mais um pouco e sua solução seria bater com a cabeça na parede. a dor tinha que passar de alguma forma, mesmo que fosse com uma outra ainda maior. remédio não fazia efeito, água yoonhak já havia tomado o suficiente para que o mijo já estivesse da mesma cor e ficar no escuro estava sendo pior, porque fazia o latejo ressoar mais, no mesmo ritmo dos pensamentos estúpidos que estavam rodeando sua mente. um medo antigo, que vivia pendurado em seu ombro como um constante lembrete do quanto tempo perdeu, quantas oportunidades também, por causa de um coração apaixonado — e ingênuo.
suspeitava de uma enxaqueca, e achar isso na verdade até tinha um lado positivo: chances eram que muitas outras coisas estivessem sondando em sua mente e não só um probleminha teen. agora, porque odiava sentir dores de cabeça, yoonhak se tornava duas vezes mais irritante, impaciente e inquieto. e isso com certeza não ajudava enxaqueca alguma. quando o telefone vibrou, ele chegou a implorar, completamente delirante, que fosse o aviso de alguém estando em sua porta para fazer uma troca: um monte de socos na sua cara em troca do fim da dor de cabeça! e yoonhak aceitaria, porque a dor física ele tolerava muito melhor.
infelizmente, não era.
felizmente, um papo qualquer talvez pudesse ser uma distração e uma cura.
sua resposta à sunbin foi ir à varanda, pegar a vara de pesca de criança que ambos tinham comprado para que pudessem fazer exatamente aquilo: alcançar e bater na porta da varanda do outro. só que parecendo alguém perturbado, fora de si, yoonhak debruçou sobre o parapeito quase como se ele estivesse pronto para arriscar passar para a outra varanda. daí, os pés chutaram as garrafas de vinho no chão, fazendo o maior barulho de vidro batendo que fez a cabeça doer ainda mais. a realização veio ali.
não era enxaqueca coisa nenhuma. era a porra de um vinho doce péssimo que desceu e bateu bem ruim, mas ótimo em deixa-lo bêbado. que sunbin estivesse preparada para um papo com um yoonhak bem diferente do normal que, aliás, já não largava mais da garrafa, cheio de ódio e sangue fervente, pronto para reclamar sobre.