo
Vila Velha, Janeiro de 2014
Era uma vez … Ops! Inicio errado. Isso não é um conto de fadas. Essa não é uma historia de faz de conta com final feliz. Essa é uma historia real. Talvez seja a nossa historia ou só a minha, ainda não sei pois ela não chegou ao fim. Alias não sei nem como ela se iniciou, muito menos quando. Há quem diga que foi naquela minha atitude maluca de te perguntar sobre algo que eu não entendia só porque me pediram. Há quem diga que foi na conversa pela rede social logo depois desse dia. E há também quem diga que isso é tudo loucura minha. Eu? Eu não tenho ideia de quem esta certo ou errado, eu só tenho certeza de quando descobri o que eu realmente sentia já era tarde demais pra te tirar da minha vida. Como eu descobrir isso? Bem, estou escrevendo essa carta pra tentar esclarecer justamente isso. Mas antes de iniciar peço que tenha calma pois é uma historia longa e cheia de detalhes que eu julgo que não poderiam ficar de fora dessa confissão, então leia atentamente e não pule nenhuma linha.
Tudo aconteceu no ano novo mais recente logo após o show de fogos. Eu estava, depois de muito tempo, novamente na minha terra e já havia passado das quatro da madrugada. Estávamos nas ruas do bairro, era ano novo e queríamos confraternizar. Todos estavam meio bêbados, e uns mais que outros como de praste. Depois de anos lá estava eu de novo, sentada em frente onde uma vez ja havia sido minha casa rodeada de antigos e novos amigos jogando conversa fora (ah quanto tempo eu não fazia isso), estava eu lá como o centro do mundo cercada de perguntas e olhares curiosos o que era normal já que quem foi embora e ficou quase três anos sem aparecer foi eu. E no meio das tantas perguntas, brincadeiras e risadas eis que um rapaz que havia conhecido recentemente me indaga sobre algo que já não me lembro mais o que era, pra ser sincera nem cheguei a escutar direito a pergunta só me lembro de meu irmão respondendo-a por mim com um não. O mesmo rapaz que outrora me indagou, olhou com surpresa pra meu irmão e o perguntou como ele tinha tanta certeza do que havia afirmado, ele riu e disse apenas: - Porque eu a conheço como a palma da minha mão. E ele estava certo. Todos ficaram mais surpresos ainda e desta vez direcionaram seus olhares pra mim, e o mesmo rapaz curioso perguntou de novo se o que ele dissera era verdade. Eu afirmei que sim com um aceno de cabeça e depois de uma golada da cerveja que estava na minha mão acrescentei: - Ele me conhece tão bem como eu o conheço. Depois de três anos, mudaram-se algumas de minhas prioridades, convicções e interesses mas em essência continuo a mesma. Em uma jogada rápida, quase de mestre, o mesmo curioso rapaz me falou: - Entendi … E quais são os seus interesses agora? Não tive nem tempo de responder, logo após o rapaz perguntar meio irmão soltou atrás em alto e bom tom que ele queria saber tanto assim porque estava interessado em mim. Fiquei sem reação, primeiro porque eu não esperava uma pergunta dessas e segundo porque também não esperava uma revelação como a do meu irmão, então eu simplesmente sorri. Um riso sem jeito sem graça, e tomei mais gole da minha cerveja. E num meio minuto após pergunta e revelação eu só pensei em você. E por mais um minuto eu tive uma vontade incontrolável de responder ao rapaz que o que mais interessava era você, que o que mais me interessava na atual fase da minha vida era um outro rapaz de cabelos escuros e lisos, olhos castanhos, pele morena, de um sorriso e simpatia inconfundíveis, um rapaz lindo e chamativo com um talento nato para a música e que faz minhas pernas bambearem e minhas mãos tremerem toda vez que se aproxima. Mas eu não o fiz, eu não o respondi assim e no dia seguinte descobri que eu te amava.
Da Coleção: Um Amor que Nunca foi Meu
(Rascunhado em janeiro/2014)










